Luan, o Alex Alves alvinegro

  • por Alexandre Perdigão
  • 8 Anos atrás
Doentes por Futebol

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Louco, cabelo encaracolado, velocista e forte: essas eram as principais características de um jovem vindo da base do Vitória em 1994. Com um futebol um tanto questionável, mas sempre com muito apetite e força, Alex Alves apareceu para o Brasil. Logo foi contratado pelo Palmeiras e repassado à Portuguesa.

No ano de 1996, Alex Alves era, junto com Rodrigo Fabri e Zé Roberto, um dos principais jogadores da Portuguesa na campanha do vice-campeonato Brasileiro. A torcida o idolatrava, pois se tratava de um jogador peculiar que, ao fazer gols, comemorava com golpes de capoeira. Por ser deveras útil ao time da Lusa, chamou a atenção do Cruzeiro, que fez uma proposta e o levou. Em pouco tempo, o cabeludo se tornou xodó da torcida, e os gols se tornaram frequentes.
No Cruzeiro, porém, Alex mudou. Além de cortar os cabelos, passou a atuar com mais inteligência e astúcia, sem perder a velocidade e o ímpeto. Foi vendido ao Herta Berlin, onde fez uma bela carreira. Numa trágica virada do destino, faleceu, em janeiro de 2013, devido à leucemia.
Atualmente, um jogador em especial vem chamando a atenção da torcida do Atlético-MG por sua semelhança com Alex Alves: Luan. Quando foi contratado junto à Ponte Preta, ninguém apostava que daria certo em um time grande. Foi visto com desconfiança, como apenas “mais um” para compor elenco. Entretanto, logo que pisou em campo com a camisa do Atlético, a semelhança com o baiano minou as desconfianças.
É pequenino, com apenas 1,65cm, mas incomoda – e como incomoda. Jogador agudo, “vertical”, joga pela direita, pela esquerda, ajuda os laterais na marcação, compõe o meio de campo e corre o tempo inteiro. Para todo lugar que se olhe, lá está ele. Incansável, disputa bolas no alto, no chão, vai de cabeça, de costas, não importa: está sempre tentando buscar a redondinha.

Luan e sua luta característica

Luan e sua luta característica

Às vezes, a raça demonstrada por Luan é tanta que passa dos limites. O jogador comete muitas faltas, por vezes sai com a bola pelas linhas do campo, passa da linha da bola ou perde o momento certo do passe ou do chute. Sua força de vontade de vontade ainda precisa ser lapidada e otimizada para um melhor aproveitamento durante os 90 minutos.

Luan teve participação decisiva no título Mineiro de 2013. Após uma arrancada, sofreu o pênalti, convertido por Ronaldinho Gaúcho, que deu o bicampeonato ao clube. E caso o Atlético-MG conquiste o tão cobiçado título da Taça Libertadores da América em 2013 (após a pausa da Copa das Confederações, o Galo enfrenta o Newell’s Old Boys da Argentina na semifinal), muito se deve a Luan. Foi ele que conseguiu o empate milagroso nos acréscimos na cidade de Tijuana – não fosse a também milagrosa e épica defesa de Victor no jogo de volta, o gol de Luan no México seria o grande marco emocional das quartas de final para a torcida do Galo.

Luan é baixinho, invocado e, assim como Alex Alves, cabeludo e maluco. Sempre que entra em campo, promove um verdadeiro escarcéu na defesa adversária. Há quem acredite que ele já está sendo treinado e orientado para assumir a posição de Bernard, que tem enormes chances de ser negociado após a participação alvinegra na Libertadores deste ano. Se, assim como Alex Alves, Luan começar a pensar (além de transpirar), tem tudo para entrar para o rol dos ídolos do Atlético-MG.

Colaboração de Osmar Junior

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Alexandre Perdigão é Mineiro, estudante de Direito, ex-futuro Engenheiro Químico, Técnico em Radiologia, apaixonado pelos esportes e principalmente pelo futebol. Graças a seu pai é torcedor roxo(ou azul) do Cruzeiro. Dizem que sua primeira palavra foi "Goool".