MLS na Libertadores?

  • por Mauricio Fernando
  • 8 Anos atrás

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Uma antiga discussão veio à tona novamente nas últimas semanas. O bom desempenho do Tijuana na atual edição da Taça Libertadores da América voltou a atrair as atenções da Major League Soccer, liga norte-americana de futebol, para uma possível participação dos seus clubes na competição de clubes mais importante da América do Sul.

Aí alguns perguntariam: mas Tijuana não é um clube mexicano? Sim, mas a cidade de mesmo nome onde está localizado o clube fica praticamente na divisão do México com as terras do Tio Sam. A viagem e o acesso para algumas cidades norte americanas seriam até mais rápidas e práticas, já que os principais clubes do país jogam em grandes cidades que contam com aeroportos internacionais, comodidade que muitas das sedes de clubes sul-americanos não possuem. Mas isso não quer dizer também que tais viagens serão necessariamente agradáveis. Percorrer cerca de 11 mil quilômetros de Seattle a Porto Alegre, por exemplo, duraria cerca de 14 horas, enquanto que entre São Paulo-Seattle tal trajeto duraria em torno de 13 horas.

Algum observador estranharia o fato dos norte-americanos, tão acostumados à organização de seus campeonatos, terem interesse em disputar uma competição da bagunçada CONMEBOL. Pois bem, a ideia, como foi dita no início, não é nova. Desde 2010, quando o Chivas foi finalista da Libertadores – acabou sendo derrotado pelo Internacional – a MLS deseja a inclusão de suas equipes na competição, com o objetivo de desenvolver a marca e a liga. Isso faria parte do ambicioso plano de tornar a MLS uma das melhores ligas do mundo, elevando o nível técnico de suas equipes e tornando-as conhecidas na América Latina, assim como aconteceu com seus vizinhos mexicanos, que disputam a competição sul-americana desde 1998 – não por isso, mas também por isso. Mexicanos que, apesar de terem uma liga mais estruturada, com melhores equipes, também são muito contestados por aqui. O que então diriam os críticos da participação de seus vizinhos futebolisticamente mais fracos? É bom lembrar que o México detém a hegemonia do futebol da CONCACAF, com a conquista das últimas oito Concachampions (equivalente à Libertadores na América do Norte e Central), mas os clubes norte-americanos têm mostrado nítida evolução.

A CONMEBOL, entidade organizadora da Libertadores, já demonstrou interesse nesta inclusão por motivos bastante claros: a visibilidade e a valorização da competição, especialmente na questão financeira. Bom lembrar que a inclusão dos mexicanos rendeu à confederação sul-americana um ótimo contrato com a Televisa, famosa rede de televisão mexicana. A possibilidade de valores ainda maiores a serem negociados com uma emissora dos Estados Unidos é grande. Prêmios e patrocínios poderiam também aumentar. O que dizer ainda de uma possível presença de jogadores como Robbie Keane, Thierry Henry ou David Beckham (que atuou recentemente na MLS) na Libertadores? Os investimentos dos clubes por lá têm sido cada vez maiores e uma possível participação em outra grande competição poderia motivá-los ainda mais. Os astros mencionados não deverão mais estar atuando, mas outros poderão estar por lá.

Por outro lado, a importância da Libertadores para os clubes yankees pode ser o empecilho. A competição mais importante para eles continuaria sendo a Concachampions, que dá as equipes da América do Norte e Central uma vaga para o Mundial de Clubes da FIFA. Desta forma, uma queixa frequente com relação aos clubes mexicanos, que muitas vezes deixam de lado a competição da CONMEBOL, pode valer também em relação às equipes da MLS. Uma solução alternativa seria a união das confederações, algo muito distante, já que envolveria não só as competições de clubes, mas também de seleções, além de questões financeiras e políticas, enfim, algo praticamente inviável. Outro problema seria o calendário, já que a MLS é disputada de março a novembro, enquanto que a Libertadores começa, com sua fase preliminar, em janeiro.

Foto: UOL Esporte

Foto: UOL Esporte


Vale lembrar ainda que não seria a primeira vez que clubes da MLS participariam de torneios organizados pela confederação sul americana. O DC United participou como convidado das edições de 2005 e 2007 da Copa Sul-Americana, além de Kansas City e New York MetroStars (hoje New York Red Bull) terem participado da extinta Copa Merconorte em 2001.

Apesar do interesse de CONMEBOL e MLS, nenhum acordo ainda foi feito. Recentemente o novo presidente da confederação sul-americana, o uruguaio Eugenio Figueiredo, deu declarações mostrando a insatisfação com o atual modelo de disputa da Libertadores. Se isso pode influenciar em uma possível inclusão dos norte-americanos não se sabe, a perspectiva é de que isso deva acontecer a partir de 2015. A questão deve ser discutida novamente em uma reunião entre representantes das entidades interessadas, que está marcada para junho, durante a Copa das Confederações.

Foto: Globo Esporte.  O novo presidente da CONMEBOL mostrou-se insatisfeito com o formato da Libertadores.

Foto: Globo Esporte.   O novo presidente da CONMEBOL mostrou-se insatisfeito com o formato da Libertadores.

Pontos positivos, negativos, perspectivas e retrospectivas apresentadas. Com base em tudo isso, qual a sua opinião a respeito desta inclusão? Seria mesmo tão vantajoso para ambos os lados? Este assunto certamente ainda vai dar muito o que falar.

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21 anos, morador de Maringá-PR. Corintiano de coração, aprendi ainda a ser Liverpool, na Europa. Como Doente por Futebol, acompanho diariamente jogos, jogadores e tudo o que acontece acerca deste apaixonante esporte. Minha função por aqui será de analisar e informar tudo o que rola na América do Sul e no México. Responsável ainda pelas colunas "Craque DPF" e "Futebol na Mídia".