Copa das Confederações: Brasil

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SOB OS HOLOFOTES, (IN) FELIZMENTE

O momento, definitivamente, não é bom para a seleção brasileira. Justamente quando terá a oportunidade de sediar o Mundial, a chamada Pátria de Chuteiras vive um dos piores períodos de sua história. O cenário é amplamente conhecido por todos: uma seleção sem grandes referências técnicas consolidadas, sem identidade, sem padrão de jogo e, acima de tudo, sem nenhuma identificação com o grande público, que a cada dia a vê mais associada a todos os escândalos que pairam sobre a CBF. É neste perigoso contexto que a seleção do experiente Luiz Felipe Scolari se prepara para disputar a Copa das Confederações.

Se o time não ajuda e a torcida, desiludida, está sempre a um passo de malhar e vaiar o grupo de jogadores, a euforia vem da mídia. Nunca antes se viu uma imprensa tão esquizofrênica, desconectada da triste realidade que vem assolando o futebol nacional. A ponto de Neymar, o maior astro do país na atualidade, conseguir aparecer mais nos intervalos do que nos jogos da Seleção propriamente ditos. Na tela da emissora dona dos direitos de transmissão da Seleção, a euforia é enorme: nosso futebol cresce a olhos vistos – repatria grandes craques e, agora, possui também suntuosas e modernas arenas. Enquanto isso, nossa seleção patina. Está há quase quatro anos sem vencer um adversário de grande expressão, levando em conta que na vitória sobre a desfalcada França, o Brasil enfrentou um adversário fragilizado e que não faria frente a nenhum dos melhores times da atualidade.

LOCALIZAÇÃO

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A SELEÇÃO

A seleção canarinha chega à Copa das Confederações cercada de grandes dúvidas. O time passa por um momento de reformulação, após a surpreendente demissão de Mano Menezes e a subsequente chegada de Felipão. O campeão de 2002 assumiu o cargo após alguns anos de ocaso e uma péssima passagem pelo Palmeiras, na qual não conseguiu fazer o time apresentar um bom futebol durante os dois anos que ficou no cargo, e ainda terminou levando o clube ao rebaixamento. No entanto, chega lastreado por sua larga experiência, que certamente servirá de escudo para o jovem grupo que temos à disposição – este, talvez, o melhor aspecto da sua escolha para o cargo.

No gol, Scolari deu vez à experiência de Júlio César. O arqueiro reencontrou seu melhor nível em sua passagem pelo QPR, e já é sondado por grandes clubes. A defesa, setor mais sólido do grupo, tem alguns jogadores de renome como Thiago Silva, David Luiz, Dante e Marcelo. Seu ponto fraco segue sendo a lateral direita, posição em que Daniel Alves não consegue convencer e que ainda conta com o improvisado Jean. O meio-campo brasileiro tem a juventude e o dinamismo de Oscar e Lucas, além da saída qualificada de Hernanes – mas abriga também alguns dos principais questionamentos do time, como o volante Fernando. O ataque tem se mostrado o maior dos problemas: Neymar e Hulk não rendem o que podem, e todos os gols das últimas partidas têm sido fruto quase exclusivo do oportunismo de Fred. Resumidamente, a Seleção Brasileira ainda não conseguiu consolidar seu processo de renovação, e ainda apresenta deficiências imperdoáveis para uma seleção que carrega tantas expectativas e tão grandes responsabilidades.

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ELENCO

Luis Felipe Scolari, o Felipão, convocou os 23 jogadores:

Goleiros
1. Jefferson (Botafogo)
12. Júlio César (Queens Park Rangers/ING)
22. Diego Cavalieri (Fluminense)

Defensores
2. Daniel Alves (Barcelona/ESP)
3. Thiago Silva (Paris Saint-Germain/FRA)
4. David Luiz (Chelsea/ING)
6. Marcelo (Real Madrid/ESP)
13. Dante (Bayern de Munique/ALE)
14. Filipe Luís (Atletico de Madrid/ESP)
15. Jean (Fluminense)
16. Réver (Atlético Mineiro)

Meias
5. Fernando (Grêmio)
7. Lucas (Paris Saint-Germain/FRA)
8. Hernanes (Lazio/ITA)
11. Oscar (Chelsea/ING)
17. Luiz Gustavo (Bayern de Munique/ALE)
18. Paulinho (Corinthians)
20. Bernard (Atlético Mineiro)
23. Jadson (São Paulo)

Atacantes
9. Fred (Fluminense)
10. Neymar (Barcelona/ESP)
19. Hulk (Zenit/RUS)
21. Leandro Damião (Internacional)

Destaques:

BRA - Neymar

Neymar: Assim como a própria Seleção, Neymar não vem passando por um bom momento individual. Na que talvez seja a pior fase de sua carreira, o atacante atravessa um longo jejum de gols, que vem desde o confronto contra o Flamengo do Piauí, pela Copa do Brasil. Por outro lado, vive a expectativa de encarar os maiores desafios de sua curta carreira: assumir seu papel de protagonista no time de Felipão, e triunfar em sua jornada no Barcelona. No alto 21 anos, Neymar tem na Copa das Confederações uma grande chance de começar a escrever seu nome na história do futebol internacional.

BRA - Oscar

Oscar: Para este jovem meia de apenas 20 anos, tudo vem acontecendo muito rápido. Em um ano e meio, o jogador saiu da reserva do Internacional para a titularidade no Chelsea e na Seleção. Sua ascensão não é fruto do acaso: desde a primeira vez que vestiu a camisa amarela, Oscar a enverga com a frieza de um veterano e a proatividade de um jovem que busca seu espaço. Também por isso, chega à Copa das Confederações em condições físicas precárias, e vem sendo poupado pela comissão técnica nos amistosos. Tem tudo para manter seu alto nível também no torneio.

BRA - Thiago Silva

Thiago Silva: Sem dúvida, é a maior unanimidade da Seleção na atualidade. Vive uma fase esplendorosa, e poucos discutem seu status de melhor zagueiro do mundo. Chega à Copa das Confederações como capitão do time e referencial técnico maior de uma geração de bons defensores brasileiros.

O QUE ESPERAR?

Considerada uma prévia da Copa do Mundo, tanto no sentido infra-estrutural quanto no desportivo, a Copa das Confederações será jogada por algumas das principais seleções da atualidade. Elas ficaram divididas em dois grupos que têm praticamente o mesmo grau de dificuldade – uma dureza que, na opinião deste que escreve, pode ser suficiente para fazer a seleção brasileira se despedir precocemente da disputa. É certo que na vitória sobre a França houve avanços – o maior deles, moral: começa a se desintegrar o peso dos “quatro anos sem vitórias sobre campeões do mundo”. Mas ainda assim, o time de Felipão vai precisar de muita concentração para não dar sopa ao azar e seguir adiante na competição.

A Itália de Cesare Prandelli deixou a África em 2010 numa situação parecida com a brasileira. Mas graças a uma reformulação séria e bem conduzida, já colheu resultados expressivos – mesmo com talentos mais escassos do que os nossos. O México, tradicional pedra no sapato brasileiro, vive a afirmação de jogadores promissores, que foram campeões na base. E nos venceram há poucos meses. Mesmo o Japão, adversário menos expressivo do grupo A, tem à disposição uma das melhores gerações de sua história, liderada pelos meias Honda e Kagawa (além disso, servirá como um excelente termômetro para avaliar como andava o trabalho do tão escrachado Mano Menezes). Todos os três são adversários que podem impor sérias dificuldades aos pentacampeões. Por outro lado, são times que a Seleção precisa – desesperadamente – vencer, se quiser continuar sendo levada a sério como candidata ao título em 2014.

É esse o tamanho do desafio brasileiro. Provar que o 22º lugar no ranking da FIFA, pior posição da história, é consequência apenas da falta de partidas oficiais. Provar que é capaz de carregar a responsabilidade de jogar diante de 50 mil torcedores que podem eventualmente vaiar, mas irão aos estádios para torcer, vibrar e comemorar vitórias. Se é verdade que um torneio desse porte direciona todas as atenções do mundo ao seu país-sede, o Brasil tem em mãos uma grande oportunidade de mostrar que seu futebol caminha na direção certa – ou, mais provável, de deixar expostas todas as vísceras do circo midiático que se tornou esse grande patrimônio do povo brasileiro.

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.