Tombense, do amadorismo a sensação do Campeonato Mineiro

  • por Levy Guimarães
  • 8 Anos atrás

As semifinais do Campeonato Mineiro 2013 contaram, além dos dois gigantes da capital, com duas equipes do interior do estado. Uma delas foi o já tradicional e costumeiro Vila Nova, de Nova Lima. Já a outra, se profissionalizou apenas em 1999, e fez a sua estreia na primeira divisão do Estadual. Lutando contra a fama de “clube de fachada”, o Tombense FC surpreendeu e mostrou que, mesmo sem tanta tradição no futebol profissional, pode se destacar entre os times do interior e continuar fazendo boas campanhas nos próximos anos.

Fundado em 1914, na pequena cidade de Tombos, no Sul de Minas, o clube viveu durante 85 anos disputando torneios amadores da região. Mesmo durante esse tempo, lançou jogadores que viriam a vestir camisas tradicionais do futebol brasileiro, como Cruzeiro, Atlético/MG, Flamengo, Fluminense, Vasco, entre outras.

Em 1999, em parceria com a empresa Brazil Soccer, especializada em agenciar jogadores e gerenciada pelo empresário Eduardo Uram, o Tombense reformulou o seu estádio, construiu uma concentração e ativou times de diferentes categorias, do profissional à base, tornando-se, finalmente, um time profissional. Ao longo da década passada, transitou entre o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão (referente ao terceiro escalão do futebol mineiro) e o Mineiro do Módulo II (que equivale à segunda divisão do estadual).

Foto: Globoesporte.com - Eduardo Uram, que possui negócios com pelo menos 16 dos 20 clubes da série A e é o principal responsável pelo crescimento do Tombense

Foto: Globoesporte.com – Eduardo Uram, que possui negócios com pelo menos 16 dos 20 clubes da série A e é o principal responsável pelo crescimento do Tombense

Porém, o Gavião-carcará (mascote do clube) começou a ficar conhecido pelos negócios do empresário que o bancava, o carioca Eduardo Uram. Hoje empresário de mais de 100 jogadores, dentre eles vários atletas nacionalmente conhecidos, como Ibson, Wellington Nem, Diego Souza, Leonardo Moura e Thiago Silva, zagueiro titular da seleção brasileira, Uram viu, desde o começo dos anos 2000, o Tombense como um clube propício para apenas registrar seus jogadores, transferindo-os a agremiações maiores do Brasil e do exterior. A lógica seria que, tendo um clube praticamente controlado por si, ele teria facilitadas as transações de seus jogadores, uma vez que fugiria de pendências judiciais de grandes clubes, muitos dos quais com dívidas que poderiam gerar entraves nas negociações. Entre os vários atletas que já foram registrados pelo clube, somente alguns poucos chegaram a ter rápida passagem pelas categorias de base, como Léo Moura, do Flamengo, e Cícero, hoje no Santos. Com isso, o modesto clube de Tombos ganhou a fama (sustentada até hoje) de “clube de fachada”, sendo também chamado por torcedores rivais de “barriga de aluguel”.

Sempre sob os investimentos de Eduardo Uram, o Tombense teve sua ascensão a partir de 2009, quando conquistou, pela segunda vez, o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão (o primeiro título havia sido em 2006). Já no ano passado, foi vice-campeão do Módulo II da Primeira Divisão, garantindo o acesso inédito à elite do futebol do estado.

Foto: reprodução - Jogadores e torcedores comemoram o acesso ao Módulo I no pequeno Estádio Antônio Magalhães

Foto: reprodução – Jogadores e torcedores comemoram o acesso ao Módulo I no pequeno Estádio Antônio Guimarães de Almeida

Cotado no início para fazer uma campanha apenas mediana no Estadual em 2013, o time surpreendeu. Esteve desde o início da competição entre os primeiros colocados, sempre brigando por uma vaga nas semifinais. Após uma campanha marcada pela regularidade, terminou a primeira fase em um significativo 3º lugar, atrás apenas de Cruzeiro e Atlético. Desde que o campeonato adotou a fórmula atual, em 2003, foi a melhor campanha de um recém-promovido do Módulo II.

Apesar da derrota pesada na semifinal para o Atlético por 7×1 no placar agregado (2×0 na ida, em Tombos, e 5×1 na volta, no Independência), a impressão deixada pelo Tombense em seu primeiro ano na elite foi bastante positiva. Polêmicas à parte, a tendência é que o time, com a boa campanha neste ano e a classificação para a próxima Copa do Brasil e a Série D de 2013 (o clube ainda não decidiu se vai participar da Série D), ganhe mais investimentos para 2014. Um centro de treinamento já está sendo construído e, de acordo com o presidente do clube, Lane Gavoille, será tão moderno quanto o de Cruzeiro e Atlético. Uma reforma e ampliação do Estádio Antônio Guimarães de Almeida, que aumentará a sua capacidade de 3,1 mil para 8 a 10 mil torcedores, também está prevista para este ano (o curioso é que a população de Tombos é de apenas 10 mil habitantes). Ao todo, serão aplicados mais de 7 milhões de reais nas duas obras.

Foto: reprodução - Time se reúne no centro do gramado do Independência após vitória sobre o América, na última rodada da primeira fase, que assegurou o 3º lugar à equipe de Tombos

Foto: reprodução – Time se reúne no centro do gramado do Independência após vitória sobre o América, na última rodada da primeira fase, que assegurou o 3º lugar à equipe de Tombos

Só nos resta saber por quanto tempo Eduardo Uram continuará investindo no Tombense, e se esse investimento terá como prioridade o lucro pessoal nas transações de jogadores ou se também irá se concentrar no crescimento do clube. De qualquer forma, é bom ficar de olho no Gavião-carcará para as próximas temporadas. Como afirma a manchete lançada no site oficial do clube logo após a eliminação nas semis: “o sonho apenas começou”.

 

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.