O Atlético-MG não sabe explorar Ronaldinho Gaúcho

Foto: LanceNet!

Foto: LanceNet!

Dentro de campo tudo ok! O Galo vem sendo o principal time do futebol brasileiro atualmente. Faz bonito na Libertadores, conquistou o Campeonato Estadual e chegará no Brasileirão como um dos grandes favoritos, talvez o maior. O protagonista deste time, como todos sabem, é Ronaldinho Gaúcho. O ex-melhor do mundo reencontrou seu futebol no Atlético e viu no elenco do Galo a oportunidade de reaparecer para o mundo.

E Cuca soube muito bem como fazer isso. Vários colunistas, comentaristas e sites já mostraram como o Atlético funciona taticamente e joga em função de Ronaldinho. Dentro de campo isso também é facilmente notado. Não exige esforço perceber. Acontece que, fora dos gramados, o Galo está sendo amador ao não saber lidar com o ícone, a personalidade, o ídolo que é Ronaldinho Gaúcho em escala mundial.

A cultura do brasileiro é, em sua maioria, baseada no desmerecimento, no sucateamento e na não preservação de nossos ídolos. Encontram defeitos em todos eles, sem exceção. E com o Gaúcho não poderia ser diferente. Devido a esse tipo de comportamento quase generalizado, o Atlético acaba se tornando cego ao não notar a grande oportunidade que tem em mãos para fazer render dinheiro ao clube. Digo isso porque, lá fora, Ronaldinho é tratado como um dos ídolos máximos do futebol. Em qualquer país do mundo, na opinião dos entusiastas, o craque do Galo já está no patamar de Pelé, Maradona e qualquer outra estrela dos gramados… Enquanto aqui no Brasil ele é mais lembrado por suas baladas, farras e questões extracampo, que forçam o torcedor a acreditar que o jogador carrega o estigma do termo mercenário ao mais alto grau de prioridade.

Abaixo, deixo um vídeo que circulou na última terça-feira pelo YouTube e tomou uma boa proporção no Twitter e Facebook. Nele, Ronaldinho Gaúcho desembarca no México, juntamente com a delegação do Galo, para realizar os preparativos para o jogo contra o Tijuana, pela Libertadores. Notem o quão ídolo é “Dinho”, por lá:

[youtube id=”IoH-OOMuDv8″ width=”700″ height=”400″]

Foto: @ponchohidalgo no Twitter - Torcedores mexicanos se expremem pra ver treino do Galo com Ronaldinho presente

Foto: @ponchohidalgo no Twitter – Torcedores mexicanos se expremem pra ver treino do Galo com Ronaldinho presente

E isso não é exclusividade do México. A situação aconteceria em qualquer outro país do mundo. Quem não se lembra, no ano passado, quando Ronaldinho visitou a Índia para gravar cenas de um filme que o cinema bollywoodiano iria lançar do craque? A recepção foi igual ou maior do que a ocorrida no México nessa semana.

Foto: AFP - Ronaldinho sendo recepcionado na Índia

Foto: AFP – Ronaldinho sendo recepcionado na Índia

Outro exemplo que prova a idolatria a Ronaldinho, está presente claramente nos comentários dos vídeos feito pelo canal HeilRJ, nosso parceiro aqui no Doentes por Futebol. Faça o teste você mesmo. Abra qualquer um dos vídeos NESTE LINK e se aventure no campo de comentários. Perceba palavras elogiosas ao jogador em todas as línguas imagináveis e inimagináveis pelo mundo afora. Se você não quiser se dar ao trabalho de fazer isso, eu mesmo separei alguns e deixo aqui para a leitura dos entendidos:

Foto: Reprodução YouTube - Comentários gringos e elogiosos ao R10

Foto: Reprodução YouTube – Comentários gringos e elogiosos ao R10

Alguns comentários acima podem ser considerados exagerados. Mas isso pouco importa. É aqui que entra o Atlético-MG na jogada. Será que os dirigentes do clube não percebem o que o clube tem em mãos? Ao rejeitar a Nike e fechar com a Lupo, Kalil disse que a segunda opção lhe daria mais dinheiro e por isso a aceitou. Mas até que ponto, em longo prazo, a Nike não poderia facilitar os trâmites para o Galo, possivelmente, comercializar camisas em escala internacional? Imagine o quão interessante seria para o Atlético ter sua marca sendo divulgada pelo mundo afora com o nome do Ronaldinho nas costas? Até para os próprios patrocinadores seria interessante e, provavelmente, o Galo poderia barganhar uma cota maior na próxima renovação de patrocínio.

Em março, escrevi uma coluna AQUI mesmo no Doentes por Futebol mostrando que o Atlético peca no seu marketing. O motivo? Não existe nenhum departamento para o assunto dentro do clube. É nesse momento que a instituição, por fazer uma economia porca, acaba perdendo uma oportunidade gigantesca de ter um retorno enorme somente em cima do ícone que é “Dinho”.

O máximo que se vê em cima do nome de R10 em BH, se tratando de marketing, são camisetas de algodão comum e design barato em simples silk-screen na frente. Nada substancial e que gere um retorno grandioso ao clube. O Atlético precisa e deve pensar maior.

Foto: futebolmarketing.com.br - Camisetas "comuns" do R10 e que nada acrescentam aos cofres alvinegros

Foto: futebolmarketing.com.br – Camisetas “comuns” do R10 e que nada acrescentam aos cofres alvinegros

Nos tempos em que o mundo parou para ver David Beckham se aposentando do futebol, ainda jogando bem pelo PSG, e abdicando de seu salário, pois já tem um respaldo financeiro através do marketing, é hora do Alexandre Kalil deixar o orgulho de lado e começar e pensar em contratar alguém para tomar conta dessa área no Atlético. É dinheiro… Muito dinheiro, que poderia estar entrando nos cofres do Galo.

Enquanto isso, a Lupo não consegue suprir direito nem a demanda de camisas na loja oficial do clube.

Vai entender…

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Curte Campeonato Francês e é torcedor do Olympique LYONnais. Dono do único blog do Lyon no Brasil. Já foi colaborador do Jogo Aberto, blog do Lédio Carmona. Já foi colunista de futebol francês da extinta Revista Doentes por Futebol e do portal Os Geraldinos. Foi comentarista da Rádio Futebol Plus. Hoje em dia é editor chefe e sócio-fundador da Doentes Por Futebol. Participa do "Le podcast du Foot", podcast sobre futebol francês do colunista Bruno Pessa, do Portal IG. E é colaborador de futebol Francês no programa "[email protected]", da Rádio Globo SP.