Real Garcilaso: o novato em busca da glória

  • por Doentes por Futebol
  • 7 Anos atrás

Toda competição está propensa a surpresas. Grades equipes acabam perdendo para agremiações de menor expressão e nem sempre a tradição é o preponderante na decisão de partidas. A Copa Libertadores não fica à margem deste contexto. Este ano, quem chama a atenção é o modesto Real Garcilaso, que tem apenas três anos de fundação e já figura no torneio mais importante do continente.

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Por Diogo Henrique Silva

O clube surgiu nas entranhas da Universidade Inca Garcilaso de la Veja, em meio aos Andes, mais precisamente na cidade de Cuzco, no Peru, a 3.400 metros de altitude. Criado por alunos da instituição, o Real logo conseguiu destaque na cena nacional atuando, desde o ano passado, no Torneio Descentralizado, a primeira divisão do país. Com um belo desempenho, o clube conquistou vice-campeonato na edição do nacional de 2012 e garantiu vaga na Libertadores graças ao futebol apresentado pelos experientes jogadores que compõem o elenco. A maioria dos atletas já teve sucesso em outras agremiações do país, como o lateral-direito Herrera, que foi campeão pelo Juan Aurich, e o técnico Freddy Garcia, que foi vitorioso treinando o Cobresol.

Na primeira fase da Libertadores, o Real Garcilaso classificou-se em segundo lugar do grupo seis. Teve como adversários o Santa Fé, da Colômbia, o Cerro Porteño, do Paraguai, e o também colombiano Tolima. Somou dez pontos e, devido aos bons resultados, sagrou-se melhor segundo colocado entre todos os clubes desta etapa. Como consequência, enfrenta o pior primeiro lugar da fase inicial, no caso, o Nacional do Uruguai. Detalhe: o time de Cuzco teve a mesma pontuação da equipe de Montevidéu. Pelas oitavas de final, o primeiro embate foi no Peru, no estádio Inca Garcilaso de la Veja, e o Real derrotou o Nacional por 1×0. Agora, os peruanos seguem para o estádio Centenário com vantagem.

Caso precisem de uma motivação a mais, os jogadores e torcedores do Real Garcilaso podem tomar como exemplo a campanha de clubes novos que, com poucos anos de existência, surpreenderam a América. Além disso, La Maquina Celeste tem a oportunidade de estabelecer um recorde como o clube mais novo a conquistar o continente. O feito pertence ao Atlético Nacional da Colômbia que, na época com 42 anos, sagrou-se campeão da edição de 1989 ao bater o Olímpia. Mas antes, em 1981, um até então inexperiente time em competições internacionais teve a chance de estabelecer um feito que, com certeza, perduraria por várias décadas: o Cobreloa do Chile, criado em 1977 com o nome de Deportes Amador Loa, foi a agremiação mais nova a chegar a uma final do mais importante torneio sulamericano. Com quatro anos de existência, o Cobreloa não resistiu ao Flamengo de Zico e acabou sendo vice-campeão. Inspirado pela edição anterior, o time conseguiu disputar a Libertadores em 1982 e, mais uma vez, chegou à final. Mas a frustração se repetiu na derrota na decisão para o Peñarol. Outro clube jovem que demonstrou força foi o São Caetano que, com apenas 13 anos, chegou a uma final da Copa em 2002, sendo superado pelo Olímpia.

Nesta quinta, às 21h15, o Real Garcilaso tem a chance de manter vivo o sonho de dominar o continente. Para isto, basta empatar com o Nacional na capital uruguaia. Avançando para as quartas, o time peruano enfrentará o Grêmio ou o Santa Fé da Colômbia. Caso seja campeão, será o primeiro time peruano a ganhar a Copa. A zebra pode estar solta e disposta a provar que nem sempre camisa e tradição são suficientes para a vitória.

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