Leandro Guerreiro: o eterno titular

  • por Alexandre Perdigão
  • 8 Anos atrás

No Brasil, existem 180 milhões de “treinadores”. Mesmo sem conhecimento especializado, todo mundo se sente do hábil para criticar, escalar, substituir, enquanto acompanham os jogos. Está na nossa cultura, e cada um tem o seu time ideal em mente. Quando se vai a um estádio, o que mais se escuta são os treinadores das arquibancadas (hoje cadeiras) tentando escalar o seu “onze ideal”. Mas cada um acaba sempre pensando de uma forma diferente.

Praticamente todos os times têm um ou mais jogadores que não estariam escalados em time de nenhum treinador do povo, pois não possuem uma forma de jogar que agrada à torcida. Esses são os chamados jogadores táticos. Jogador tático é aquele que não joga para a torcida, e sim para o treinador. É a voz e a cabeça do treinador dentro de campo. Tudo que o treinador pede, ele faz, mesmo que não saia exatamente como planejado. Jogam todos os jogos do ano. Não se contundem, não são suspensos, não fazem gols, não marcam, não correm, mas nunca saem do time. Troca-se o técnico, mas o “jogador tático” continua sempre entre os titulares.

Leandro Guerreiro, um dos jogadores táticos do Cruzeiro

Leandro Guerreiro, um dos jogadores táticos do Cruzeiro

No Cruzeiro, o jogador tático tem nome e sobrenome: Leandro Guerreiro. Sim, sobrenome. Pois Guerreiro não é pela sua garra, sua vontade ou disposição em campo. É apenas um sobrenome bonito. Leandro Guerreiro foi contratado em Janeiro de 2011, junto ao Botafogo, para compor o elenco para a Libertadores. Cuca, treinador do Cruzeiro na ocasião, havia pedido à diretoria um primeiro volante marcador, e sugeriu o nome do botafoguense, que fora seu jogador no passado. Quando chegou, Leandro parecia ser uma boa peça para reposição, mas Henrique foi vendido para o Santos e Guerreiro foi alçando a condição de titular, de onde não saiu mais.

O primeiro volante deve, em primeiro lugar, ser bom na marcação, cobrir tanto o lado direito quanto o lado esquerdo, fazendo a cobertura dos laterais quando sobem para o ataque. Não precisa ter um passe primoroso, mas necessita saber passar. Geralmente, o primeiro volante só aparece para destruir as jogadas do adversário e entregar para quem estiver mais perto, mas esse não é o caso de Guerreiro.

O atual camisa 55 do Cruzeiro não tem qualidade de passe, não preenche os espaços, não marca sem a bola, não tem velocidade para chegar nenhum lance. Sua finalização não é das melhores e, por isso, quase nunca marca gols. A bola aérea é um terror para o time, pois Guerreiro é péssimo nesse fundamento. Esse ano, Guerreiro entrou para o seleto grupo de jogadores que vestiram a camisa celeste por mais de 100 partidas, e isso em pouco mais de 2 anos. É uma prova de que o jogador é importante para o time, mesmo que apenas na cabeça dos treinadores, e foram vários desde a saída de Cuca. Sempre considerado o “pilar da volância”, o jogador tático da vez não tem consciência tática e deixa o time exposto por diversas vezes durante a partida, resultando em gols dos adversários, alcunhas e palavrões nas cadeiras do Mineirão.

O volante, que é titular da Raposa nesta temporada

O volante é um dos homens de confiança do técnico Marcelo Oliveira

Antes cabeludo, Guerreiro aparou os longos cabelos devido à promessa de que, se o Cruzeiro permanecesse na elite do futebol brasileiro, passaria a tesoura e cortaria as madeixas. No ano de 2013, foram contratados vários jogadores para o setor de meio campo. Uéliton veio do Vitória e poderia jogar na vaga de Guerreiro, assim como o jovem Lucas Silva, revelação da base, mas ao que parece, Guerreiro, o jogador tático, será o titular do treinador até o final da temporada, mais uma vez.

Colaboração de Lucas Amaral.

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Alexandre Perdigão é Mineiro, estudante de Direito, ex-futuro Engenheiro Químico, Técnico em Radiologia, apaixonado pelos esportes e principalmente pelo futebol. Graças a seu pai é torcedor roxo(ou azul) do Cruzeiro. Dizem que sua primeira palavra foi "Goool".