Uma surpresa chamada Salgueiro

Texto analisando a boa fase do time pernambucano.

O dinâmico 4-3-1-2 do Salgueiro, com rápidas transições e intensa movimentação na frente.

O dinâmico 4-3-1-2 do Salgueiro, com rápidas transições e intensa movimentação na frente.

 Após as eliminações de Náutico, Sport e Santa Cruz na Copa do Brasil, o único time pernambucano que sobreviveu na competição, foi o sertanejo Salgueiro, que já eliminou Boa Esporte e Vitória, e que enfrentará o Criciúma na terceira fase. Ontem, o Carcará garantiu sua classificação, com um empate por 1 a 1 diante do Vitória, na Arena Fonte Nova. Na partida de ida, no Cornélio de Barros, os dois times haviam empatado sem gols.

 Tecnicamente, é um time com muitas limitações, principalmente depois da saída do meia Clébson, que era o principal articulador da equipe. Dentro de campo, o que falta em qualidade técnica, sobra em garra, determinação e aplicação tática. O Salgueiro é realmente surpreendente e tem tudo para fazer uma ótima campanha no Brasileirão Série D desse ano e quem sabe, conseguir o acesso para a Série C.

 O técnico Marcelo Chamusca, auxiliado pelo excelente Caé Cunha, usa o 4-3-1-2 com três volantes e com o meio-campo formatado em losango. Há alguns anos atrás, o Salgueiro era um time que só utilizava dois esquemas: O 3-4-1-2 e o 3-4-2-1. Para essa temporada, onde o time passou a utilizar uma linha de quatro na defesa, ocorreram algumas instabilidades, por causa desse processo de mudanças, mas a estratégia de Chamusca vem dando certo e os sertanejos vêm obtendo bons frutos.

 Sem a posse de bola, o Carcará se fecha no 4-3-2-1, com Elvis na esquerda e Alexsson mais à direita. Com a bola, Alexsson busca o centro da cancha, ou geometricamente, o topo do médio losango e abre um corredor pelo flanco direito, para as  investidas do lateral Marcos Tamandaré. A equipe tem uma postura bem dinâmica e ofensiva, tentando controlar o jogo pelo círculo central e forçando pelos lados, com as subidas de seus laterais.

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 No meio, o Salgueiro tem três volantes que se projetam ao ataque com qualidade na transição ofensiva, sempre encostando no meia Alexsson e auxiliando o mesmo na armação das jogadas pelos setor. O volante Vitor Caicó, também cai pelo extremo direito em velocidade, dando a impressão de algo próximo de um 4-2-3-1, ou recebe por dentro e lança em profundidade para a infiltração de Marcos Tamandaré por ali. Na esquerda, o lateral Peri ajuda a municiar os homens de frente e sempre cria jogadas de perigo com Elvis, em áreas próximas da ponta-esquerda. Quando o time lateraliza as jogadas, os volantes chegam de trás e penetram pelo meio, explorando os espaços no corredor central.

 A movimentação do atacante Elvis é fundamental para o desenvolvimento do 4-3-1-2 salgueirense. Originalmente, ele é um segundo-atacante e que cai bastante pelas extremidades, principalmente pela esquerda e abre espaços para que Peri possa entrar na diagonal para armar e finalizar. Elvis também circula por dentro, se aproxima da intermediária, flutua no grande círculo em alguns momentos e também puxa rápidos contra-ataques, explorando uma de suas características essenciais, a velocidade.

 O atacante Fabrício Ceará também é importantíssimo para o ataque sertanejo, no aspecto de finalização e de cabeceio, devido à sua boa estatura. Quando Vitor Caicó e Moreilândia avançam e o esquema varia do 4-3-1-2, para uma espécie de 4-1-3-2, com uma linha torta de três, atrás dos dois atacantes, Fabrício Ceará faz o pivô, seja no chão ou pelo alto, dando mais profundidade aos três que chegam para concluir e organizar o jogo. Além disso, é um centro-avante matador e que pode fazer a diferença nas mais variadas situações.

 “Texto originalmente postado no blog  Bola pra Frente(http://bolaprafrente.com/)”

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Natural de Recife-PE e futuro jornalista esportivo. É colunista de futebol nordestino no BOL Esporte/ Portal Terceiro Tempo e colabora com o Doentes Por Futebol. Gosta bastante de análises técnico-táticas.