Análise tática: Estratégias para o Brasil derrotar a Espanha

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

felipão

Ligação Direta e movimentação ofensiva

A ligação direta foi muito utilizada pela equipe treinada por Luiz Felipe Scolari, pela falta de opção na saída de bola, que padece de um volante organizador para realizar a função com eficácia. Mesmo não sendo o ideal (pois esta teria que ser uma entre outras formas de abastecer o sistema ofensivo brasileiro, não a principal, como ocorre hoje), o lançamento longo deu bons resultados, como o gol de Neymar contra o Japão e o de Fred contra o Uruguai.
Esse recurso precisa ser mantido para a decisão. Contra a Espanha, os jogadores necessitam ter discernimento para utilizá-lo, esperando o momento certo. A velocidade no ritmo brasileiro, através da ligação direta, virá a partir de desarmes no campo defensivo e no desnível que ocorre nos flancos da Fúria. Pedro pela direita é agudo, velocista e tem força para recompor e marcar pelo setor. Fábregas (ou Silva) pela esquerda tem criatividade, maior toque de bola  e precisão em suas jogadas, mas não tem vitalidade na marcação. Por isso, o lado esquerdo é mais frágil na marcação e  construtivo no ataque. 
Se Neymar fizer uma partida intensa, poderia optar-se pela troca de lados entre ele e Hulk, o que dificultaria o apoio dos laterais espanhóis, principalmente Alba. Isso deixaria os lados do adversário espaçados, o que facilitaria uma ligação direta, ou então obrigaria os pontas, Pedro e Fábregas, a recuar e dar campo à seleção brasileira. As ligações diretas precisam vir atreladas à movimentação ofensiva, para abrir espaços e dar opções, pois fazer lançamentos longos com o adversário postado, dificilmente, renderá frutos.

Marcação agressiva, roubada de bola e diagonal 
Com Hulk pela direita, Neymar pela esquerda e Oscar pelo centro, mas em constante rotação, o Brasil pode repetir aquele primeiro minuto de jogo contra a Itália, quando sufocou o adversário, roubou três bolas no campo ofensivo e finalizou a gol. Uma característica dessa Seleção, que terá sua maior prova de fogo contra a Espanha.
Desarmar no campo ofensivo adianta etapas e possibilita a Neymar quebrar a marcação com um drible. Insistir nesse tipo de marcação é insistir em colocar o ataque no mano a mano com a defesa, dando mais chance de brilhar o talento individual. 
Usar a diagonal também é uma forma de penetrar no sistema defensivo adversário e colocar os laterais brasileiros no ataque. Quando parte-se do lado para dentro existe a chance de deslocar um marcador, principalmente o lateral que marca por ali, abrindo um corredor para Marcelo e Daniel Alves apoiarem. A cobertura de um volante para um lateral espanhol, em uma diagonal feita pelos pontas brasileiros, pode dar campo para Paulinho ser o ”homem surpresa”, o que costuma fazer com qualidade. 

Oscar
Exceto no jogo de estreia, o camisa onze da Seleção não está correspondendo às expectativas. Uma final pode mudar esse cenário, ainda mais contra a atual campeã mundial. A inversão de jogadas e o suporte na saída de bola seriam fundamentais para o jogador do Chelsea voltar a ter destaque.
Inverter para surpreender. Parece simples, mas muitas vezes funciona. Simples, mas não fácil. Para realizá-la, é necessário muita coordenação, velocidade e precisão no desenvolvimento da jogada. 
Como as jogadas brasileiras partem bastante pelos lados, o processo pode ser facilitado. Para isso, Oscar precisa se impor, qualidade ele possui. A bola que está na ponta precisa se deslocar para o centro (Oscar), de onde partiria para a outra ponta. A finalização da jogada com excelência – quando a bola sai de um lado para o outro – só é possível ser feita com ultrapassagens, pegando os zagueiros de frente ou usando as costas dos laterais.
Pela elevada qualidade, rápida rotação e mobilidade, Oscar ajudar na saída de bola não poderá ser uma constante, mas tem a possibilidade de mudar o caminhar da partida. O 4-3-3 espanhol não conta com o famoso camisa dez, que fica centralizado, incubido de armar e servir os atacantes. É neste espaço que Oscar poderia dar dinâmica a saída de bola brasileira. A jogada tem de acontecer no decorrer do jogo e em momento alternados, não pode ser algo definido e que ocorra do inicio ao fim, pois daria espaço para a Espanha marcar pressão.

Ser consciente 
Foram listados aqui alguns pontos ofensivos que podem ser de extrema importância para o Brasil derrotar a Espanha. Para que esses possam sair da teoria, o discernimento precisa existir, evitando ao máximo o descompasso entre defender e atacar: recuo de Luis Gustavo entre os zagueiros e subidas de Paulinho podem esvaziar a cabeça de área e a não alternância dos laterais no momento de apoiar o ataque pode deixar corredores mortais pelos lados. 
Será inevitável. Em períodos da final, a Espanha prensará o Brasil na defesa, rodará bola, controlará a posse, será horizontal para monopolizar seu campo ofensivo. O Brasil, hoje, não tem forças para evitar que isso ocorra durante os 90 minutos. Pelo contrário, precisa se compactar, reter suas linhas e esperar o momento certo para contra-atacar e acertar uma ligação direta. 
Neste momento de espera defensiva, Felipão poderia colocar o Brasil, novamente, no 4-4-1-1. Com Oscar voltando para a segunda linha de quatro e Neymar posicionando-se à frente da mesma, para ter liberdade de deslocar-se e ser o destino dos contra-ataques e ligações diretas.
A Seleção terá que ter a humildade de saber que a Espanha é superior, mas também precisará ter a coragem aliada com aplicação tática para, em alguns momentos, contra golpear e, em outros, pressionar. E, nesses momentos, o passe correto e a conclusão das jogadas serão essenciais para não dar o contra golpe à Espanha, o que seria perigosíssimo.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.