Ricos, pobres e suas valiosas rivalidades

  • por Lucas Sartorelli
  • 5 Anos atrás

Foto: Reprodução

Independente da grandeza, força financeira e títulos conquistados dos lados envolvidos, podemos afirmar quase de forma categórica que as maiores rivalidades do futebol se encontram nos centros regionais, alimentadas e enriquecidas por rixas e acontecimentos históricos, tornando-as um campeonato à parte, disputas que só quem está envolvido sabe o que representam.

Porém, muitos desses clássicos, por diversos motivos, ao longo do tempo assumiram contornos de pobres contra ricos que ainda hoje perduram, porém, sem perder a verdadeira essência da rivalidade, principalmente entre os torcedores.

Listamos alguns exemplos:

   Barcelona x Espanyol

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Todos sabemos que Barcelona x Real Madrid, com seus craques e cifras milionárias, há alguns anos figura como o clássico mais importante do mundo entre clubes. No entanto, nenhum torcedor catalão despreza o duelo contra o Espanyol, por um simples motivo: nessa partida, a rivalidade está bem mais próxima, dentro da cidade de Barcelona. Os dois clubes mais importantes da cidade duelam há mais de 100 anos, com clara vantagem nos confrontos para o time de Lionel Messi, que ultrapassou os limites da cidade e se tornou um dos times mais importantes e vencedores do planeta. Enquanto isso, o Espanyol não conseguiu dar passos tão grandes, limitando-se a roubar pontos do rival no Campeonato Espanhol e, por vezes, a lutar para permanecer na elite espanhola.

 Porto x Belenenses

Conhecido com o “Clássico Azul” de Lisboa, Porto x Belenenses desperta rivalidades remotas e históricas, principalmente por se tratar de um confronto que se realizou diversas vezes na longa jornada do futebol português. Considerado o terceiro maior clube da capital e tendo a quarta maior média de público no país, o Belenenses viveu seu apogeu na década de 40, onde conquistou o primeiro e único título português de sua história. Retornando à elite em 2013 após passar três anos na segunda divisão, a situação dos pequenos azuis contrasta de forma gritante com o Porto, detentor de 26 títulos nacionais e renome mundial.

Bayern Munique x TSV Munique 1860

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O Derby de Munique, ou Münchner Stadtderby, leva a campo os dois clubes que tornam o jogo um dos clássicos mais significativos por parte dos torcedores de Munique. A história do tradicional confronto começou em 1902 e atravessou décadas, marcando jogos inesquecíveis em uma época distante, muito antes de os bávaros se tornarem o clube mais bem sucedido da Alemanha. Ambos possuiam 50% dos direitos da Allianz Arena, inaugurada em 2005. Porém, no ano seguinte à construção do estádio, o 1860 precisava de dinheiro para sanar dívidas e vendeu sua parte ao arquirrival pela simbólica quantia de 11 milhões de euros, podendo comprar sua parte de volta pelo mesmo valor, quando quiser. Em 2011,o 1860 quase decretou falência e precisava de 8 milhões de euros para sobreviver. O Bayern se ofereceu para emprestar o valor, mas a fúria e desaprovação de ambas as torcidas impediram a nova transação. Apesar das diferenças, a força do clássico se mantém.

Hertha Berlin x Union Berlin

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O primeiro clássico da história entre Hertha Berlin e Union Berlin ocorreu somente em 2010. Apesar disso, podemos afirmar que ambos compartilham uma rivalidade já tradicional na famosa cidade alemã. O Hertha, vencedor de dois títulos alemães, apareceu com evidência na última década, acumulando ótimas campanhas no campeonato nacional e com destaque para jogadores brasileiros como Marcelinho Paraiba e Alex Alves. Do outro lado, o Union, detentor de um título alemão e que, após a reunificação da Alemanha, ocorrida em 1990, se viu por diversas vezes afundado em dívidas, fator que levou sua apaixonada torcida a contribuir financeiramente para custear a reforma de seu estádio em 2011. Apesar do fato de ambos estarem atualmente na segunda divisão nacional, recentemente disputaram o clássico no famoso Olympiastadion com público de 74 mil pessoas, uma façanha.

Valência x Levante

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As duas maiores equipes de Valência produzem uma rivalidade que vem crescendo nos últimos anos, graças aos recentes investimentos do Levante. Embora o Valencia seja quase um clube centenário (o Levante já é), o primeiro dérbi foi disputado somente no ano de 1963 e os duelos são escassos se comparados à outros confrontos envolvendo rivais diretos, muito pelo fato do Levante ter permanecido por muito tempo fora da divisão principal. No total, são apenas 131 jogos, número que conta ainda amistosos e confrontos de extintos campeonatos regionais. O saldo é claramente a favor do Valencia, que venceu 79 vezes contra 28 vitórias de seu mais tradicional adversário. Há de se destacar também o fato do Levante nunca ter vencido no estádio Mestalla, casa do rival. Trazendo consigo somente o título da segunda divisão que o fez retornar à elite em 2003/2004, o Levante confronta com a rica e vencedora história de Los Che, com oito conquistas nacionais e muitas vezes batendo de frente com os maiores clubes do mundo.

Colo-Colo x Magallanes

Já foi considerado um dos maiores clássicos do futebol chileno e ainda é visto por muitos como o clássico original de Santiago. Tudo começou em abril de 1925, com uma greve no Magallanes, ocasionando a expulsão do clube de alguns jovens jogadores, entre eles os irmãos Arellano, que pouco tempo depois fundaram o Colo-Colo, motivo que acirrou as disputas entre os dois clubes desde então. Tratava-se ainda dos times mais populares do país que não eram ligados a colônias estrangeiras ou universidades. Entretanto, após diversas partidas repletas de esforço e raça, infelizmente, a rivalidade foi aos poucos se extinguindo, com as más campanhas do Magallanes a partir de meados dos anos 60. Sua vertiginosa queda, que incluiu vários rebaixamentos em sequência, fez do grande clássico somente uma lembrança do passado. Nas divisões inferiores, o Magallanes acabou achando um novo rival, o Santiago Morning, enquanto o Colo-Colo começou uma rivalidade com a Universidad de Chile que despontava como uma sensação na mesma época em que o Magallanes começava seu declínio.

Vélez Sarsfield x Ferro Carril Oeste

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O “Clássico do Oeste”, como é mais conhecido, dá nome ao famoso e disputado confronto entre Vélez Sarsfield e Ferro Carril Oeste, dois dos mais tradicionais clubes da cidade de Buenos Aires. O Vélez, nove vezes campeão argentino e conhecido mundialmente, cresceu muito no início da década de 90 e levou grande vantagem do Ferro, que traz em seu currículo um bicampeonato argentino na década de 80. Os rivais jogaram 155 vezes, com vitória do Vélez em 61 ocasiões e do Ferro Carril em 48 oportunidades, empatando 46 vezes, considerando tanto os resultados da era amadora quanto da era profissional. A última vez que se enfrentaram foi no Torneio Clausura de 2000, com vitória do Vélez Sarsfield por 1×0. Desde então, o encontro não se realiza devido ao fato de ambos estarem em divisões diferentes.

Juventus x Torino

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O Derby della Mole é um dos confrontos mais interessantes e intrigantes da Itália. Muito parecido com o Derby della Madonnina, o clássico ganha o nome de um importante marco na cidade, que é, neste caso, a Mole Antonelliana, torre mundialmente conhecida e que está orgulhosamente localizada em Turim. O primeiro confronto ocorreu em 1906 e, desde então, a Juventus tem levado vantagem no número de vitórias e de títulos no geral. No entanto, se em matéria de conquistas, a Vechia Signora se mostra mais vitoriosa, tradicionalmente, o Torino possui a fama de ser o clube mais apoiado dentro da cidade, muito em questão da grande maioria dos seus torcedores serem pessoas locais, da classe trabalhadora da região, cuja grande paixão é apoiar o Il Toro. Os jogos costumam ter momentos acalorados entre as duas torcidas, com provocações que vão além do campo de jogo, incluindo incitações violentas e racistas.

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Paulistano, projeto de jornalista e absolutamente ligado a tudo o que envolve essa arte chamada futebol, desde a elegante final de uma Copa do Mundo às peculiaridades alternativas das divisões mais obscuras de nosso amado esporte bretão. Frequentador assíduo nas melhores (e piores) várzeas e peladas de fim de semana, sempre à disposição para atuar em qualquer posição.