Análise tática: Vitória 3×2 Atlético-PR

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

Sabido dentro de campo, time baiano traz esperança ao seu torcedor

Gramado ruim. Esse foi o cenário encontrado em Feira de Santana por Vitória e Atlético-PR.

O Furacão manteve a equipe que venceu a Ponte Preta, em Campinas, com Paulo Baier na vaga de Marcão. Atuando no 4-2-3-1, o time paranaense teve a linha de três do meio composta por Éverton (esquerda), Felipe (direita) e Baier (centro). Ederson foi o mais adiantado. Sem um centroavante fixo, Ricardo Drubscky buscou dar mais toque de bola e movimentação a sua equipe, mas não foi feliz.

A equipe baiana teve sete desfalques: Deola, Mansur, Neto Coruja, Renato Cajá, Luis Alberto, Vander e Dinei. Caio Júnior armou seu time no 4-3-3, com um triângulo de base alta no meio. O ataque foi composto por Marquinhos (esquerda), Maxi (direita) e Giancarlo (centroavante). A maior movimentação era feita pelo argentino, que recuava pelo centro para ajudar na criação com ótimas arrancadas. E foi assim que o placar foi inaugurado. O primo de Messi afunilou, realizou ótima jogada e deu a assistência para abrir espaço pelo lado direito, onde Cáceres apareceu como homem surpresa e fez 1×0, aos 28 minutos.

Movimentação de Maxi pelo centro abria espaço para Cáceres apoiar e ser o homem surpresa

Movimentação de Maxi pelo centro abria espaço para Cáceres apoiar e ser o homem surpresa

O empate veio dois minutos depois, após Pedro Botelho se livrar de Dimas com facilidade e cruzar. O bate-rebate na área terminou com Ederson empurrando a bola pro fundo do gol.

Os meio-campos dos dois times se encaixaram na marcação. Michel com P. Baier, Cáceres com João Paulo e Escudero com Juninho. Mas dentro das estratégias utilizadas pelos dois times, a do Vitória prevaleceu.

O time mandante, ao contrário do adversário, optou pela ligação direta e não prezou pela troca de passes, o que fez diferença em um campo que não privilegiava a bola rolando. A bola longa saía do meio para as pontas, mas, também, fazia o caminho inverso. Essa estratégia substituiu a transição ofensiva e, em um meio campo truncado e com marcação parelha, deu resultados positivos. Prova disso foi o segundo gol baiano, que nasceu de um lançamento longo de Michel (cabeça da área) para Maxi Biancucchi, na ponta da área, com pouco toques na bola anotar um belo gol.

Sobrou espaços nos flancos dos dois times, pelas coberturas falhas dos meias (Atlético-PR) e pontas (Vitória). Situação compreensível ao esquema tático e estratégia usada pelo Leão da Barra, que possuía Marquinhos e Maxi bem abertos e espetados. E da mesma forma que o time baiano deixava espaços na retaguarda, aproveitava os espaços deixados pelo adversário. O Furacão, insistindo nas trocas de passe, não teve agilidade e profundidade para aproveitar os espaços que existiam para atacar e sofria com a força ofensiva do Vitória. A maior arma ofensiva do time visitante no primeiro tempo foi Pedro Botelho, que com suas descidas e ultrapassagens pela esquerda conseguia surpreender o sistema defensivo baiano. Em mais uma jogada do lateral esquerdo, aos 39 minutos, terminou em cabeçada de Ederson na trave.

Atlético-PR fazendo marcação em linha. Vitória com os pontas espetados e Giancarlo segurando um zagueiro

Atlético-PR fazendo marcação em linha. Vitória com os pontas espetados e Giancarlo prendendo um zagueiro

Marcão de titular, para buscar maior presença de área, seria uma opção mais cabível ao que a partida ”pedia”.

No segundo tempo, Caio Júnior recuou os pontas para segurar o jogo e estancar a saída do Atlético com Botelho pela esquerda. Em alguns momentos, era possível observar o time baiano postado no 4-1-4-1, com Michel entre as duas linhas de quatro.

Com as linhas recuadas, o Vitória conseguiu retirar os espaços laterais defensivos, mas perdeu o contra-ataque. Não existia mais a facilidade para realizar a ligação direta, pois os pontas não ficavam mais espetados. A ”transição ofensiva” perdeu agilidade.

O Atlético empurrou e prendeu o meio baiano, com João Paulo saindo mais pro jogo e com a mudança da esquema tático propiciada pelas substituições. Marcão e Marcelo entraram nos lugares de Jonas e Felipe, respectivamente. Juninho foi deslocado para lateral direita, João Paulo ficou como único volante no meio, que passou a ser desenhado em forma de losango. No 4-4-2, que variava para o 4-1-3-2, Marcelo (direita) e Éverton (esquerda) faziam os lados e Paulo Baier era o responsável pela armação.

Mesmo com maior presença no campo ofensivo e posse de bola, o time paranaense só conseguiu o empate em jogada de bola parada. Luis Alberto completou cruzamento de P. Baier, após falha da zaga, aos 35 minutos. Faltou tabelar, Ederson encostar em Marcão, a aparição do homem surpresa vindo de trás e uma movimentação mais rotativa. O time de Ricardo Drubscky ficou devendo na construção de jogadas. Foi castigado, aos 42 minutos, em passe que veio de trás e quebrou a marcação em linha, deixando Escudero na cara do gol. O argentino não perdoou e fez o tento do triunfo. Vitória dos baianos merecida pelo primeiro tempo mais incisivo, quando souberam se adaptar ao gramado ruim e por terem acertado a marcação na segunda etapa. Mas não se pode abdicar de atacar como fez nos 45 minutos finais. Esse foi o motivo dos três pontos terem ficados muito ameaçados.

1 tempo vitória 3x2 atl-pr

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.