Thiago Silva é o capitão ideal para a Seleção Brasileira?

"Sou o cara, fera!"

“Sou o cara, fera!”



Lembro que quando criança (na era Dunga) eu pensava que o capitão era proibido de fazer gol porque Dunga não fazia. Ficava me perguntando: “Poxa, se esse cara é o capitão, deveria ser o melhor jogador, driblar todo mundo e marcar o gol”. Óbvio que depois aprendi sobre a função e passei da frustração à completa admiração sobre a responsabilidade que é ser capitão. Isso basicamente esteve em toda minha vida esportiva. No futsal, vôlei e basquete, sempre fui capitão das minhas equipes, mas como ninguém aqui quer saber da minha vida, eu faço então uma pergunta: Thiago Silva é um bom capitão?

Antes disso, vamos conhecer as histórias mais famosas sobre os capitães da seleção brasileira. Claro não dá para citar todos, pois às vezes a realização de amistosos fazem com que outros jogadores sejam capitães por apenas um ou dois jogos. Mas temos uma lista dos capitães nas copas do mundo:

COPA – CAPITÃO
 
1930   Preguinho


1934   Martim
1938   Martim e Leônidas
1950   Augusto
1954   Bauer
1958   Bellini
1962   Mauro
1966   Bellini (Orlando Peçanha)
1970   Carlos Alberto Torres
1974   Piazza (Luís Pereira e Marinho Peres)
1978   Rivelino (Leão)
1982   Sócrates
1986   Edinho
1990   Ricardo Gomes
1994   Raí (Dunga)
1998   Dunga
2002  Cafu

De todos os citados, destacamos, claro, além dos campeões mundiais, Sócrates (de liderança indiscutível não apenas na seleção mas também no Corinthians). Mas diferente do que acontece nos esportes mais praticados nos EUA, o capitão no Brasil, e praticamente em todo futebol mundial, não é necessariamente o melhor. Nos EUA, por exemplo, em categorias menores, o melhor jogador tecnicamente tem que aprender a liderar na marra, tem que ser o exemplo do time dentro e fora do campo de jogo. No Brasil, em categorias menores, ou o garoto é filho de alguém importante ou é o que mais grita e xinga e faz-se assim mais respeitado pelos outros. Claro que no futebol profissional isso muda de figura e alguns aspectos psicológicos são levados em conta na hora da escolha.

LIDERANÇA – Um bom capitão precisa primordialmente ter uma excelente liderança. Se o capitão não se faz respeitado pelos outros jogadores, há uma tendência muito grande de surgir insatisfações após reuniões em que o CARA decide coisas em relação ao time juntamente com a diretoria. Esqueçam esse papo de amizade, o fator que rege a relação entre jogador e dirigente é o dinheiro e se isso não for bem administrado pelo capitão (premiação, bônus, promessas, folgas, concentrações) certamente é uma fagulha poderosa para surgir crises no balneário. Dunga talvez seja o exemplo máximo de capitão que temos no futebol brasileiro dos últimos 20 anos. Não podemos esquecer também de Rogério Ceni.

INFLUÊNCIA – Sabe aquele seu amigo que só fala besteira e leva todo mundo a fazer besteira com ele? Isso se chama influência. Alguns capitães não necessariamente têm o poder de liderança, mas possuem influência suficiente para fomentar opiniões dentro do campo e fora dele. Um bom exemplo disso é o Ronaldinho Gaúcho, que impõe superioridade pelo histórico e capacidade técnica e não necessariamente pela liderança na forma tradicional que conhecemos (se é que podemos falar assim).

CARISMA – Alguns jogadores (capitães sem braçadeira) são escolhidos dentro do grupo como sub-capitães ou vice-capitães… Ferguson dizia que seu time deveria ter um capitão em cada setor do campo: defesa, meio e ataque. No United, eram Ferdinand, Giggs, e Rooney. Mas falando de carisma, alguns jogadores, por serem naturalmente bons de papo e formadores de opinião dentro do elenco, sobressaem-se pela personalidade e segurança nos momentos de decisão e crise. Vampeta no seu período dentro do Corinthians personificou bastante essa característica. Apesar de não ter a braçadeira, o atleta era notadamente um dos líderes do elenco e participava de todas as decisões mais importantes, além de assumir a “responsa” nos momentos difíceis. Como eu citei, percebe-se que essa é uma característica que ele teria mesmo se não fosse jogador profissional.

COMANDO – Alguns dizem que o capitão tem que ser o técnico dentro de campo. Não concordo com isso, até porque não vejo Neymar sendo técnico de qualquer time, mas ainda assim o jovem já foi capitão do Santos e Seleção Brasileira. No entanto, a junção das três características supracitadas gera o tradicional COMANDO. Em nosso caso, um país de apaixonados 200 milhões de torcedores, uma seleção de apenas 23 convocados, de um esporte que só 11 jogam de vez, e nisso apenas 1 lidera, é incabível conceber que o capitão não possua o comando do grupo. Veja que em 2002, quando Emerson machucou-se na véspera da estréia, Cafu foi um nome incontestável na escolha e entrou para a história. O mesmo não procede quando Thiago Silva fica de fora da Seleção. Não consigo enxergar David Luiz comandando um vestiário jovem e sem tanta experiência internacional, e apesar dos elogios de Felipão, falta um pouco de “história” a Fred para poder gritar com o grupo no momento de maior dificuldade. O COMANDO ainda passa pela postura do jogador na concentração, o equilíbrio entre cobrança forte e moderada dos colegas, além de ligações e contatos com os mesmos no período entre jogos (em termos de seleção).

Thiago Silva ser o primeiro brasileiro a erguer a taça mundial no Brasil

Thiago Silva ser o primeiro brasileiro a erguer a taça mundial no Brasil



Para sabermos se Thiago Silva é um bom capitão ou não, vamos então tomar por base os 5 capitães campeões do mundo com o Brasil.
(perfil traçado pelo site www.euvivoaselecao.com.br)

1- Bellini – Na Copa do Mundo de 1958, na Suécia, o zagueiro Hilderaldo Luiz Bellini, conhecido apenas como Bellini, foi o primeiro capitão da Seleção Brasileira a realizar um gesto emblemático: levantar a taça de campeão mundial. No futebol, Bellini atuou por Sanjoanense, Vasco da Gama, Fluminense, São Paulo e Atlético Paranaense. O Brasil de 1958 era formado por: Gilmar; Djalma Santos, Orlando, Bellini e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá; Pelé e Zagallo.

2- Mauro – Assim como Bellini, Mauro foi mais um zagueiro a erguer a taça de campeão do mundo. Ele foi o responsável pela braçadeira do Brasil no bicampeonato de 1962, no Chile. O Brasil de 1962 era formado por: Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo e Nilton Santos, Zito e Didi; Garrincha, Vavá; Amarildo (Pelé) e Zagallo.

3- Carlos Alberto Torres – Para muitos, a Seleção Brasileira de 1970 foi uma das melhores equipes de toda a história do futebol. E Carlos Alberto Torres é o capitão dela. Com um vigor físico invejável, o “Capita” é visto como um dos maiores jogadores da história e um dos grandes nomes da Copa do Mundo de 1970, no México. O Brasil de 1970 era formado por: Félix; Carlos Alberto Torres, Piazza, Brito e Everaldo; Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Tostão, Pelé e Jairzinho.

4- Dunga – O espírito guerreiro fazia de Dunga a imagem perfeita de um capitão. Ele foi o comandante do meio de campo da Seleção Brasileira na conquista do tetracampeonato mundial, nos Estados Unidos. Dunga foi também capitão da equipe canarinho na Copa do Mundo de 1998, na França. O Brasil de 1994 era formado por: Taffarel; Jorginho, Márcio Santos, Aldair e Branco; Mauro Silva, Dunga, Zinho e Mazinho; Romário e Bebeto.

5- Cafu – Titular absoluto da Seleção Brasileira em três Copas do Mundo (1998, 2002 e 2006), Cafu é o exemplo de líder carismático e, com isso, foi o dono da braçadeira de capitão no Mundial do Japão e da Coreia do Sul. Mesmo sem muitos gols com a camisa do Brasil, o lateral direito era um exímio cruzador de bolas à área, assim como grande marcador na defesa. O Brasil de 2002 era formado por: Marcos; Cafu, Lúcio, Roque Júnior e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Edmílson, Kléberson e Rivaldo; Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo.

Será que ele está pronto ?

Será que ele está pronto ?



Thiago Silva foi capitão no Fluminense, Milan, PSG, e Seleção. Tem a tarefa de substituir um grande líder (Lúcio) e liderar a geração que possui a maior distância na história entre PREPARAÇÃO e RESPONSABILIDADE QUE LHE ESPERA para a Copa do Mundo. Tem ao seu favor o fato de ter vivido o ambiente da copa de 2010 e pode usar isso como seu trunfo na hora de argumentar. Sua LIDERANÇA é indiscutível assim como a PERSONALIDADE (alguém aí imaginou um capitão sem personalidade?). Seu CARISMA talvez não seja o mais explorado pela imprensa esportiva, mas é denunciada pelas fotos publicadas nas redes sociais com os companheiros de concentração. Isso tudo somado ao momento e perfil de jogadores que integram a seleção e que garantem a ele uma INFLUÊNCIA grande dentre todos os jogadores do selecionado. Seu COMANDO, por fim, foi comprovado ainda essa semana, quando ele peitou José Maria Marin e disse que o prêmio para o elenco foi baixo e cobraria uma premiação maior (tudo isso depois de Marín sair da entrevista dizendo que o que menos importava aos jogadores era a premiação). Por tudo isso que escrevi, defendo Thiago Silva como um dos melhores capitães no mundo hoje. Suas trocas de time por motivos diversos (rescisão, lesão, dinheiro, contratos e oportunidades) podem mascarar suas qualidades de capitão, porém é o jogador mais preparado deste time para levantar a taça em 2014. Sua ausência causaria uma enorme descentralização no vestiário, o que, em caso de esportes coletivos, é uma cilada fatal!

Comentários

Thiago Batista estuda Direito e é um fanático por futebol. Desconta toda sua ira de não ter se profissionalizado, escrevendo e analisando as partidas de futebol! Acredita que o brasileiro precisar ter mais acesso a números, dados, análises e visões filosóficas do jogo pois assim se "degusta" melhor o produto!