A página mais triste da história do Independiente já está escrita

  • por Gustavo Ribeiro
  • 8 Anos atrás
Foto: Reprodução - Pai e filho chorando após o gol do San Lorenzo

Foto: Reprodução – Pai e filho chorando após o gol do San Lorenzo

A página mais triste da história do Independiente já está escrita. Não houve milagre em Avellaneda e nem os outros resultados o ajudaram. Por causa de três fracas temporadas, o Independiente vai disputar a segunda divisão pela primeira vez em sua história.

Para não ser rebaixado hoje, o Independiente precisava vencer o San Lorenzo, torcer para o Colón vencer o Argentinos Juniors e que o San Martín não vencesse o Estudiantes. Tudo deu errado. Além de perder seu jogo, os Rojos viram o San Martín vencer o Estudiantes por 2X0 e o Argentinos Juniors, jogando em casa, vencer o Colón por 1X0.

Quando Correa abriu o placar para o San Lorenzo, aos 14 minutos do segundo tempo, começou o fim para o Independiente. Alguns torcedores começaram a gritar, mostrando que estão sempre juntos com o time, mesmo nos piores momentos. Outros torcedores não aguentaram e começaram a chorar e se abraçarem.

O rebaixamento não foi culpa dos últimos jogos, mas, sim, de temporadas passadas, quando faltou planejamento e organização. Nos últimos anos, o clube contratou sete técnicos: Daniel Garnero, Ricardo Pavoni, Antonio Mohamed, Ramón Díaz, Cristian Díaz, Américo Gallego e Brindisi. Miguel Brindisi, o atual técnico da equipe, não tem culpa nesse rebaixamento. Ele assumiu o clube há nove rodadas e pouco podia fazer.

Tudo isso passa pelas más gestões do ex-presidente Julio Comparada e do atual Javier Canteros, que não conseguiram fazer uma boa administração dentro e dora de campo. Comparada é acusado de ter relação com os barra-bravas e nunca conseguiu terminar um estádio que ele prometeu à torcida. Ele dirigiu o clube nos torneos Apertura 2010 e 2011 e no Clausura 2011, somando 70 pontos, um aproveitamento de 40,9%. Na sua gestão, passaram os seguintes técnicos: Garnero, Mohamed, Ramón Díaz, Pavoni e Cristian Díaz.

Julio Comparada também não soube utilizar o dinheiro de vendas de jogadores, que renderam muito ao clube, como quando Sergio Aguero foi negociado por 23 milhões de euros ao Atlético de Madrid.

Ao contrário de seu antecessor, Javier Canteros lutou contra os barra-bravas, tentando acabar com suas influências dentro do clube. No seu comando, o clube disputou os Clausura 2012, Inicial 2012 e Final 2013, conquistando 58 pontos, 35,1% dos disputados. Nesse seu mandato, já passaram quatro técnicos, sendo que só contratou três (quando Canteros assumiu o clube, Ramón Díaz era o técnico da gestão anterior): Cristián Díaz, Gallego e o atual Miguel Brindidi.

De todos os técnicos que passaram pela gestão de Canteros e Comparada, Antonio Mohamed foi o que mais comandou o time. Foram 33 jogos, com 9 vitórias, 14 empates e 10 derrotas. Um aproveitamento de 41,4%. Ricardo Povino foi o que menos tempo ficou, dirigindo o time em apenas dois jogos. Brindisi, que foi contratado para tentar um milagre, comandou o time em 9 jogos, obtendo 3 vitórias, 3 empates e 3 derrotas.

Outro erro foi a montagem do plantel de jogadores. Do Apertura de 2010 até hoje, o clube já utilizou 68 jogadores. São muitos nomes, sendo que alguns deles não jogaram nem 10 das 114 partidas dessas temporadas. Muitas vezes, o time contratou por contratar.

O zagueiro Julián Velázquez, com 78 jogos, foi o que mais entrou em campo, seguido pelo volante Hernán Fredes, que disputou 74 partidas. Outros jogadores foram muito pouco utilizados, como Gino Claro e Russo, que disputaram apenas uma partida.

Agora é hora de os dirigentes do Independiente começarem a planejar a segunda divisão, em que vão jogar em péssimos estádios e vão ter menos visibilidade. Ao contrário das últimas temporadas, quando saíram contratando sem planejamento, agora é momento de apostar na base, mas sempre mesclando com jogadores experientes e acostumados com pressão. A caminhada vai ser longa, mas o clube tem tudo para voltar de onde nunca deveria ter saído.

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Projeto de jornalista, mineiro, 20 anos. Viu que não tinha muito futuro dentro das quatro linhas e resolveu trabalhar dando seus pitacos acompanhando tudo relacionado ao futebol, principalmente quando a pelota rola nas canchas dos nossos vizinhos sul-americanos. Admirador do "Toco y me voy" argentino, também escreve no Sudaca FC e tem Riquelme e Alex como maiores ídolos.