A ‘final antecipada’ entre Santos e Corinthians em 2001

  • por Bráulio Silva
  • 8 Anos atrás

O Santos amargava um jejum desde o ano de 1984. Já eram 17 anos sem um título expressivo. O presidente Marcelo Teixeira não poupou esforços para reforçar o time. A equipe em 2001 contava com os experientes Rincón, Caio e Dodô, além dos promissores Leo, Renato, Deivid e Fabio Costa. Ainda havia jogadores que eram úteis no time santista, como os zagueiros Claudiomiro e Galván.


Já o Corinthians vivia uma reformulação após a traumática eliminação de 2000 diante do Palmeiras na Libertadores e a péssima campanha realizada na Copa João Havelange. O Corinthians terminou na penúltima posição no campeonato nacional, empatado com o Santa Cruz, obtendo 4 vitórias, 4 empates e inacreditáveis 16 derrotas.

Os times entraram em campo com o Santos tendo a vantagem do empate. O jogo era considerado uma final antecipada já que na outra semifinal duelavam Botafogo e Ponte Preta.

Escalações:

SANTOS: Fábio Costa, Russo, Galván, Claudiomiro e Léo; Paulo Almeida, Rincón, Renato e Robert; Dodô e Deivid. Téc.: Geninho

CORINTHIANS: Maurício, Rogério, João Carlos, Fábio Luciano e Kléber; Otacílio, André Luís, Ricardinho e Marcelinho; Ewerthon e Paulo Nunes. Téc.: Vanderlei Luxemburgo.

O domingo era de dia das mães, e o primeiro tempo foi eletrizante. Chances de ambos os lados, com o Corinthians um pouco superior. Logo no primeiro minuto, Paulo Nunes perdeu um gol sem goleiro. Aos 8, Robert respondeu chutando próximo da trave de Maurício.

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Aos 17, Robert, que fazia grande partida, recebeu na intermediária e avançou até ser derrubado por Otacílio. Pênalti marcado por Alfredo Loebeling, um dos árbitros da partida. Na cobrança, Dodô carimbou a trave para desespero dos santistas. No rebote, Robert ainda acertou um bom chute que foi defendido por Maurício. No ataque seguinte, pênalti para o Corinthians. Ewerton invadiu a área e foi derrubado por Paulo Almeida. Sálvio Espínola o outro árbitro da partida, estava em cima do lance e não teve dúvidas ao assinalar a penalidade. Na cobrança, Marcelinho também acertou a trave e o jogo permaneceu empatado.

O Corinthians persistiu no ataque. Aos 30, Ewerton tabelou com Marcelinho e bateu na entrada da área em bola que assustou Fábio Costa. Aos 33, saiu o gol santista. Russo fez ótima jogada pela direita e achou livre o meia Renatinho que, de cabeça, deslocou Maurício abrindo o placar.

O gol não abalou o Corinthians, que conseguiu o empate no minuto seguinte. Marcelinho recebeu na entrada da área e chutou de direita, a bola pegou nas duas traves antes de balançar as redes, num belo gol. Ainda no primeiro tempo, o Corinthians quase chegou à virada, mas o juiz anotou impedimento de Paulo Nunes.

No segundo tempo, o jogo mudou. Após o equilíbrio da primeira etapa, o Corinthians pressionou do primeiro ao último minuto no segundo tempo. E foi acumulando chances. Aos 19, Marcelinho bateu falta com perigo. Aos 22, Ricardinho arriscou de longe para defesa de Fábio Costa. Na sequência da jogada, Kleber foi ao fundo e cruzou, mas ninguém chegou para empurrar para o gol. Aos 32, milagre no Morumbi! Ricardinho cobrou falta na área e Fábio Luciano sem marcação cabeceou para excelente defesa do goleiro santista.

O Corinthians pressionava, mas nada de abrir o placar. Luxemburgo, a essa altura, já havia feito as três alterações. Colocou Marcos Senna, o meia Andrezinho e o jovem Gil, que começava a ganhar espaço no elenco corinthiano. Geninho havia respondido com duas alterações. Colocou Caio para explorar o contra-ataque e o zagueiro André Luiz para conter os avanços dos corintianos.

A placa subiu indicando três minutos de acréscimos. O Santos tenta um raro ataque no segundo tempo e a bola não leva perigo ao goleiro Maurício. O Corinthians parte rápido para o contra-ataque e Galván faz falta no meio campo, recebendo o segundo cartão amarelo e sendo expulso. O jogo fica mais um tempo parado e depois o Santos dá mais dois estourões para o ataque. O jogo chega ao último minuto com os 10 jogadores santistas no campo de defesa.

Eis que Andrezinho recebe e lança na ponta para Gil. Seria a última chance do time da capital. Gil recebe na ponta, dá um drible desconsertante no zagueiro André Luiz e cruza para a área. A bola vai na direção do meia Marcelinho, que faz um corta-luz enganando a defesa santista, e fica livre para Ricardinho que, com extrema felicidade, acertou o canto direito do gol de Fábio Costa num chute indefensável. Explosão dos mais de 40 mil corintianos presentes ao estádio.
Jogadores, torcedores e dirigentes do Santos ficam incrédulos diante da derrota. O time passou 93 minutos com a vaga para a final nas mãos e ela escapou no último lance.

O pós-jogo foi recheado de polêmicas. Deivid acusou o zagueiro André Luiz de se dedicar mais à esbórnia do que ao futebol. O zagueiro foi emprestado no segundo semestre. Um jornal paulista descobriu que Ricardinho e Maurício atuaram durante todo o jogo com um ponto eletrônico, através do qual ouviam as instruções de Luxemburgo.

No fim, o Corinthians ganhou de virada, carimbou a vaga pra final e, na decisão, venceu o Botafogo com extrema tranquilidade. Mas o jogo da semifinal entrou para a galeria dos jogos inesquecíveis para a torcida alvi-negra.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.