Três lembranças que o torcedor pernambucano gostaria de esquecer

  • por Henrique Souza
  • 6 Anos atrás

Todo fã de futebol tem grandes lembranças do esporte. Para os pernambucanos, campanhas como o acesso do Santa Cruz à primeira divisão, em 2005, a conquista da Copa do Brasil pelo Sport, em 2008, e a classificação do Náutico para a Copa Sul-Americana, em 2012, permanecem tão vivas na memória dos torcedores como se tivessem acontecido ontem. Por outro lado, há aqueles acontecimentos que por mais esforços que se faça, teimam em não serem esquecidos. Nos últimos anos, qualquer torcedor de Pernambuco gostaria de apagar da memória ao menos um desses fatos citados abaixo:

Batalha dos Aflitos (2005)

Foto: Reprodução - Jogadores do Grêmio cercam o árbitro Djalma Beltrami.

Foto: Reprodução – Jogadores do Grêmio cercam o árbitro Djalma Beltrami.

Uma das grandes páginas da história gremista é também um dos momentos mais tristes para os alvirrubros. Em 2005, na Série B do Campeonato Brasileiro, Grêmio, Santa Cruz e Náutico chegaram na última rodada do quadrangular final com chances de subirem à primeira divisão. Os gaúchos necessitavam apenas de um empate para assegurarem a vaga para a Série A. Náutico e Santa Cruz precisavam da vitória (se os dois times vencessem, subiriam os dois). Os tricolores enfrentaram a Portuguesa, em casa, e venceram de virada por 2 x 1, garantindo uma das vagas para si e torcendo para os rivais pernambucanos, que jogavam no mesmo horário, derrotarem o Grêmio, resultado que daria o título ao Santa Cruz.

Nos Aflitos, a partida começou já com atraso, devido a incidentes com torcedores pernambucanos que cercaram o ônibus da delegação gremista, fazendo necessária a presença de escolta policial até o vestiário, além de serem impedidos de fazerem o aquecimento em campo. Com a bola rolando, após um inicío morno, a partida começou a tomar proporções épicas quando o Náutico tem um penâlti a seu favor no fim do primeiro tempo. O lateral direito Bruno Carvalho vai para a cobrança e a bola bate na trave de Galatto. Na etapa final, as equipes se lançaram ao ataque, e depois de chances para os dois lados, o lateral gremista Escalona foi expulso aos 30 minutos após colocar a mão na bola. Logo em seguida, aos 34, o juiz Djalma Beltrami marcou pênalti para os alvirrubros. Patrício, jogador do Grêmio, revoltado com a marcação, deu uma trombada no árbitro e acabou expulso, causando uma grande confusão. Atletas da equipe gaúcha cercaram Beltrami e terminaram por agredi-lo, causando a entrada da polícia no gramado. Os gremistas também reclamaram de agressão dos policiais pernambucanos. A partida ficou paralisada por 25 minutos e Nunes e Domingos também terminaram expulsos, deixando os gaúchos com 7 homens.

Na hora da cobrança do pênalti, o lateral esquerdo Ademar bateu mal e Galatto fez a defesa, para desespero dos torcedores e atletas do Náutico. Enquanto imagens mostravam os jogadores do Santa Cruz já comemorando o título, o futebol mostrou mais uma vez seu caráter imprevisível. Aos 63 minutos do 2º tempo, Anderson (hoje jogador do Manchester United), fez bonita jogada pela lateral e invadiu a área, tocando na saída de Rodolpho e colocando o Grêmio em vantagem. O time da casa tentou buscar ao menos o empate nos minutos finais, mas não teve forças pra reagir. No final, Grêmio 1 x 0 e o Náutico teria que amargar mais um ano na Série B. Os pernambucanos subiriam no ano seguinte, mas até hoje o episódio, que passou a ser conhecido como “Batalha dos Aflitos”, desperta a tristeza do torcedor alvirrubro.

Eliminação na Libertadores (2009)

Foto: Reprodução - Marcos defende a cobrança de Dutra.

Foto: Reprodução – Marcos defende a cobrança de Dutra.

Após o título da Copa do Brasil em 2008, o Sport se classificou para a disputa da Libertadores no ano seguinte. O clima entre os torcedores rubro-negros era de otimismo, mesmo após a equipe ter caído num grupo difícil no sorteio. Junto aos pernambucanos, estariam o Colo-Colo, tradicional time chileno, com um título da competição no currículo, além da campeã do ano anterior, LDU, e o Palmeiras. A chave chegou a ser considerada o “grupo da morte” daquela edição. Mas novamente os pernambucanos mostraram sua força e conquistaram o 1º lugar do grupo, com direito a vitórias dentro e fora de casa contra os chilenos e equatorianos. O único time não batido pelo Sport foi o Palmeiras. Derrota em casa e empate no Palestra Itália foram os resultados das partidas contra o rival brasileiro, que um ano antes foi eliminado de forma vexatória pelo rubro-negro na campanha do título da Copa do Brasil.

E justamente os dois times ficaram com os primeiros postos do grupo. Pernambucanos em primeiro e paulistas logo atrás. De acordo com o regulamento, os cruzamentos nas oitavas seriam definidos da seguinte maneira: os primeiros colocados seriam classificados de 1º a 8º lugar, e os segundos de 9º a 16º. Os confrontos seguiriam este modelo: 1º x 16º, 2º x 15º e assim por diante. Sport, 6º lugar, e Palmeiras, 11º, estariam frente a frente mais uma vez.

No primeiro jogo, em São Paulo, vitória dos paulistas por 1×0, com um gol de Ortigoza. Uma semana depois, a Ilha do Retiro lotada recebeu a partida de volta. O Sport sufocou o Palmeiras, mas esbarrou na falta de pontaria (em especial de Paulo Baier, que perdeu no mínimo três boas chances para o rubro-negro) e na noite iluminada do goleiro Marcos, autor de grandes defesas. Mesmo com toda a pressão, os pernambucanos só conseguiram vencer por 1×0, gol de Wilson, levando a partida para os pênaltis.

Nas penalidades máximas, mais uma vez brilhou a estrela do goleiro palmeirense, mais uma vez fazendo jus ao apelido de “São Marcos”. Pelo Palmeiras, Mozart perdeu, enquanto Marcão, Danilo e Armero converteram suas cobranças. No Sport, Luciano Henrique, Fumagalli e Dutra pararam em Marcos. Apenas Igor marcou na sua vez. No fim, Palmeiras 3×1 nos pênaltis e Sport eliminado. Embora apenas os mais otimistas esperassem título, o sentimento na torcida rubro-negra é até hoje de que o time poderia ter ido mais longe. A eliminação foi o início da derrocada do Sport na temporada, culminando no melancólico rebaixamento à segunda divisão.

Queda para a Série D (2008)

Foto: Reprodução - Mesmo com a união entre os jogadores, o Santa caiu para a Série D.

Foto: Reprodução – Mesmo com a união entre os jogadores, o Santa caiu para a Série D.

Depois de um grande 2005, em que conseguiu o acesso à Série A, os anos que se seguiram foram os piores da história do Santa Cruz. Após perder o estadual para o Sport, o Santa Cruz fez péssima campanha na primeira divisão do Campeonato Brasileiro em 2006, terminando em último lugar e voltando para a Segundona. No ano seguinte, terminou apenas em 6º lugar no Campeonato Pernambucano, enquanto na Série B, mais uma campanha ruim levou a outro rebaixamento, dessa vez para a terceira divisão nacional.

Em 2008, sofreu o vexame de ter que disputar o “Hexagonal do Rebaixamento” no estadual. Na Série C, outra campanha decepcionante, onde o Santa Cruz classificou-se para a segunda fase mais pelo baixo nível da competição do que por méritos próprios. Porém, nesta fase, um empate com o Campinense, quando o time precisava da vitória, deixou os tricolores em situação extremamente delicada, precisando de uma improvável combinação de resultados para se salvarem. A vitória do Caxias sobre o Brasil de Pelotas por 5 x 1 no dia 3 de setembro de 2008, rebaixou o Santa Cruz para a Série D, a ser disputada pela primeira vez no ano seguinte.

Com isso, os tricolores conseguiram o triste feito inédito de serem rebaixados por três anos consecutivos. Em 2009, o Santa Cruz jogou a quarta divisão e foi eliminado na primeira fase. O time só iria subir no ano de 2011, que marcaria um momento de recomeço do clube.

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Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.