Liga Europa: Os jogos de ida das semis

  • por João Vitor Poppi
  • 6 Anos atrás

UEL

BASEL 1X2 CHELSEA

O Basel tomou a iniciativa ofensiva e tentou a todo custo colocar velocidade na partida. Não conseguiu, pois tropeçou em suas próprias pernas. Foi apressado com a bola no pé, perdeu o domínio do meio campo e deixou espaços pelos flancos.

Os visitantes abriram o placar cedo. Logo aos onze minutos, após escanteio cobrado por Lampard a zaga se posicionou mal, tomou bola nas costas, e Moses, que nem precisou pular, abriu o placar: 0x1.

Postado no 4-3-3, com um triângulo de base alta, o time suíço teve apenas movimentação dos jogadores dentro de suas zonas de posicionamento, não teve circulação e inversões, o que facilitou a marcação adversária. A forma muito verticalizada, com a qual se posicionou o Bicolor, deixou muitos espaços pelos lados, mais precisamente entre os laterais e os pontas. O meio campo ficou desguarnecido.

Atuando no esquema tático 4-2-3-1, o Chelsea ficou compactado e marcou da intermediária defensiva até a frente do centro de campo. Jogou de forma horizontal e quando recuperava a posse de bola, o que ocorreu com frequência – tanto pelos erros de passe do adversário, quanto pela marcação muito próxima aos meias e atacantes do Basel -, Hazard (esquerda) e Fernando Torres (direita) rapidamente partiam para os lados de campo, onde encontravam facilidade para jogar.

Como já foi dito, os Blues ”conquistaram” o meio-campo. Muito se deve a Frank Lampard. O camisa oito, mesmo não estando tecnicamente em um grande dia, mostrou toda sua maestria, desta vez com o cérebro. A inteligência na hora de se posicionar fez a diferença. Com Ramires voltando bastante para ajudar na marcação pelo lado direito, Super Frank (como é chamado por sua torcida) não subia ao ataque, dando campo a Serey Die – o meia pelo lado esquerdo do triângulo e que mais partia para o ataque. O que isso significa? No momento em que o Chelsea contragolpeava, Lampard (normalmente) não passava ao campo ofensivo, prendendo Serey Die. Fabian Frei, cabeça de área, constantemente caia por aquele setor (lado esquerdo defensivo do Basel) para fazer cobertura, deixando espaço na parte central do meio campo. O resultado foi Hazard, que atuou como meia de ligação centralizado, como destaque do jogo…com os pés!

Azplicueta fez um bom jogo, principalmente na parte ofensiva. Em contrapartida, o lado esquerdo do Chelsea foi o problemático. Por lá, o Basel conseguiu assustar, forçando em cima de Cole. O lateral fez um jogo insosso e não apoiou.

Chelsea compactado soube ocupar bem os espaços deixados pelo Basel e tirar a velocidade do adversário

Chelsea compactado soube ocupar bem os espaços deixados pelo Basel e tirar a velocidade do adversário

O segundo tempo começou mais agitado com duas bolas na trave, uma para cada lado. Stocker tabelou com Streller , que fez o pivô, e afunilou para dentro da grande área para beliscar o pé da trave de Cech. Essa foi a primeira jogada trabalhada, que ocorreu circulação, com Streller saindo da área para segurar a bola e o ponta penetrando. Em dois minutos, o Basel fez mais do que no primeiro tempo inteiro. Mesmo sendo inferior ao Chelsea, essa jogada mostrou que o time podia – e deveria – melhorar, pois estava buscando o jogo de maneira equivocada: com pressa e os jogadores espaçados. Mas quase nada mudou.

O Chelsea voltou para a segunda etapa com as linhas recuadas. O Basel ganhou mais campo, o que significou apenas mais posse de bola. Roger Federer viu seu time só ”tocar de lado” e tudo continuou como nos primeiros quarenta e cinco minutos.

Aos 41 minutos, Schar converteu uma penalidade mal marcada e colocou o 1×1 no placar. Mas no último lance da partida, veio o castigo para os mandantes. David Luiz bateu uma falta, próxima ao gol, rasteira e firme no canto do goleiro Summer, que aceitou.

Merecida vitória do Chelsea. Não que o time inglês tenha feito uma grande partida, mas dentro das duas propostas de jogo, foi melhor. Se portou para jogar compactado, não permitir ser pressionado com criações de jogadas adversárias e contra golpear. E conseguiu. O Basel propôs o jogo desde o início, mas não foi criativo e deixou espaços no meio de campo e defesa.

FENERBACHE 1X0 BENFICA

O jogo entre Fenerbache e Benfica ficou longe de ser um jogo de encher os olhos. E apesar das quatro bolas na trave, sendo três dos mandantes – uma delas em pênalti desperdiçado por Cristian, que foi ao desespero pelo erro, no último lance do primeiro tempo -, o jogo também não foi emocionante. Faltou intensidade, os times erraram muito, a partida não fluiu.

Aykut Kocaman escalou o Fener no 4-2-3-1, torto, com Sow mais aguçado pela esquerda, Cristian por dentro e Kuyt pelo outro lado. Usando a força do Estádio Sukru Saracoglu e a pressão da sua fanática torcida, os donos da casa conseguiram iniciar o jogo fazendo marcação pressão no campo defensivo do adversário. Os volantes Topal e Raul Meireles subiam. Os meias/pontas abertos encostavam nos laterais do Benfica e Cristian se juntava a Webo no comando de ataque para impedir a saída de bola do time treinado por Jorge Jesus. Enquanto teve ímpeto para sustentar esse tipo de marcação o Fenerbache foi melhor, até conseguiu colocar uma bola na trave com Sow de cabeça, mas o cenário não durou por muito tempo.

O jogo ficou equilibrado, morno e sem criação de jogadas. O Benfica foi a campo apenas com Matic à frente da zaga e distribuido em um 4-1-4-1, mas com variação para o 4-2-3-1, com André Gomes retornando para ajudar na marcação. Aimar, principal criador do time, pouco apareceu. A linha de quatro meias, que criam muito mais do que destroem, indicava um time técnico que jogaria com a posse de bola. Nada feito. Os vários erros de passe e a falta de espírito de luta para uma semifinal de competição europeia tiraram a suposta vantagem técnica dos Encarnados.

Fener trancou o meio e soltou Kuyt, Sow e Cristian para cortar o toque de bola Encarnado

Fener trancou o meio e soltou Kuyt, Sow e Cristian para cortar o toque de bola Encarnado

Com mais disposição e coração na ponta da chuteira o time turco conseguia rondar o gol do brasileiro Artur, mesmo sem criar grandes jogadas e levar muito perigo.

Os volantes Topal e Raul Meireles tiveram que permanecer mais adiantados do que o comum, pois Aimar e André Gomes, juntamente com a linha de quatro meias, recuaram cada vez mais com o passar do tempo. Para não deixar as Águias realizarem a saída de bola com tranquilidade, os dois volantes do Fenerbache se expunham e esse é o único momento em que o Benfica conseguia atacar: nas poucas bolas roubadas no meio, onde se armava os contra-ataques com os volantes rivais longe dos zagueiros.

O segundo tempo se iniciou com uma bolada em cada trave, com Kuyt e Gáitan. Mas o a cara do jogo só veio mudar aos 18 minutos, quando Raul Meireles foi substituído por Salih Uçan. Cristian ganhou a vaga do português (mais recuado) e Salih assumiu a criação do time. O turco fez o que Cristian – um volante jogando adiantado – não conseguiu: cair pelas pontas para dar mais opção para Kuyt e Sow; Cristian fez bem o que Raul Meireles estava com dificuldade: fazer ultrapassagem vindo de trás. Meireles estava ocupando o campo ofensivo, mas não era participativo.

A mudança encorpou o Fenerbache, que voltou a pressionar ajudado pelos gritos das arquibancadas. E aos 25 minutos veio a honra para quem mais insistiu e lutou. Cristian cobrou escanteio e após bate-rebate, o zagueiro Korkmazno desviou pro gol, 1×0.

O Benfica não teve forças para reagir. O Fenerbache foi cansando e preferiu segurar a vantagem. Se o time português pensa em reverter o placar, a primeira mudança que precisa ser feita é jogar os próximos 90 minutos com muito mais luta.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.