Análise tática: Brasil 3×0 Japão

  • por João Vitor Poppi
  • 6 Anos atrás

Seleção verde e amarela estreia com vitória convincente e mostra virtudes

Um gol em cada início de tempo facilitou a vida do Brasil e evidenciou falhas de marcação da seleção japonesa. Neymar buscou o jogo e brilhou, mas ainda precisa de mais volume de jogo. Oscar mostrou porque está se tornando essencial para Scolari: deu passes precisos, teve senso de posicionamento e rotatividade, muito do que um maestro precisa. Hulk está em boa evolução.

O Brasil mostrou variações táticas interessantes, boa movimentação e algumas falhas nos momentos de compactação e recomposição defensiva, que com o maior entrosamento do grupo podem e precisam ser superadas.

A seleção treinada por Felipão teve como esquema tático base, até os 30 minutos do segundo tempo, o 4-2-3-1, que, com forte movimentação e troca de posições na linha de três do meio, conseguiu explorar bem os espaços deixados pelo adversário. No momento de fazer a saída de bola, principalmente nos primeiros 45 minutos, o time canarinho posicionava-se no 3-5-2. Luiz Gustavo ficava entre os dois zagueiros e Oscar se deslocava do lado direito para o centro, ao lado de Paulinho. Com isso, os dois laterais tinham liberdade para se tornarem alas, ganhava-se a qualidade de passe de Oscar por dentro.

Brasil no 3-5-2 para a saída de bola ocorrer pelos lados

Brasil no 3-5-2 para a saída de bola ocorrer pelos lados


O Japão foi desenhado no 4-4-2, próximo do que fazem os britânicos. As duas linhas de quatro ficavam postadas, com a segunda na região central do meio campo, mas o que mais dificultou a fraca saída de bola brasileira foi a falta de um organizador que consiga reger o jogo por trás (como faz Pirlo, por exemplo). Mas a seleção verde amarelo conseguiu suprir a falta de saída pro jogo com o lançamento longo partindo dos lados para o centro, como no golaço de Neymar. Assim, acelerava-se a transição ofensiva e complicava a falha marcação na cabeça de área japonesa.

Fred ajeita para Neymar, nas costas dos volantes, abrir o placar


A maior falha da seleção treinada por Alberto Zaccheroni foi a incompatibilidade entre os volantes e a linha de quatro da retaguarda. A defesa asiática não adiantava a marcação, diferente dos volantes que saiam para buscar mais proximidade dos brasileiros e tentar o desarme, pois Endo e Hasebe são lentos. Esse delay entre zaga e volantes deixava espaços na cabeça de área nipônica, onde também ocorreu o gol de Paulinho.

Faltou compactação entre as duas linhas de quatro do Japão

Faltou compactação entre as duas linhas de quatro do Japão


Os nipônicos, quando possuíam a posse de bola, forçavam pelo lado esquerdo. Kagawa (winger) buscava a ultrapassagem e Honda, que no primeiro tempo atuou como um segundo atacante na parte ofensiva, caia por aquele setor, para auxiliar o jogador do Manchester United. Daniel Alves, quando foi forçado, não deu boa resposta defensiva. A movimentação dos volantes brasileiros, com Luiz Gustavo recuando (por vezes entre os zagueiros) e Paulinho se adiantando para formar um 4-1-4-1, deixava espaços pelo centro de campo. Essas foram as duas falhas defensivas da seleção brasileira, o que permitiu o Japão criar algumas jogadas pelo lado esquerdo e arriscar perigosos chutes pelo centro. Vale ressaltar que David Luiz e, principalmente, Thiago Silva realizaram ótima partida. O zagueiro do PSG foi excelente nas coberturas, antecipações e desarmes.

Apesar dos espaços expostos no centro de campo brasileiro, que ainda necessita de ajustes, as decidas de Paulinho foram importantes, pois deu verticalidade, velocidade e opção ofensiva com o famoso ”homem que vem de trás”, importante para furar sistemas defensivos retrancados.

Com seis minutos do segundo tempo, Zaccheroni substituiu Kiyotake por Maeda. O time deu maior liberdade para Honda jogar pelo centro, com Okazaki caindo pelo lado direito e Maeda sendo o jogador de referência. Mesmo com a mudança de esquema, Kagawa, que permaneceu na esquerda, continuou tendo muita preocupação defensiva com as decidas de Daniel Alves e as constantes movimentações às suas costas. O camisa dez teve que voltar para ajudar na marcação com frequência, prejudicando sua participação ofensiva.

No último lance do jogo, Jô marcou o terceiro, após ótima puxada de contra-ataque de Oscar. Vinte minutos antes, com as entradas de Lucas e Hernanes nas vagas de Neymar e Hulk, o Brasil trocou de esquema tático. Com Lucas pela direita, Oscar pela esquerda e um triângulo de base alta no meio (com L. Gustavo centralizado e Hernanes e Paulinho mais soltos) foi a vez do 4-3-3, que alternava para o 4-1-4-1 quando a posse de bola era japonesa. O jogo revelou uma seleção que está evoluindo jogo a jogo, com aspectos elogiáveis e que estavam em falta.

Seleção brasileira fez boa movimentação e mostrou variações táticas

Escalação inicial. Seleção brasileira fez boa movimentação e mostrou variações táticas

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.