Todo time precisa de um Alex

Craque coxa-branca marca seu 400º gol e coloca o time na liderança do Brasileirão

A noite de quinta-feira começou com mil promessas para a torcida do Coritiba. Caso vencesse a partida diante do Fluminense no Couto Pereira, o time assumiria a liderança isolada do campeonato. Para muitos, feito sem importância – o Brasileirão está apenas na quarta rodada. Para os alviverdes, uma luz que há muito tempo não brilhava no Alto da Glória: o Coxa não alcançava a ponta da tabela desde 2002.

O prognóstico motivado pelos dois últimos resultados revelava um futuro incerto: os empates fora de casa contra Bahia e Goiás prometiam um grande desafio frente ao atual campeão brasileiro. Contudo, se o lado tricolor é formado por um plantel recheado de craques, a ala verde-branca precisa de apenas um. “Alex, Alex, Alex”, como ecoou a torcida depois do 400º gol do craque na carreira.

Alex: o craque que veste a camisa e sente a emoção

Alex: o craque que veste a camisa e sente a emoção. Foto: Divulgação/Coritiba

Com um passe divino, o ídolo coxa-branca permitiu que Robinho abrisse o placar para o mandante. O Coritiba sofreu o empate numa jogada aérea, ainda no primeiro tempo. Do gol tricolor a quase todo o resto do jogo, o Fluminense mandou e desmandou no campo adversário. Ajudado pelo meio-campo falho do Coxa, o time carioca não virou o jogo por uma questão de detalhes. E aí (ou “daí”, como dizem os curitibanos) a estrela brilhou. Aquela, talvez esquecida na camisa alviverde, que se confunde com aquela que viajou o Brasil e o mundo, mas voltou aos campos do Coritiba. Alex.

Aos 42 minutos da etapa complementar, no melhor estilo haja coração, Alex chutou uma bomba no meio do gol que deixou Berna constrangido. O velho senhor Couto Pereira quase não aguentou a emoção do torcedor coxa-branca. O craque levava o time à liderança do campeonato e carimbava seu gol de número 400, numa partida difícil e improvável. O brilho nos olhos de Alex depois que a bola tocou as redes comprovou o que os céticos insistem em negar: ainda existe paixão no futebol.

As quatro centenas de gols colocam o craque, em números, à frente de Maradona (353) e Ronaldinho Gaúcho (298). De acordo com dados que o próprio jogador estampou em seu perfil no Twitter, o raio-x dos tentos é o seguinte: 185 pelo Fenerbahçe; 78 pelo Palmeiras; 64 pelo Cruzeiro; 2 pelo Parma; 3 pelo Flamengo; 20 pela Seleção Brasileira e 48 pelo Coritiba.

Ídolo no Palmeiras, ídolo no Cruzeiro e ídolo na Turquia. Por onde passou, foi reverenciado. Só que, no Coritiba, mais do que uma história, Alex descobriu o amor pelo futebol. O amor moleque, o amor das arquibancadas. O amor da vida inteira. Todo time precisa de um Alex, para resolver um jogo e para levar na história.

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Desde pequena, arriscou no esporte. Foi jogadora de tênis, mas pendurou as raquetes ao perceber que sua vocação era nos bastidores das modalidades. Apaixonou-se por futebol aos 11 anos, quando o pai a levou ao estádio pela primeira vez. Terminou a gloriosa carreira no futsal aos 16 anos, depois de defender um pênalti na final da liga do Ensino Médio. Cultiva com orgulho, desde 2010, o blog "Entrando no Jogo". Apresentadora de TV, comentarista de rádio, boa tenista, goleira mediana e péssima nadadora.