Parabéns, Raí – 49 anos do ex-jogador

  • por Bráulio Silva
  • 6 Anos atrás
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Raí em ação contra o Barcelona em 92. Meia fez os dois gols da vitória tricolor / Foto: Reprodução

Em 15 de maio de 1965, nascia o caçula da família Vieira de Oliveira. ‘Seo’ Raimundo e ‘Dona’ Guiomar estavam já no sexto filho, todos homens. Sóstenes, Sócrates, Sófocles, além de Raimar e Raimundo Filho.

Nascido em Ribeirão Preto, Raí, na infância, teve pouco contato com seu irmão famoso. Quando ele tinha quatro anos de idade, Sócrates já atuava no Botafogo de Ribeirão Preto. Depois viu o irmão atuar por Corinthians, Fiorentina, Flamengo e Santos.

Raí ingressou no Botafogo aos 15 anos. Mas só foi levar o futebol a sério depois que a namorada ficou grávida de sua filha mais velha.

Teve uma passagem meteórica pela Ponte Preta, regressou ao Botafogo, no qual fez um bom Campeonato Paulista, e despertou o interesse dos clubes da capital. Chegou a ter negociações com o Corinthians, mas desembarcou no Morumbi logo após participar da Copa América de 87, na qual a Seleção Brasileira teve péssima campanha.

O começo de sua passagem pelo tricolor foi marcado pela desconfiança. Raí pouco se firmava entre os titulares e ainda tinha toda a cobrança sobre ele pela importância de seu irmão para o futebol brasileiro.

Raí comemorando um de seus gols pelo São Paulo / Foto: Reprodução

Raí comemorando um de seus gols pelo São Paulo / Foto: Reprodução



O Sucesso no São Paulo

Mas tudo mudou com a chegada de Telê Santana ao Morumbi. Raí passou a ser escalado mais à frente e começou a fazer gols em profusão. Inclusive conquistou a artilharia do Paulistão de 91. Entre 91 e 93, Raí conquistou com o São Paulo tudo o que tinha direito. Foi bicampeão Paulista (91-92), bicampeão da Libertadores (91-92), campeão brasileiro (91) e campeão mundial (92). Sempre como destaque da equipe. O jogador, então, foi elevado ao patamar de um dos maiores ídolos do São Paulo FC.

Seleção Brasileira

Raí foi o principal jogador da seleção Brasileira na campanha das Eliminatórias para a Copa de 94, em que começou como capitão. Na parte final da competição, foi substituído por Mazinho. Na Copa, fez um gol de pênalti diante da Rússia, na vitória por 2×0. Ficou 3 anos e meio sem ser convocado e voltou para dois amistosos antes da Copa da França, país em que era ídolo pela excelente passagem pelo PSG. Na vitória sobre a Alemanha, Raí nem chegou a entrar em campo. Na derrota diante da Argentina com o Maracanã lotado, Raí sofreu uma das maiores vaias de sua carreira. Com o coro da torcida “Raí, pede pra sair”, o meia nunca mais foi convocado.

PSG

Raí ficou durante cinco temporadas no PSG. É idolatrado em Paris até hoje / Foto: Reprodução

Raí ficou durante cinco temporadas no PSG. É idolatrado em Paris até hoje / Foto: Reprodução


Raí chegou ao Paris Saint German como um dos maiores talentos sul-americanos dos anos 90. Sua adaptação não foi fácil. Em 94, teve uma queda de produção e ficou no banco de reservas da equipe. Após a Copa, seu desempenho melhorou e firmou-se como um grande jogador do clube parisiense, no qual teve importância fundamental no principal título da história do clube, a Recopa Europeia de 96 até então.

Retorno ao São Paulo

Após a saída de Raí, o São Paulo só havia conquistado o Mundial de 93. A torcida já estava com saudades de uma conquista. Em janeiro de 98, o tricolor anunciou o acerto com o PSG para o retorno de Raí no meio do ano. Em comemoração, foi disputado um amistoso com jogadores do Santos e do Flamengo, que o São Paulo venceu por 2×0. Raí voltou para a França, foi campeão da Copa da França e desembarcou em definitivo no Morumbi após a derrota para o Corinthians no primeiro jogo da final do Paulistão.

O atleta, que se notabilizou com a camisa 10 do São Paulo, foi inscrito para o segundo jogo da final com a camisa 23, substituindo Belletti, que estava contundido. Ao lado de França e Denílson, fez uma partida espetacular logo em sua reestreia. Anotou o gol que abriu o placar do jogo com uma cabeçada e no segundo tempo tabelou com França no lance que resultou no segundo gol do tricolor. Era a quarta vez que Raí conquistava o Estadual.

Logo no primeiro jogo, gol e título / Foto: Reprodução

Logo no primeiro jogo, gol e título / Foto: Reprodução


Ainda em 98, Raí viveu a pior contusão de sua carreira. Na derrota para o Cruzeiro, no dia 9 de agosto, numa dividida com Wilson Gottardo, o meia rompeu os ligamentos do joelho. Durante a recuperação, descobriu que seria avô e começou a planejar a aposentadoria, ainda que precoce. Em 99, voltou ao time aos poucos. Reencontrou-se com o bom futebol no segundo semestre, que ficou marcado pelo dia em que teve dois pênaltis defendidos por Dida.

Em 2000, era titular absoluto no time de Levir Culpi. Foi o maestro da equipe que conquistou o Paulistão e foi vice da Copa do Brasil. Durante a Copa dos Campeões, anunciou que se aposentaria ao final da competição. O São Paulo foi eliminado pelo Sport nas semifinais e esse foi o último jogo do ídolo como profissional.

Gols em finais

Raí ficou notabilizado por fazer gols em partidas decisivas. Com a camisa do time do Morumbi, foram diversos gols em finais. Confira a lista:

Raí socando o ar: Imagem comum em sua passagem pelo São Paulo / Foto: Reprodução

Raí socando o ar: Imagem comum em sua passagem pelo São Paulo / Foto: Reprodução


* Paulistão de 91 – São Paulo 3×0 Corinthians, 3 gols de Raí.
* Libertadores de 92 – São Paulo 1×0 Newell’s Old Boys (ARG), 1 gol de Raí
* Paulistão de 92 – São Paulo 4×2 Palmeiras, 3 gols de Raí
* Mundial de Clubes 92 – São Paulo 2×1 Barcelona, 2 gols de Raí
* Libertadores de 93 – São Paulo 5×1 Universidad Católica (CHI), 1 gol de Raí.
* Paulistão de 98 – São Paulo 3×1 Corinthians, 1 gol de Raí

Outras atuações ainda estão na retina dos mais fanáticos torcedores. Dentre elas podemos destacar:

São Paulo 6×0 Noroeste, Paulistão de 92. Raí anotou cinco gols e sofreu o pênalti do sexto gol, marcado por Muller
São Paulo 6×1 Santos, Paulistão de 93. Era a despedida de Raí antes de ele ir para o PSG. Ele deu três assistências, cobrou a falta que resultou no gol de Pintado e ainda fechou o placar com um belo gol.
São Paulo 3×2 Palmeiras, Copa do Brasil de 2000. No Parque Antártica, Raí anotaria o seu último gol na carreira. Ironicamente foi um gol de letra, nome do projeto que ele mantém para a população carente em parceria com o meia Leonardo.

Em 2000 Raí aposentou-se dos gramados ainda praticando um futebol em alto nível / Foto: Reprodução

Em 2000 Raí aposentou-se dos gramados ainda praticando um futebol em alto nível / Foto: Reprodução


O DPF deseja toda a felicidade do mundo ao ex-jogador que começou a carreira como o irmão do Sócrates e que terminou como um dos maiores ídolos da história do São Paulo FC.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.