Porto x Benfica, o clássico do título

  • por Levy Guimarães
  • 8 Anos atrás
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Foto: reprodução – James Rodriguez (Porto) e Oscar Cardozo (Benfica).

A três rodadas do final, o Campeonato Português parecia praticamente decidido. Com quatro pontos de vantagem em relação ao Porto, o líder Benfica caminhava a todo vapor rumo ao 33º título nacional, vindo de nove vitórias consecutivas e atuações convincentes. O clássico entre os líderes que estava por vir, na penúltima rodada, não parecia tão decisivo assim na disputa pela taça.

Entretanto, um tropeço inesperado do Benfica no jogo antecedente – empate em 1×1 em casa contra o Estoril – mudou a tônica do clássico. Agora, a diferença caiu para dois pontos, e o jogo entre os dois maiores clubes portugueses, a ser realizado no Estádio do Dragão, vem sendo encarado como uma verdadeira final. A conta é simples: se o Benfica ganhar, comemorará o título na casa do rival. Se o Porto vencer, assumirá a liderança e ficará a um passo do tricampeonato. Caso o jogo termine empatado, a definição irá para a última rodada. Eram os ingredientes que faltavam para o jogo pegar fogo no Dragão e se tornar o Porto x Benfica mais importante dos últimos anos.

As campanhas são quase idênticas. Com 28 rodadas disputadas, ambos estão invictos e separados por um único tropeço: são 23 vitórias e 5 empates dos Encarnados e 22 vitórias e 6 empates do Dragão. Enquanto o Benfica tem o melhor ataque, com 73 gols marcados contra 66 do Porto, o vice-líder leva vantagem na defesa, vazada apenas 13 vezes (quatro a menos que a dos lisboetas). A discrepância em relação às demais equipes também chama atenção: são 19 pontos de vantagem para o 3º colocado, o Paços de Ferreira.

Um outro ingrediente vem colocando um tempero extra na decisão. A troca de provocações entre os técnicos Vítor Pereira, do Porto, e Jorge Jesus, do Benfica, já virou rotina na imprensa, sobretudo as do comandante portista. O ápice foi há uma semana, quando afirmou que “esperava um campeonato limpinho, limpinho, limpinho, mas que passou a sujinho, sujinho, sujinho”, referindo-se aos supostos erros de arbitragens no derby entre Benfica e Sporting. A arbitragem, aliás, é o assunto mais abordado pelos técnicos portugueses. É difícil ver um deslize dos grandes times em que seus respectivos técnicos não atribuam parte da responsabilidade aos árbitros.

Foto: ASF - Treinador do Porto sempre polêmico nas conferências de imprensa

Foto: ASF – Treinador do Porto sempre polêmico nas conferências de imprensa

Arbitragem também foi lembrada nesta semana. Pedro Proença, que apitou a final da última Liga dos Campeões e da Euro 2012, foi escolhido para o clássico, o que gerou revolta entre os benfiquistas. Isso porque, de quatro clássicos sob o comando de Proença, em dois o Benfica saiu com intensas reclamações: no empate por 1×1, em 2009, em que um pênalti teria deixado de ser assinalado a favor das Águias, e na vitória do Porto na Luz por 3×2, na temporada passada, com o zagueiro Maicon marcando o gol da vitória portista em posição irregular.

O que esperar do clássico dentro de campo

Deixando de lado fatores extracampo, hora de focar nas quatro linhas. Sempre que joga no seu estádio, o Porto procura, desde o primeiro minuto de jogo, sufocar o adversário. Comprime as linhas, toma posse do campo rival, avança os laterais e controla a bola com paciência e, ao mesmo tempo, de forma vertical, procurando principalmente os colombianos James Rodríguez e Jackson Martínez, estrelas do time.

Foto: reprodução - as chances de vitória do Porto passam diretamente pelas atuações de James e Jackson

Foto: reprodução – as chances de vitória do Porto passam diretamente pelas atuações de James e Jackson

Contra o Benfica, evidentemente, não será diferente. Os anfitriões procurarão explorar o ponto fraco da defesa encarnada, que são os laterais Maxi Pereira e Melgarejo, bons no apoio, porém fracos na marcação. É aí que entram, além de James, o atacante Varela e os laterais brasileiros Danilo, pela direita, e Alex Sandro, pela esquerda. Varela e Danilo devem jogar em cima de Melgarejo e explorar as costas do paraguaio nos casos de contra-ataque, ao passo que James e Alex Sandro repetirão a dose no outro lado (o colombiano deve flutuar mais, centralizando o jogo em várias ocasiões e infiltrando na área). Enquanto isso, a trinca formada por Fernando, João Moutinho e Lucho Gonzalez tratará de ocupar a faixa central, distribuindo o jogo e mantendo os donos da casa com o controle sobre meio de campo. Tudo para deixar Jackson em plenas condições de repetir o que já fez 25 vezes no campeonato: marcar gols.

Para evitar o controle da partida por parte do rival, o Benfica não poderá utilizar a sua tática habitual, um 4-4-2 bastante ofensivo com apenas um jogador de marcação no meio, deixando a defesa desguarnecida e dando espaços para o outro time tocar a bola. É provável que Jorge Jesus adote um 4-2-3-1, recuando Enzo Pérez à condição de volante e escalando Ola John no lugar de Lima ou Cardozo. Assim, tem uma formação mais consistente, que dá maior proteção à zaga, sem tirar o poderio ofensivo, característica marcante da equipe

Dessa forma, os Encarnados apostarão na qualidade e na velocidade do competente quarteto formado por Ola John pela esquerda, Gaitán como armador, Salvio pela direita e Cardozo ou Lima centralizados na frente. Contam, ainda, com uma saída de bola de qualidade com Matic e Enzo Pérez, ambos bons no passe e peças importantes para ligar os contra-ataques e lançar os homens de frente.

Mas se engana quem pensa que o Benfica vai ao Dragão para se defender. O motivo está na característica primária de seu treinador: a ofensividade. É difícil ver o time entrar recuado, cauteloso, mesmo atuando fora de casa. E, quando o faz, costuma ter dificuldades, pois não é do feitio de Jesus armar retrancas bem fechadas. É claro que, pela qualidade do adversário, haverá mais cautela. Mas a expectativa é de um jogo franco, aberto, com os dois times procurando a vitória. Vence quem aproveitar melhor as chances ao longo do duelo.

Foto: reprodução - Jorge Jesus, sempre buscando jogar para frete

Foto: reprodução – Jorge Jesus, sempre buscando jogar para frente

Motivos para se acreditar em uma vitória do Porto

1 – O retrospecto: no passado recente, o Porto tem larga vantagem no confronto direto com o arquirrival, principalmente se contarmos apenas os jogos pelo Campeonato. Nos últimos 15 anos, foram 16 vitórias dos azuis, contra apenas 6 do Benfica e 9 empates. Jogando no Estádio do Dragão, são 6 triunfos dos anfitriões, 3 empates e apenas uma vitória benfiquista, conquistada há quase 8 anos. Com Jorge Jesus no comando, o Benfica perdeu duas vezes e empatou uma. Se depender do histórico de confrontos, vai ser difícil a vitória escapar do Porto, que já se acostumou a ter amplo domínio sobre o rival em seu território.

2 – A força do Estádio do Dragão: não é só contra o Benfica que o Porto se impõe em casa. O time não perde em seus domínios pelo campeonato há incríveis 72 jogos. A última vez foi em outubro de 2008. Desde então, foram inúmeras goleadas e vitórias expressivas, inclusive contra o Benfica, como o 5×0 aplicado na temporada 2010/2011. Não vai ser uma tarefa nada fácil para os Encarnados quebrar essa invencibilidade.

Foto: reprodução - o fator casa é um dos grandes trunfos do Porto no confronto

Foto: reprodução – o fator casa é um dos grandes trunfos do Porto no confronto

3 – Menor desgaste físico e psicológico: desde a eliminação nas oitavas de final da Liga dos Campeões, em março, o Porto concentra suas atenções unicamente no Campeonato Português. Não é o caso do Benfica, que ainda atua em mais duas frentes: é finalista da Liga Europa e da Taça de Portugal e, consequentemente, vem com uma carga de jogos muito maior nesse semestre. Num jogo tão brigado e intenso como o de hoje, isso pode fazer diferença no final.

Motivos para se acreditar em uma vitória do Benfica

1 – Melhor futebol apresentado: ao longo de quase toda a competição, o Benfica apresentou um futebol mais atraente e convincente que o rival. Pode-se dizer que foi uma equipe mais regular, enquanto o Porto teve momentos de oscilação, sobretudo no mês de março. Além disso, o Benfica é menos dependente de talentos individuais. Pode não ter um jogador com a mesma capacidade decisiva de James Rodríguez, mas possui mais alternativas caso uma ou outra peça do time não funcione. Já o Porto sente muito quando seus colombianos não estão em um bom dia, enquanto o Benfica se baseia mais na coletividade.

2 – Tropeços antes das decisões em anos de título: essa não é a primeira vez que o Benfica falha antes de chegar ao jogo decisivo pelo campeonato. Nas duas últimas conquistas antes da chegada de Jorge Jesus, o time também tropeçou antes do jogo do título. Em 1993/1994, empatou com o Estrela da Amadora antes de derrotar o Sporting no derby decisivo, e em 2004/2005, perdeu para o Penafiel antes de também vencer o jogo-chave contra Sporting, que daria o troféu aos benfiquistas. 

3 – Bom retrospecto fora de casa na temporada: o Benfica tem conseguido se impor na grande maioria das vezes em que jogou fora de casa na atual temporada. Contando Campeonato Português, Liga dos Campeões, Liga Europa e copas nacionais, foram apenas duas derrotas: para o Spartak Moscou, pela Champions League, em outubro do ano passado, e para o Fenerbahce, pelas quartas-de-final da Liga Europa, em um gol surgido de uma marcação equivocada da arbitragem. Conseguiu sucessos importantes como contra o Bayer Leverkusen e no derby contra o Sporting, por 3×1 (o Porto saiu de Lisboa apenas com um empate), além de ter empatado com o Barcelona no Camp Nou por 0x0 após dominar boa parte do embate. Pelo campeonato, são 12 vitórias e um empate fora de casa, aproveitamento idêntico ao do Porto jogando no Dragão.

Foto: Jornal Record - Lima, uma das armas letais do Benfica. Em 3 partidas contra o Porto,  o brasileiro marcou 4 gols

Foto: Jornal Record – Lima, uma das armas letais do Benfica. Em 3 partidas contra o Porto, o brasileiro marcou 4 gols

FICHA DO JOGO

Data: 11/05/2013, sábado
Horário: 16h30 (horário de Brasília)
Transmissão: SporTV, Bandsports, Terra (internet) e Watch ESPN (internet).

Prováveis escalações:
PORTO: Hélton, Danilo, Otamendi, Mangala e Alex Sandro; Fernando, João Moutinho e Lucho González; James Rodríguez, Jackson Martínez e Varela. Técnico: Vítor Pereira 

BENFICA: Artur, Maxi Pereira, Luisão, Garay e Melgarejo (André Almeida); Matic, Enzo Pérez, Gaitán, Ola John e Salvio; Lima (Cardozo). Técnico: Jorge Jesus.

Árbitro: Pedro Proença

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.