A carta de Felipão

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Há pouco mais de sete meses, Luiz Felipe Scolari era anunciado como novo técnico da seleção brasileira. Mas definitivamente, não era um nome que inspirava confiança no torcedor. Há anos sem fazer bons trabalhos, completamente desacreditado, o treinador gaúcho tinha em mãos a oportunidade de reerguer sua carreira e dar continuidade à sua bela história no comando técnico da Seleção. O desafio era enorme: liderar um grupo jovem e inexperiente rumo a uma Copa do Mundo dentro de casa, com todos as vantagens e dificuldades que ela poderá trazer.

Naquela ocasião, qualquer brasileiro que cogitasse a conquista da Copa das Confederações – um torneio que teria a participação de campeões do mundo como Uruguai, Itália e a temida Espanha – seria tachado de lunático. O Brasil estava a léguas de distância das principais seleções do mundo, e até mesmo a torcida nas arquibancadas era vista como um potencial adversário.

No entanto, Felipão vem, mais uma vez, conduzindo seu trabalho de forma irretocável. Aproveitou boa parte da base deixada por Mano Menezes, e introduziu no time os seus conceitos. Apostou num volante de contenção e num centroavante de ofício, que mudaram a cara do time e se firmaram. Fora de campo, conseguiu criar um ambiente que deixou os jogadores à vontade, entre si e perante a imprensa. Blindou seu principal craque, uniu o grupo e conquistou a torcida.

Blindado pelo comandante, Neymar viveu seus melhores momentos na Seleção.

Blindado pelo comandante, Neymar viveu seus melhores momentos na Seleção.

Seu jeito carismático e seu histórico na seleção brasileira ajudaram a aliviar um pouco o peso das críticas que acompanhavam a seleção desde a Era Dunga. Mesmo com as más atuações nos primeiros amistosos, sua postura protegeu os jogadores e mostrou que, talvez, o que a Seleção mais estivesse precisando era apenas de tranquilidade para que os atletas acreditassem mais em si mesmos e concretizassem todo o seu potencial.

Sem fugir ao seu estilo “paizão”, na manhã da finalíssima da Copa das Confederações, Felipão enviou uma carta para cada um de seus jogadores. No texto, palavras de motivação e citações célebres, que ajudaram a transformar um adversário aparentemente imbatível em presa fácil. Assim, aglutinando as principais forças de seu grupo e sua torcida, Scolari segue escrevendo sua trajetória na Seleção – e tornando cada vez mais reais as chances de uma boa campanha em 2014.

Abaixo, a carta do treinador:

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Jornalista recifense, sócio-diretor do Doentes por Futebol, editor da Revista Febre. Curioso observador de tudo o que cerca o futebol brasileiro e internacional.