Por onde anda Abuda, revelação do Corinthians?

  • por Saimon
  • 8 Anos atrás

30 de agosto de 2003. Bruno; Léo Matos, João Guilherme, Leonardo e Sandro; Júnior, Arouca, Jonathan e Éderson; Roncatto e Abuda. Comandada por Marcos Paquetá, essa foi a seleção brasileira sub-17 que venceu o Mundial da categoria, em cima da Espanha de Fábregas e David Silva. Podemos dizer que vingaram Arouca, hoje no Santos, Éderson, atualmente na Lazio, e Jonathan, lateral da Internazionale. Mas quem despontava para brilhar era Abuda, até então jogador do Corinthians. Neste Mundial, foram quatro gols, sendo dois deles na semifinal diante da Colômbia. Passou em branco na final, mas comemorou o título graças ao gol do zagueiro Leonardo.

Em 2004, Abuda foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, diante do São Paulo. A geração, que revelou jogadores como Jô, Bobô, Nilton e Rosinei, venceu o São Paulo de Diego Tardelli e Edcarlos na final. Abuda marcou cinco gols no torneio, mas ficou marcado pela expulsão na decisão, após, já no banco de reservas, ter feito gestos obscenos para a torcida do São Paulo no fim do jogo. Esse foi o primeiro ato de indisciplina do jogador, que chegou a ser afastado e multado pelo clube.

Foto: Reprodução - No início da carreira, Abuda despontava como grande jogador.

Foto: Reprodução – No início da carreira, Abuda despontava como grande jogador.

Ainda em 2004, Abuda teve uma passagem de 15 dias pelo Chelsea, em Londres. O contato foi feito através de Wagner Ribeiro, que levou o jovem atacante para treinar no time inglês. Abuda conta que treinou com Terry, Lampard e outros jogadores, e que se adaptou bem ao frio inglês, mas não sabe o motivo de não ter sido contratado.

De volta ao clube que o revelou, Abuda recebeu algumas chances, mas não vingou. Após ser afastado do elenco em 2005, treinando com os jogadores reservas, assinou por três anos com o Wolfsburg, da Alemanha. A passagem foi meteórica, com apenas nove minutos em campo, num empate contra o Arminia Bielefeld. Abuda credita a péssima passagem pelo futebol alemão ao ex-técnico Klaus Aughentaler. Segundo o jogador, Klaus teria problemas com jogadores sul-americanos, perseguindo assim Abuda e também Andrés D’Alessandro, hoje no Internacional. No fim da temporada, com apenas uma partida jogada, o centroavante foi emprestado para o Germinal Beerschot, da Bélgica. Também fracassou, encerrando sua primeira passagem pela Europa.

Foto: Reprodução - Jovem, atacante sofreu preconceito e não decolou.

Foto: Reprodução – Jovem, atacante sofreu preconceito e não decolou.

Ainda com um ano de contrato para cumprir, Abuda abriu mão e rescindiu para jogar no Vasco, em 2007. Pelo clube da Colina, fez dez jogos e apenas um gol, na estreia como titular, diante do Atlético Paranaense, na Copa Sul-Americana daquele ano. Problemas com Eurico Miranda o tiraram do clube, pois o ex-presidente, segundo Abuda, estava forçando a escalação de Alan Kardec entre os titulares. E ali encerrou sua passagem por times grandes. Desde então, foram doze clubes diferentes nos últimos seis anos, até chegar ao seu novo destino: o Roma de Apucarana.

Contrato com o Avaí e empréstimos

Em maio de 2008, um contrato de dois anos com o Avaí foi firmado. Foram diversas chances e poucos gols, apesar de ter sido útil na campanha do acesso para a Série A do Campeonato Brasileiro. Acumulou também empréstimos por Paraná, Marília e Brasiliense durante o tempo de contrato com o clube catarinense.

Foto: Reprodução - Pelo Tours, Abuda ficou treinando, mas sem jogar.

Foto: Reprodução – Pelo Tours, Abuda ficou treinando, mas sem jogar.

Volta à Europa e parada na Ásia

Mais maduro, Abuda retornou ao futebol europeu na temporada 2009/10, quando assinou pelo modesto FC Tours, da segunda divisão francesa. Apesar da experiência na Alemanha, Abuda não convenceu os franceses e sequer atuou pelo clube. Passou a temporada inteira sem ser relacionado, aparecendo apenas na última rodada. Ainda assim não entrou em campo, encerrando o vínculo sem jogar. No segundo semestre de 2010, chegou a atuar pelo Dibba Al-Hisn, clube dos Emirados Árabes Unidos. Passagem rápida e sem sucesso.

Retorno ao futebol local

Maranhense, Abuda enfim recebeu a chance de atuar em sua terra natal. Foi anunciado como reforço do Sampaio Corrêa para a disputa do estadual de 2011. Esperança dos torcedores, Abuda não correspondeu em campo. Com a troca de técnico, acabou dispensado. Seguiu tentando a sorte no Maranhão, jogando pelo Moto Club ao lado de Kléber Pereira, mas não obteve o sucesso que esperava.

2012 para esquecer

Foi um ano difícil para o atacante. Após começar desempregado, conseguiu um acerto com o Oeste, de Itápolis, para a disputa do Paulistão. Contratado na segunda parte da primeira fase, devido à má forma física, só estreou nas últimas partidas. Sem destaque, não conseguiu a renovação para a Série D. Rumou então para outro continente. O destino foi o FC Gifu, que acabara de cair para a terceira divisão japonesa. A Liga também contava com Kerlon, ex-Cruzeiro. Abuda não conseguiu seguir os passos do Foquinha, que teve certo sucesso por lá. Despercebido, foi dispensado mais uma vez na carreira. Ao fim de 2012, acertou com o Icasa para jogar o Cearense.

Foto: Reprodução - Novo desafio é o Roma de Apucarana, no Paraná.

Foto: Reprodução – Novo desafio é o Roma de Apucarana, no Paraná.

Recomeço no Paraná

Para a segunda metade de 2013, Abuda aceitou o desafio e irá defender o Roma de Apucarana na segunda divisão do Campeonato Paranaense. O torneio começa no próximo fim de semana. O atacante é o principal reforço do time, além de ser um dos jogadores mais conhecidos no certame. O Roma também trouxe André Neles “Balada”, ex-jogador de Palmeiras e Benfica.

Com 27 anos e 17 clubes na carreira, é o momento mais preocupante da carreira do jogador. As chances nas equipes grandes não aparecem há anos, assim como os contratos no exterior. Se fracassar no Roma, Abuda poderá ter sua vida como jogador de futebol acabada antes dos trinta anos, obrigando-o a seguir no mesmo caminho de outros, que se aposentaram precocemente por falta de contatos, como Victor Boleta, ex-lateral do Vasco.

Comentários

Palmeirense, 23 anos. Acompanha futebol em qualquer canto. Fã da ótima geração belga.