“Você precisa estar ao nosso lado”

  • por João Rabay
  • 6 Anos atrás

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O jornal britânico Guardian publicou, em seu site, uma sensacional entrevista com o técnico Jürgen Klopp, do Borussia Dortmund. (Clique aqui para conferir na íntegra, em inglês). O Doentes Por Futebol traduziu alguns dos pontos mais interessantes da matéria, mas recomendamos a quem puder que leia o artigo completo. Klopp dá (mais uma) aula de visão moderna do futebol e mostra por que o Borussia é o time mais simpático do mundo.

Confira trechos da entrevista traduzidos:

Sobre a paixão por trabalhar no futebol:
– Assim como todos que trabalham no Borussia são torcedores do clube, todos no Mainz 05 eram fãs da equipe. Quando eu era jogador, havia 800 torcedores nas tardes chuvosas de sábado e, se nós morrêssemos, ninguém ficaria sabendo ou iria ao funeral. Mas nós amávamos o clube e temos o mesmo sentimento no Dortmund. É um clube muito especial – um clube dos trabalhadores.
– Eu deixei o Mainz depois de 18 anos lá e pensei: “Da próxima vez, vou trabalhar com menos do meu coração”. Eu disse isso porque todos choramos por uma semana. A cidade fez uma festa de despedida que durou uma semana. Para uma pessoa normal, seria emoção demais, pensei que não era saudável trabalhar assim. Mas, depois de uma semana em Dortmund, já estava tudo igual. É muito incomum ter essa sorte duas vezes.

Sobre o Bayern e finanças:
– O que posso dizer? Se isso (contratar jogadores do Borussia) é o que querem… é como um filme do James Bond, mas eles são o bandido.
– O Bayern quer ter uma década de sucesso, como teve o Barcelona. O dinheiro aumenta a possibilidade de sucesso, mas não garante nada. Nós não somos um supermercado, mas eles querem nossos jogadores porque sabem que não podemos pagar a mesma coisa que eles. Nós não podemos agir como o Bayern ou o Real Madrid, sem pensar nos gastos e impostos, e deixar que a próxima geração assuma os problemas. Precisamos trabalhar de forma séria e sensível. Se temos tanto dinheiro, podemos gastar esse tanto. Mas perdemos jogadores, como o Kagawa no ano passado.
– Nós somos um clube, não uma companhia. A torcida dos “neutros” depende do ponto de vista. Se eles levarem em conta a história do Bayern, multicampeão desde a década de 70, podem torcer por eles. Mas, se eles querem uma história nova e especial, têm que torcer pelo Dortmund. Eu acho que, neste momento do futebol, você precisa estar ao nosso lado.

Sobre os jogadores que deixaram o Borussia:
– O Kagawa é um dos melhores jogadores do mundo, e está jogando 20 minutos por partida no Manchester United. Como winger! Isso corta meu coração. Sério, me faz lacrimejar. O melhor lugar para o Kagawa é o de meia central, ele é um meia ofensivo com um dos melhores faros de gol que já vi. Um ano antes, Sahin se foi, porque o Real Madrid é o maior clube do mundo. Se os jogadores forem pacientes o suficiente, poderemos desenvolver o time até chegarmos ao nível dos maiores do mundo.

Sobre a saída de Götze:
– Foi como um ataque cardíaco. Fiquei sabendo um dia depois da classificação sobre o Málaga. Tive um dia para comemorar e depois alguém decidiu me trazer de volta ao chão. Michael Zorc (diretor-geral do BVB) chegou ao campo de treino como se alguém tivesse morrido e disse “Preciso te dizer algo. É possível que…” – Klopp não consegue repetir as palavras – Ele perguntou se eu queria conversar e disse que não. Precisava sair de lá. Um amigo ator tinha convidado a mim e a minha mulher para a pré-estreia de seu novo filme naquela noite e não consegui ir.

Outros temas abordados por Klopp presentes no artigo completo:
– Fascínio pelos vídeos com os métodos de treinamento defensivo de Arrigo Sacchi no Milan.
– Admiração pela forma como o Barcelona comemora todos os gols, mesmo estando goleando o adversário.
– A viagem de pré-temporada com o Mainz, feita acampando em um lago da Suécia onde era preciso pescar a própria comida.
– A negociação com o Hamburgo, que fracassou porque um diretor não gostou do modo informal de Klopp.

Comentários

Jornalista. Doente por futebol bem jogado e inimigo de jogadores que desistem da bola para cavar falta e de atacantes "úteis porque marcam os laterais".