Otilino Tenorio,”el Spiderman del gol”

  • por Gustavo Ribeiro
  • 8 Anos atrás
Foto: Reprodução - Otilino Tenorio

Foto: Reprodução – Otilino Tenorio

Nascido em 1980, em Guayaguil, Otelino George Tenorio Bastidas foi um dos jogadores mais queridos pelo povo equatoriano, não só pelos seus muitos gols, mas, também, por sua simpatia e humildade. Seu nome era Otelino, mas desde criança, em Guayaguil, era conhecido por seus colegas com Otilino, nome que ele adotou pelo resto de sua vida.

Otilino chegou ao Emelec aos nove anos, para jogar pelas categorias de base do clube, onde começou jogando de goleiro, mas viu que evitar gols não era muito a sua área. Passou, então, a atuar como atacante, despertando a atenção de todos.

Em 1998, Otilino estreou pelo time profissional e, mais tarde, foi artilheiro da Copa Merconorte, com sete gols, em 2001. Terminou conquistando o vice-campeonato, tornado-se, assim, o maior artilheiro do clube na competição, com 11 gols. Em 2001, teve uma rápida passagem pelo Santa Rita. No mesmo ano, voltou para o Emelec.

Mas o melhor estava por fim. Em 2001 e 2002, conquistou, por duas vezes, o título de Campeão Equatoriano. Em 2002, presenteou o filho com uma máscara e, para homenageá-lo em uma comemoração de gol, decidiu usá-la. Nunca mais parou. Com o passar dos anos, a máscara virou parte da identidade de Oti, que passou a ser chamado de ‘El Spiderman del Gol”.

Otilino era um jogador forte, que ganhava quase todas as disputas contra os zagueiros, seja pelo alto ou pelo chão. Dentro da área, costumava aproveitar a maioria das chances de gol que apareciam.

Em 2003, transferiu-se para o Al Nasr, da Arabia Saudita. Tenorio ficou no clube árabe até 2004, quando foi contratado pelo Nacional, do Equador. No começo, devido a uma grave lesão, não conseguiu render o esperado. Em 2005, se recuperou e voltou a apresentar o futebol que o fez destaque no Emelec.

Otilino já era ídolo no Emelec, mas “Los Eléctros” passaram a idolatrá-lo ainda mais em 2005, quando defendia o Nacional e iria enfrentar seu time do coração. Na ocasião, o Emelec lutava contra o rebaixamento e o Nacional teve um pênalti a seu favor. Tenorio pegou a bola de seu companheiro e decidiu bater. Mas o amor pelo Emelec falou mais alto e ele mandou a bola pra fora do gol, salvando seu ex-clube do rebaixamento. Depois da cobrança, “La Boca del Pozo”, torcida organizada do clube, começou a gritar “O-ti-lino O-ti-lino”. Nesse mesmo jogo, que foi o último de sua carreira, ainda foi expulso.

Seus últimos gols foram no dia 27 de Abril de 2005, no estádio Atahualpa, quando anotou três gols contra seu time do coração, o Emelec, sem comemorar com a máscara nenhum deles. Duas semanas depois, no dia 7 de Maio do mesmo ano, Otilino estava voltando da comemoração do dia das mães, quando sofreu um acidente de carro, batendo em uma carreta.

“Otigol” deixou muita saudade não só na torcida do Emelec, mas em todo o povo equatoriano. Na Copa do Mundo de 2006, disputada na Alemanha, o atacante Jaime Iván Kaviedes marcou um gol na partida contra a Costa Rica, e comemorou usando uma máscara, homenageando Otilino, “El Spiderman del Gol”.

Comentários

Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.