Obrigado, Iniesta

  • por Henrique Souza
  • 8 Anos atrás

Copa das Confederações. Brasil, 16 de junho de 2013. Em um domingo à noite, pouco mais de 41 mil pessoas deixaram o conforto de seus lares, numa noite nublada e com momentos chuvosos, para ir até a Arena Pernambuco e assistir à partida entre Espanha e Uruguai. Craques como Forlán, Suárez, Xavi, Casillas e outros desfilando pelo belo estádio.

Já no aquecimento, é possível enxergar algo de diferente na seleção espanhola. O foco é sempre no passe, o fundamento é de longe o mais exigido nos atletas espanhóis. Um exercício simples, tão repetido aqui e no mundo todo, como a roda de bobinho, ganha status de treinamento de elite nos pés dos jogadores da seleção. Toques rápidos, sempre de primeira, fazem a bola rodar e passear por todos os locais do campo. Não há meio termo. Todos os atletas são capazes de passar a bola corretamente. É o tiki-taka, estilo de toques curtos e ligeiros que faz o time manter a posse de bola até criar oportunidades de gol.

Quando o apito do juiz soa para o começo do jogo, logo a Espanha domina as ações. Marcação adiantada, compactação de espaços e muito tiki-taka. Mas já nos primeiros momentos da partida, apenas um homem canaliza as atenções. Andrés Iniesta. Calmo fora de campo, tímido, avesso a grandes badalações, Iniesta, ou Don Andrés, como também é conhecido, prefere falar com a bola nos pés. E quando faz isso, torna-se um dos mais eloquentes. A sensação de vê-lo ao vivo é diferente de assisti-lo pela televisão. Sabe-se que é um dos melhores do mundo. Mas assim como outros craques, só no estádio conseguimos ter uma dimensão mais exata do seu talento.

Foto: Reprodução - Atuação de gala contra o Uruguai.

Foto: Reprodução – Atuação de gala contra o Uruguai.

Dribles curtos, passes perfeitos, agilidade, controle e condução de bola excepcionais. Características também presentes em tantos outros que marcaram época no futebol, como Messi e Zidane. Ao francês, Iniesta se assemelha não somente pela careca ostentada, mas também pela simplicidade e beleza do seu estilo de jogo. Um jogador que procura a glória não apenas para si, mas sobretudo para a equipe. Os gols da Espanha foram marcados por Pedro e Soldado, mas o grande craque da partida foi Iniesta. Um jogador que só decide em momentos necessários, como na semifinal da Liga dos Campeões contra o Chelsea em 2009, ou contra a Holanda na final da última Copa do Mundo. O espanhol chega ao ponto de parar com a bola nos pés esperando o apoio dos companheiros antes de dar prosseguimento às jogadas.

Mesmo que a Espanha tenha sido vaiada em alguns momentos na Arena Pernambuco, certamente Iniesta foi aplaudido no coração de todos. Vê-lo jogar fez valer a pena enfrentar metrôs e ônibus lotados, chuva no caminho para o estádio e tantos outros percalços. A ele, só posso dizer: Muito Obrigado, Iniesta. Obrigado por ser este artista da bola. Ou simplesmente, obrigado por jogar futebol, Andrés Iniesta.

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Doente por futebol desde que se conhece por gente. Formado em Educação Física e estudante de jornalismo. Apaixonado por jogos e times clássicos. Considera Zidane, Ronaldo, Romário e Messi os maiores que viu jogar.