Pra quem você vai torcer?

  • por Tiago Lima Domingos
  • 8 Anos atrás
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Foto: Reprodução – 25 de maio de 2013 – A grande final

O sábado 25 de maio de 2013 já está reservado no meu calendário. E, se eu fosse você, faria o mesmo. Pra quem (ainda) não sabe, é na citada data que Bayern de Munique e Borussia Dortmund se enfrentarão no novo Wembley, em Londres, pela grande final da Liga dos Campeões 2012-2013. E a dúvida que pairou na minha cabeça após a classificação das duas equipes alemãs para a final foi a seguinte: para quem torcer? Não sou torcedor de nenhum dos dois e não tenho forte simpatia histórica com os clubes. Mas quem gosta de futebol, ao assistir a uma partida, sempre acaba escolhendo um para torcer ou para secar, não é verdade? Confesso que ainda estou em cima do muro, e talvez, ao final do texto, contando relatos dos dois times, eu tome minha decisão e escolha meu favorito para a grande final alemã.

Comecemos então falando do Borussia Dortmund e como não admirar um clube que, nas duas últimas temporadas, conquistou o bicampeonato alemão passando por cima do poderoso Bayern de Munique fazendo-o de gato e sapato nos confrontos diretos. Como não admirar um clube com a torcida apaixonada que tem o Borussia e sua maravihosa ‘Muralha Amarela’. E o que falar de um time que joga bonito, intensamente para frente, formado com 40 milhões de euros, em um futebol dominado por sheiks e bilionários com dinheiro de origem duvidosa. Quem não admira o trabalho de Jürgen Klopp (o melhor treinador do mundo na atualidade), que fez o Dortmund voltar aos seus tempos de glória e reinventou um time que parecia se desfazer quando Kagawa resolveu partir rumo a Manchester. Por fim, como não admirar Reus, Götze, Lewandowski, Hummels e outros jovens talentosos que fizeram o Borussia grande novamente chegando a uma final de Champions League batendo na campanha os últimos campeões da Holanda, Inglaterra, Espanha e Ucrânia. É, Dortmund, difícil não escolher você. Mas falemos do outro lado, para sermos justos.

Martin Meissner AP

Foto: Martin Meissner / AP – Como não admirar o clube da lindíssima ‘Muralha Amarela’

Sem coitadismos, porque um gigante como o Bayern não precisa disso. Mas será que esse Bayern que começou a ser montado com Louis van Gaal em 2009 já não merece a ‘orelhuda’ após chegar à sua terceira final nos últimos quatro anos? Feito que nem o Barcelona de Pep Guardiola conseguiu, diga-se. Torci pelo Bayern na última final contra o Chelsea e confesso que não queria me sentir na pele de um torcedor dos bávaros. Perder o título dentro de casa, levando o gol de empate aos 43 minutos do segundo tempo, não é fácil. Pior ainda quando Robben teve chance de decidir o confronto na prorrogação e perdeu o pênalti decisivo. Mas não parou por aí: a “facada final” veio na disputa de pênaltis. Schweinsteiger perdeu a 5ª penalidade e viu Drogba garantir o título do clube londrino. Desolado, Bastian (formado no clube) chorou copiosamente no centro do gramado e na entrega das medalhas para o vice-campeão. Uma cena marcante demais. Veja no vídeo abaixo:

O Bayern parece ter superado e bem o drama da última temporada. Tornou-se o melhor time do mundo, mais sólido, mais forte, mais devastador. O agregado de 7×0 sobre o Barcelona é uma mostra clara do que se tornou o time alemão. Campeão alemão com seis rodadas de antecedência com goleadas em cima de goleadas e recordes batidos em cima de recordes. Finalista da Champions League e da Copa da Alemanha, com tudo para conquistar a sonhada tríplice coroa. Um time de que gostava antes que e passei a admirar ainda mais.

Por fim, no comando de tudo isso, está o grandíssimo Jupp Heynckes. Um senhor de 67 anos, de carreira (como jogador e treinador) impecável e reputação que não se deixa por em dúvida. Heynckes, que demonstra pra treinadores brasileiros que idade não importa e que o sucesso de hoje é trabalho de sua busca e procura em se atualizar ao futebol moderno. Tanta busca, estudo, que chegou a se irritar quando foi perguntado se iria pedir informações a seu sucessor, Pep Guardiola, sobre a forma de jogar do Barcelona. Heynckes não precisa disso, ele conhece como jogaria seu adversário. Uma lição e um exemplo a Felipão (e outros treinadores brasileiros), que hoje comanda a Seleção Brasileira e que parou no tempo. Acha que, para ser vencedor precisamos de volantes brucutus. Enquanto isso, o Bayern se torna o melhor time do mundo com Javi Martínez e Schweinsteiger marcando e atacando com muita qualidade. A imprensa quis aposentar o treinador, que ainda não decidiu se para ou não. Guardiola pegará um time pronto em mãos e terá que repetir o que fez no Barcelona para chegar aos pés de seu antecessor.

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Foto: Jonas Guettler/EFE – Jupp Heynckes pode se despedir do futebol com o título da Champions e uma hipotética tríplice coroa. Nada mais justo para esse grande homem

Desculpe-me, Dortmund, mas por Jupp Heynckes e por “justiça” eu escolhi “meu time” na final: o Bayern de Munique.

 

 

 

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Carioca e rubro-negro. Do Rio de Janeiro a Milão. Doente por futebol, é claro. E apaixonado pelo Calcio.