Torcedores do CSKA podem boicotar final da Copa da Rússia na Chechênia

Os torcedores do CSKA Moscou ameaçam boicotar a final da Copa da Rússia, contra o Anzhi Makhachkala, que será disputada na capital da Chechênia, Grozny. Para os torcedores, a escolha da União de Futebol da Rússia (RFU) foi equivocada, pois a região é palco de vários conflitos terroristas. 

Em posts do site oficial do CSKA (www.pfc-cska.net), segundo informações da revista Four Four Two, torcedores afirmam que, nas partidas disputadas na região, os seguranças são orientados a bater em jogadores do time visitante e os governantes fazem insultos públicos.

Realmente, nos últimos anos, uma série de fatos, como os expostos pela torcida do CSKA, aconteceu em partidas realizadas na região.

Em novembro de 2011, o atacante Spartak Gogniev, do Krasnodar, também em partida da liga reserva da Russia, teve o nariz e costelas quebrados após ser atacado, já nos vestiários, por pessoas com uniforme do exército.



O jogador acabou sendo punido em seis partidas da liga pela confusão em campo, quando foi expulso e empurrou o árbitro. Algumas punições brandas também foram dadas pelo Comitê Disciplinar russo ao Terek, mas nada que pudesse ser proporcional ao fato ocorrido.

Em março deste ano, o líder checheno Ramzan Kadyrov, que também era presidente do Terek Grozny, chamou o árbitro Mickail Vilkov de macaco e corrupto, através dos alto-falantes do estádio local, após ele expulsar um jogador de sua equipe.

No final de abril, o bandeirinha Musa Kadyrov agrediu o zagueiro Ilya Krichmar, do Amkar Perm, durante uma partida entre os reservas da equipe e do Terek. Ilya, ao comentar o caso, alegou que foi jogado no chão e chutado não só pelo juiz, mas também por jogadores da equipe local.



Na vizinha Daguestão, terra do Anzhi, a violência é ainda pior. Atentados terroristas também acontecem diariamente, tanto que os principais jogadores da equipe moram em Moscou, a quase 2.000 km de distância, por não acreditarem na segurança da república.

Quando CSKA e Anzhi se encontrarem, confrontando a capital Moscou e os reprimidos daguestaneses, na região dos separatistas chechenos, mais que apenas um confronto de futebol, Grozny pode ser palco de ações de imposição de ideias religiosas, políticas e étnicas, por qualquer uma das partes. E é aí que mora o perigo.

Como amantes do futebol, temos que torcer para que apenas o aspecto esportivo prevaleça nos gramados do Terek Stadium, em Grozny.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.