Análise tática: São Paulo (3) 0x0 (4) Corinthians

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás
Foto: DPF | Alexandre Pato comemora o gol da classificação

Foto: DPF | Alexandre Pato comemora o gol da classificação

Mais uma vez, o Corinthians não atuou da maneira que fez 2012 ser um ano inesquecível para clube e torcida. O São Paulo, de novo, foi melhor, mas não foi eficiente. O jogo no Morumbi foi o retrato deste Campeonato Paulista: travado, não fluiu. Esse é o quarto clássico que fica no 0x0 no atual estadual.

O Corinthians não conseguiu fazer sua famosa marcação pressão. Os laterais do Tricolor (Carleto e Paulo Miranda) atuaram bem adiantados e sempre dando a opção para receberem o passe. Assim, empurraram os flancos (Emerson e Danilo) para o meio-campo. Via-se, com facilidade, uma linha de quatro no meio alvinegro, o que evitou a marcação no campo ofensivo (do Corinthians) com quatro jogadores e deu maior tranquilidade na saída de bola do time mandante. 

O São Paulo foi distribuído no 4-2-3-1, com a linha de zaga adiantada, laterais aparecendo no ataque e meio compactado. Denílson balanceou a meia cancha Tricolor. O volante fazia a saída de bola do seu time e sem a bola, adiantava seu posicionamento, encostando em Paulinho para vigiar de perto quem faz a transição ofensiva adversária.

O time do Morumbi tinha a posse de bola e terreno para ir adiante. O alvinegro, para não ficar afogado na defesa, adiantou seus volantes. Com eles (Ralf e Paulinho) mais próximos dos meias – forçados a recuar, pela postura ofensiva dos laterais adversários -, a zaga ficou melhor protegida e os ataques do rival eram combatidos mais à frente, o que deu mais tranquilidade ao sistema defensivo preto e branco.

Antes disso, no entanto, o Tricolor fazia linhas de passe de um lado para o outro, como forma de inverter o jogo (com a bola no pé) sem dar o contra-ataque para o rival. A pelota ia de pé em pé dos mandantes, até a melhor opção, que era Luís Fabiano, receber a bola. O camisa nove fez boa movimentação e ficava no limite para receber a bola entre os zagueiros, levou perigo ao adversário, mas não foi efetivo: muitos impedimentos e quando teve a oportunidade não aproveitou.

1 tempo spfc x sccp

O volume de jogo do São Paulo começou a cair com a lesão de Osvaldo, aos 11 minutos. Douglas entrou em seu lugar. Jadson foi deslocado para o lado esquerdo no meio campo, enquanto o lateral de origem ficou com o direito. O time aparentou que não sentiria a saída do seu principal homem de velocidade, mas com o passar do tempo a falta de profundidade e agressividade com a bola no pé, características do atacante, ficaram escassas no time. Outra mudança que diminuiu o ímpeto são paulino foi a inversão do posicionamento na parte ofensiva corintiana. O Sheik foi deslocado do lado direito para o centro, com Romarinho fazendo o caminho inverso. Tite buscou, com a inversão de posicionamento, segurar mais a bola pelos lados e dar mais explosão, pelo meio, rumo ao gol, nos contragolpes. 

O jogo que havia iniciado com forte imposição ofensiva do time treinado por Ney Franco, que teve em seu decorrer um Corinthians buscando soluções para equilibrar a partida, terminou sem emoção. 

A segunda etapa começou sem substituições, mas com uma mudança no posicionamento alvinegro que o ”recolocou” no jogo. Foi um detalhe: a linha de zaga adiantada, ficando mais próxima dos volantes. O time visitante continuou sendo atacado e sem conseguir realizar sua típica marcação pressão, mas conseguiu quebrar as linhas de passe do adversário, pois encurtou o espaço entre zaga-meio. Com mais facilidade para desarmar, os primeiros contragolpes do Corinthians apareciam, sempre pelo meio, para os meias abertos poderem receber através de uma diagonal – antídoto para os laterais adiantados do rival.

Com o Corinthians melhor organizado na defesa e o Tricolor com a posse de bola sem agressividade e profundidade, o jogo foi entrando no marasmo. As movimentações dos meias foram ficando raras e a partida ficou truncada por ali. O São Paulo, com Ganso, tentou ligar Luís Fabiano em quase toda jogada ofensiva, mas não conseguiu e o Corinthians esperou o contragolpe, que não veio. 

O medo de perder deixou o jogo morno. As derrotas na Libertadores, no meio de semana, influenciaram no receio das duas equipes, o que é compreensivo. Aos 37 minutos, Tite trocou Emerson por Douglas e deixou claro que a intenção era segurar a bola. Em primeiro lugar, o técnico corintiano não queria tomar um gol, para depois pensar em fazê-lo. 

O jogo, fraco tecnicamente, caminhou para os pênaltis. O Corinthians venceu por 5×4. Ganso e Luís Fabiano desperdiçaram para o São Paulo, enquanto apenas Alessandro errou do outro lado. O Corinthians não está vibrando como antes, o São Paulo está com poder de definição baixo. São problemas que, se não forem passageiros, podem atrapalhar o andamento da temporada dos dois clubes.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.