Brasil vence e enche torcida de esperança



Ainda faltam os passes curtos em velocidade de 70 e 82, a posse de bola massacrante de 94, e o ataque fatal de 98 e 2002, mas finalmente a urucubaca saiu. O Brasil venceu – não com autoridade – uma seleção campeã do mundo e bem rankeada. Porém, mais uma vez foi visto um atraso tático na seleção. 
A França, mesmo desfalcada de Ribery e Nasri, atacou bem e teve pelo menos duas boas oportunidades de marcar gols. Pagou pela juventude e falta de experiência do seu grupo, assim como o Brasil tem pagado nesse ciclo 2010-2014. O amistoso serviu para mostrar uma mudança impressionante que o futebol brasileiro teve. Os nossos melhores jogadores hoje estão na defesa, e não no ataque. 

Foto: Uol esporte – Oscar fazendo gestos subliminares da nova era

Júlio César, que em 2010 foi o melhor goleiro do mundo, ganhando tudo no Campeonato Italiano e Europa hoje ainda é um ótimo goleiro; Thiago Silva é o melhor zagueiro do mundo e tem duas excelentes companhias: David Luiz e Dante, que certamente estão entre os melhores jogadores de defesa do mundo. 

Os dois laterais brasileiros também são muito bons. Que me desculpe Filipe Luís, mas eu fico com o que Dunga disse em entrevista a Kajuru: “Não vejo diferença alguma entre Marcelo e Ronaldinho Gaúcho, o que um faz o outro faz…”; Daniel Alves, ao menos no Barcelona, é um dos melhores laterais do mundo. Na seleção, ainda precisa melhorar as bolas perdidas e os ataques que desperdiça com decisões erradas. Entretanto, tem experiência de sobra para ajudar o Brasil. 

Os nossos volantes Hernanes, Paulinho, Fernando, Luis Gustavo, David Luiz*-lembrando que Ramires não foi convocado para a Copa das Confederações -, são excelentes jogadores, com bagagem, títulos e qualidade pra jogar em qualquer grande clube do mundo.

O maior problema do Brasil neste esquema ainda é o fato de que a zaga termina carregando o fardo de armar as jogadas. Se Hernanes estivesse no time desde o início do jogo, muito desse problema teria sido resolvido, mas não foram poucas as vezes durante a partida em que L. Gustavo e Thiago Silva tinham que armar o ataque brasileiro na parte superior do campo devido à retranca francesa. 

Neymar se apresentou bem, mas vai sempre levar a responsabilidade de que dele sempre se esperam gols e uma excelente atuação com chaleira, caneta e assistências. Abaixo disso, e ele sairá sob vaias como aconteceu hoje.

Foto: Uol Esporte – Daniel mandando um recado para a amante na torcida



Quando digo que nossos melhores jogadores estão na defesa, não quero com isso diminuir a qualidade do ataque brasileiro, penso apenas que ainda falta algo para que o setor passe confiança. De qualquer forma, o jogo de hoje serviu para acalmar um pouco os ânimos daqueles que criticam por criticar e falam que sem a presença de um “camisa 9” o time joga com um a menos. 

Além disso, nosso centroavante teve três boas oportunidades que pelo seu histórico sabemos que não são chances que ele normalmente desperdiça. Hulk também calou um pouco os críticos de plantão. Já tinha feito uma boa partida contra a Rússia e hoje mostrou novamente a importância tática que faz com que ele se torne preferência entre os treinadores. Driblou, chutou, se movimentou e, principalmente, causou dificuldades à defesa adversária. 

Mas nosso país tem 200 milhões de treinadores. Felipão não vai montar o time para agradar. Pode ser que ele apenas tenha encontrado uma forma de ganhar do adversário. Vejo o dedo dele quando o primeiro gol sai do desarme de L. Gustavo no campo adversário. Vejo também quando a seleção, por alguns momentos, marcou com seis jogadores no campo de ataque, e continuo vendo quando ele continua fiel ao seu estilo mesmo quando tudo dá errado.

Foto: Globo.com – Hulk não é verde


Tudo bem que David Luiz precisa se controlar nas entradas para não colocar em risco um jogo importante. Tudo bem que Dani Alves precisa parar de pensar que é Messi. Tudo bem que metade da torcida foi só pra ver Fernando – foi a impressão que tive. Mas se o time jogar da forma que jogou hoje, mesmo errando e mostrando ainda ser um time em formação, pode sim conquistar 9 pontos na fase de classificação e “embalar” nos braços da torcida. O emocional vai falar muito mais alto já que é um torneio de tiro curto no qual muitas vezes um grito no intervalo do vestiário é mais fundamental do que uma análise tática profunda. Pode ser que agora tudo passe a dar certo para o Brasil.

Comentários

Thiago Batista estuda Direito e é um fanático por futebol. Desconta toda sua ira de não ter se profissionalizado, escrevendo e analisando as partidas de futebol! Acredita que o brasileiro precisar ter mais acesso a números, dados, análises e visões filosóficas do jogo pois assim se "degusta" melhor o produto!