Torturados pela sorte

  • por João Rabay
  • 5 Anos atrás

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O torcedor do Santos não suporta mais Muricy Ramalho. Ver o nome do treinador após a escalação é um martírio. Perceber que o desempenho do time piora a cada partida é terrível. Imaginar o que é feito no CT Rei Pelé quando não tem jogo é… bem, difícil. Talvez o pior de tudo seja ver a sorte que o treinador tem, e o consequente azar da torcida.

Não irei muito longe. Vejamos as últimas atuações do SFC sob o comando de Muricy (ainda com Neymar. Imaginem sem o único desafogo da equipe).

No mata-mata do Paulistão, o Santos pegou de cara o rival Palmeiras. A partida foi disputada na Vila Belmiro e a bola foi maltratada como poucas vezes vimos no Brasil em 2013. Cícero abriu o placar para o Santos logo no começo, após escanteio, e a equipe da casa passou 70 minutos esperando o jogo terminar. O Palmeiras chegou ao empate no final, mas, para a sorte de Muricy, a péssima partida foi mascarada pelo triunfo nos pênaltis – graças a Rafael.

Depois, veio o Mogi Mirim. O Santos foi colocado na roda, dominado, intimidado. Não conseguiu marcar, não conseguiu jogar. Ainda assim, o time do interior só marcou um gol. Mesmo sem criar nada, o Santos arrancou um empate, em jogada área, no fim da partida. Mais uma vez, os pênaltis esconderam o péssimo desempenho da equipe treinada por Muricy Ramalho.

Chegou a final do Paulistão. Na primeira partida, o Corinthians jogou dez vezes melhor que o Santos. Não seria exagero algum dizer que o Timão poderia ir para o intervalo ganhando por 3×0. Finalizações para fora, defesas de Rafael, chute de Paulinho na trave… tudo adicionável à sorte de Muricy. Sem falar no gol do Santos – de cabeça, é claro.

Na partida de volta, o Santos até pressionou, mas não conseguiu criar muita coisa. O gol de Cícero foi fruto de uma bola parada, o que não é surpresa para ninguém. Após o empate, o Corinthians ainda acertou a trave duas vezes. O Santos nem foi campeão, para ignorar o mau jogo, nem perdeu feio como o desempenho permitiria, amenizando a situação do treinador.

Na Copa do Brasil, contra o fraco Joinville, em casa, foram 90 minutos de inércia. Aos 43’ do segundo tempo, porém, o time catarinense teve uma chance de ouro para levar a decisão para os pênaltis. A cabeçada de Sandro, livre na pequena área, saiu, e mais uma vez a sorte salvou Muricy de críticas mais fortes.

O jogo contra o Flamengo, em Brasília, é o último dos exemplos. O Santos entrou em campo perdido mais uma vez, dando espaço na defesa e sem a menor ligação possível entre os homens de frente. Na verdade, o ataque santista parece um jogo de cada um por si no colégio. O time carioca poderia muito bem ter goleado, mas Rafael defendeu em cima da linha, Durval salvou, também em cima da linha, um gol certo de Gabriel. Enfim, mais um resultado enganoso que esconde os problemas do time.

Se as derrotas seriam ruins e talvez humilhantes para a torcida do Santos, essa “sorte” do time consegue ser ainda pior. A equipe não ganhou título algum, começa o Brasileirão perdendo pontos, mas, mesmo assim, a máscara do treinador não cai. E os olhos dos torcedores seguem sangrando jogo a jogo, numa tortura lenta e dolorosa.

Mas, afinal, e daí que o time está jogando mal? Chegou à final do Paulistão, enfrentando times fortes, está classificado na Copa do Brasil, que não é fácil para ninguém, e conseguiu um ponto longe de casa contra o Flamengo. Jogar quarta-domingo-quarta-domingo não é fácil, viu? Aqui é trabalho!

Comentários

Jornalista. Doente por futebol bem jogado e inimigo de jogadores que desistem da bola para cavar falta e de atacantes "úteis porque marcam os laterais".