Nada definido ante a ameaça do imprevisível

Mesmo após o massacre na Allianz Arena, toda a atenção é necessária quando se tem pela frente o Barcelona.

Mesmo após o massacre na Allianz Arena, toda a atenção é necessária quando se tem pela frente o Barcelona.

Se o adversário do Bayern fosse qualquer outro time do mundo, todos os analistas seriam unânimes em cravar: o confronto já está decidido. Após uma indiscutível vitória de 4×0, em que o rival mal viu a cor da bola, é difícil conceber que os bávaros tomem uma virada histórica e sejam eliminados da Liga dos Campeões. Por mais que o resultado agregado seja extremamente favorável e a campanha do time na temporada seja absolutamente avassaladora, quem está do outro lado – e jogará em casa – é o Barcelona. Os catalães, em grande desvantagem, ainda estão com o orgulho ferido. E, como disse a lenda Franz Beckenbauer, farão de tudo para conseguir a improvável classificação.

Amanhã à tarde, o Camp Nou estará completamente lotado por culés fanáticos, que irão ao estádio com uma réstia de esperança no imprevisível. Em Barcelona, ele atende pelo nome de Lionel Messi. É ele quem irá atormentar a defesa bávara, o “ônibus vermelho” que protegeu o gol de Manuel Neuer durante toda a temporada e foi vazado apenas 23 vezes 42 partidas, contando todas as competições disputadas. Para segurar o ímpeto do argentino, a atenção deverá ser constante: qualquer vacilo poderá ser fatal, e ameaçar a vaga na decisão de Wembley que, hoje, parece garantida. Será necessário também ter cuidado com os cartões amarelos (não é culpa de nenhum regulamento bizarro): o Bayern tem seis jogadores pendurados para a grande final. Alguns deles, pilares do forte sistema defensivo, como Lahm, Dante, Javi Martinez e o maestro Schweinsteiger. Qualquer ausência seria extremamente sentida.

Pendurados, Dante e Schweinsteiger deverão tomar cuidado com os cartões se quiserem ir a Wembley.

Pendurados, Dante e Schweinsteiger deverão tomar cuidado com os cartões se quiserem ir a Wembley.

Enquanto aguarda a volta do confronto que definirá a continuidade do projeto Champions, o Bayern continua atropelando a todos em sua liga doméstica. O campeão antecipado vem se pautando em três R’s: ritmo, rotação e sobretudo recordes. No último final de semana, mais uma marca foi destruída com o gol de falta de Xherdan Shaqiri: a vitória magra sobre o Freiburg marcou o novo recorde de pontos em uma edição da Bundesliga. Isso porque, há algumas rodadas, o time de Munique vem usando o campeonato alemão para rodar seu grande e farto elenco, dando ritmo de jogo a atletas que não tiveram tantos minutos na vitoriosa campanha. Tudo para conservar ao máximo os principais astros do time e deixá-los focados no título ainda por conquistar.

O Bayern sabe que precisa se preparar para enfrentar de tudo. Desde o entrosamento de Messi, Xavi e Iniesta, até a reposição de bola imediata dos gandulas enquanto o Barça estiver em desvantagem. Sabe que será difícil tirar a bola dos pés dos catalães, assim como ocorreu na semana passada. Mas aprendeu também que o controle da posse de bola não é suficiente para determinar o domínio do jogo e das ações. No jogo de ida, o pragmatismo bávaro não tomou conhecimento do temido tiki taka que tem causado vertigens nos adversários nos últimos anos. Na Catalunha, a pressão do Barcelona tende a ser ainda maior, em busca de uma remontada altamente improvável e, por isso mesmo, épica. Mesmo com a enorme vantagem de quatro gols, todo o cuidado é pouco quando se visita o endereço onde ele, o imprevisível, mora.

Comentários

Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.