O que mudou no Cruzeiro de Roth para o de M. Oliveira?

  • por Alexandre Reis
  • 6 Anos atrás

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Desde que chegou ao comando técnico do Cruzeiro, em dezembro de 2012, Marcelo Oliveira, juntamente com a diretoria do clube, tem feito várias mudanças na equipe que foi nona colocada no Brasileirão do ano passado. O time foi completamente reformulado, as lesões não vêm atrapalhando constantemente o trabalho do treinador, os reforços têm sido, em sua maioria, úteis e precisos, e o rendimento, consequentemente, teve gradativa melhora.

Uma das várias alterações foi a política de contratações. De aproximadamente vinte e uma aquisições feitas ao longo do ano passado, somente cinco permaneceram para a temporada atual. Dessas, três são reservas atualmente e duas – Borges e Ceará – fazem parte do 11 inicial. Para esse ano, Marcelo Oliveira e a diretoria trouxeram reforços de renome, como Diego Souza, Dagoberto, Everton Ribeiro e o recém-chegado Dedé, todos titulares absolutos. Além disso, chegaram jogadores que foram destaque na Série B em 2012, como Lucca, Ricardo Goulart e Egídio – o último também é titular. Todos já balançaram as redes e mostraram algum retorno. O novo elenco conta, ainda, com Bruno Rodrigo, que veio para fazer dupla de zaga com Dedé e também já marcou gols. Montillo, que já não vinha respondendo à altura, foi vendido no início de 2013 para o Santos e a equipe, antes totalmente dependente do meia argentino, começou a se formar.

No que consta à formação tática, o Cruzeiro de 2013 teve uma evolução enorme. Com Celso Roth, a equipe se apresentava em um 4-3-1-2 retrancado, com Montillo por vezes isolado no meio e a trinca de volantes quase sempre presa no campo defensivo, o que sobrecarregava o cada vez mais decadente argentino na armação. As diversas lesões forçavam o treinador a improvisar jogadores em determinadas posições, como foram os casos de Léo, que, em alguns jogos, assumiu o posto de lateral direito, e Everton, que deixou o meio campo para compor a lateral esquerda.

O defensivo 4-3-1-2 de Celso Roth

Com Marcelo Oliveira, o ofensivo 4-2-3-1, com Dagoberto à esquerda, Everton Ribeiro à direita, Diego Souza centralizado e Borges mais à frente, rendeu uma ótima sequência de invencibilidade no início do ano. O técnico, que teve pouco tempo para montar um time por completo, conseguiu colocar o Cruzeiro nos eixos. Foi o melhor começo de temporada da história do clube. Nos jogos iniciais do Campeonato Brasileiro de 2013, porém, apesar de a equipe ter terminado a 5ª rodada perto do G-4, o meio de campo celeste não brilhou, mas é, sem dúvidas, o ponto forte desse novo elenco. Nas cinco primeiras rodadas, foram 11 gols marcados. É, momentaneamente, o melhor ataque da competição. No Brasileirão de 2012, o time de Celso Roth foi à rede 5 vezes nas 5 rodadas iniciais (duas contra Sport e Figueirense, equipes rebaixadas no mesmo ano).

O 4-2-3-1 de Marcelo Oliveira.

No banco de reservas, Marcelo Oliveira tem à disposição alguns jogadores da base, como Élber, Vinícius Araújo, Lucas Silva e Mayke, e vem acionando-os em algumas ocasiões. O primeiro, ao longo de 2012, atuou em 17 jogos e marcou duas vezes. Em 2013, o meia-atacante já participou de 12 partidas e marcou 3 gols. O segundo, que foi destaque no Campeonato Brasileiro sub-20 do ano passado, realizou 6 jogos – 5 pelo Campeonato Mineiro e 1 amistoso, e anotou 2 tentos. Mayke, outra revelação da base celeste, vem substituindo por vezes Ceará e tem correspondido.

Como dito, Roth optou, na maioria dos jogos, por um esquema com 3 volantes e somente um armador, Montillo, que estava em queda de rendimento. Como os volantes Marcelo Oliveira e Sandro Silva/William Magrão não tinham qualidades suficientes para apoiar o ataque, esse setor, consequentemente, ficava prejudicado e altamente dependente de Martinuccio, que teve um excelente rendimento no returno do Brasileirão daquele mesmo ano. Vale ressaltar ainda que Celso Roth, devido aos vários problemas de escalação, só conseguiu repetir o time titular na 28ª rodada. Marcelo Oliveira, já no segundo jogo, conseguiu tal feito.

A expectativa é que esse novo Cruzeiro faça uma temporada melhor que a do ano passado, sem que as lesões e os constantes tropeços vistos em 2012 atrapalhem o trabalho do novo técnico. O clube, que não disputa uma Libertadores desde 2011, aposta no caminho mais curto para conseguir uma vaga para o torneio intercontinental, que é vencer o título da Copa do Brasil. Com a reinauguração do Mineirão e um elenco totalmente novo, e ainda com contratações pontuais, o que se espera também é uma campanha de destaque no Campeonato Brasileiro. A reformulação foi feita com rapidez e tem dado sequência. A tendência é, com o tempo, progredir e permitir melhores resultados. É o que espera o torcedor cruzeirense.

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Estudante de Jornalismo, apaixonado por futebol. Seja a final da Copa do Mundo, as semifinais de uma Copa Rural, um jogo da Liga dos Campeões ou eliminatória da 4° divisão de algum campeonato amador do interior.