Nasce, em Recife, o Movimento por um Futebol Melhor

Lançamento do Movimento por um Futebol Melhor: o DPF esteve lá.

Lançamento do Movimento por um Futebol Melhor: o DPF esteve lá.

Os clubes pernambucanos firmaram, hoje à tarde, um compromisso: integrarão o Movimento por um Futebol Melhor. Uma iniciativa liderada pela AmBev e que conta com o apoio de outras oito empresas líderes em seus segmentos, como Unilever, Burger King, Netshoes, Sky, entre outras. A proposta do movimento, à primeira vista, pode parecer delírio: fazer do Brasileirão, até 2015, o melhor campeonato do mundo. E de fato, os problemas do nosso futebol não se resumem à falta de dinheiro. Mas se trata de uma oportunidade ímpar para que nossos cartolas disponham de receitas nunca antes vistas.

Isso porque a ideia consiste em montar um clube de vantagens para o torcedor que se associa ao seu clube de coração. Sendo sócio, ele ganha acesso a descontos em produtos e serviços de todas as empresas que compõem o Movimento. Nasce, assim, um círculo virtuoso, em que o clube aumenta seu corpo de associados, o torcedor ganha mais razões para se tornar sócio, e as empresas vendem mais, com o adicional de ganhar a preferência do consumidor. De conquista-lo pelo bolso – e pelo amor ao seu time.

A meta: sonho ou possibilidade concreta? | Foto: Pedro Galindo.

A meta: sonho ou possibilidade concreta? | Foto: Pedro Galindo.

A inspiração para o movimento partiu do óbvio: a admiração pelo futebol europeu, que atualmente concentra todos os grandes craques. E também da tristeza de constatar que os grandes clubes brasileiros não eram mais o sonho dos nossos jogadores de ponta. Assim, para sobreviver, quase todos os maiores clubes brasileiros passaram a depender de vender suas joias. As pratas da casa, identificadas com o time e a torcida. O futebol brasileiro, desde então, tem padecido de uma apatia que tem sido verificada e ecoada em cada fracasso protagonizado pela seleção ao longo da última década, sobretudo nos últimos três anos. A iniciativa surge num momento em que alguns dos maiores clubes do país voltam a manter uma musculatura financeira capaz de competir com os europeus – ainda que de maneira incipiente. –, e pode efetivamente representar um empurrão decisivo para levar o futebol nacional a outro patamar.

Para planejar a ação, a AmBev encomendou pesquisas que apontaram algumas estatísticas muito reveladoras sobre a paixão do brasileiro pelo futebol: mais de 90% dos entrevistados afirmou torcer por algum time, e mais de 80% deles declarou que acompanha seu clube periodicamente. Em números, isso representa um contingente de 135 milhões de brasileiros envolvidos rotineiramente com seus respectivos clubes. No entanto, apenas 0,2% deles – um número aproximado de 350 mil – são sócios. Isso tem uma explicação: no Brasil, quase não há atrativos para o sócio-torcedor. Uma realidade que, no além-mar, é bastante diferente. O exemplo do Benfica é emblemático: quase 3% de seus torcedores são associados adimplentes. Isso gera uma receita fixa para o clube, que para de depender tanto das bilheterias, tão oscilantes ao sabor dos acasos do futebol e das “cartoladas” dos nossos dirigentes.

As nove empresas na vanguarda do Movimento. | Foto: Pedro Galindo.

As nove empresas na vanguarda do Movimento. | Foto: Pedro Galindo.

No país, Grêmio e Inter são os pioneiros na exploração desses conceitos. A dupla de gigantes de Porto Alegre lidera as pesquisas de massa associativa dos maiores clubes brasileiros, graças a um trabalho que já vem sendo muito bem conduzido desde o início da década (e o DPF já divulgou, recentemente, um ranking atualizado dos clubes brasileiros – leia aqui). Essa política tem sido a grande responsável pelo nível de competitividade que os gaúchos conseguiram manter perante o crescente poderio econômico do Eixo Rio-SP. De olho nessas iniciativas, a AmBev criou e articulou o Movimento, que promete dar uma nova chance aos clubes que (ainda) não acordaram a tempo de investir em seu maior patrimônio: sua torcida.

A meta é ambiciosa: fazer pouco mais de 3 milhões e meio de torcedores virarem sócios de seus clubes, e assim, injetar mais de um bilhão de reais no futebol nacional. O esforço de cada clube em aumentar sua massa associativa será recompensado, e o torcedor passará a ter descontos em produtos e serviços de empresas que veem no Movimento uma grande oportunidade. Como dito anteriormente, os problemas do futebol brasileiro não estão restritos à falta de dinheiro. Mais importante do que fazer crescer o bolo é dividi-lo com justiça. E isso não significa igualitarismo barato. O importante é que todos os nossos clubes, alguns de tradição centenária, tenham acesso à parte que lhes cabe dos frutos que o crescimento econômico do país vem despejando no nosso futebol. Iniciativas como o Movimento por um Futebol Melhor são capazes de usar todo o poder e prestígio de algumas das maiores empresas do país em prol dessa causa, justíssima para um povo tão doente por futebol como o brasileiro.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.