À espera de um milagre

  • por Caio Feitosa
  • 8 Anos atrás

Apesar do Campeonato Brasileiro ter apenas 7 rodadas concluídas, já é possível garantir com certa segurança que um time está praticamente rebaixado para a Série B. É o Náutico. Mesmo algumas outras equipes estejam mostrando um futebol de baixa qualidade, o que se vê na Avenida Rosa e Silva, 1086 é uma soma de problemas que torna a crença na permanência na Série A algo apenas para os mais otimistas.

O clube começou 2013 de forma promissora, renovando com o então técnico Gallo além de 8 dos 11 titulares da boa campanha de 2012. Como não jogou o Nordestão, iniciou o inútil primeiro turno do estadual com o time de juniores e deu 30 dias de pré-temporada aos profissionais. Até que a CBF levou Gallo para a Seleção Brasileira de base. Daí pra frente tudo desandou.

Dos 8 titulares que renovaram, dois saíram ainda em fevereiro. Araújo foi para o Atlético/MG (hoje está no Goiás), alegando que o Timbu lhe devia 3 meses de recolhimento do FGTS, e Kieza partiu para o futebol chinês. Alemão não foi sombra do zagueiro do ano anterior e foi dispensado ao fim do estadual. Martinez passou o semestre inteiro entre atuações medíocres e o departamento médico, assim como Elicarlos. Felipe, criticadíssimo pela torcida, foi para o banco e Jean Rolt sempre esteve machucado. E Douglas Santos foi vendido para o Granada. Ou seja, a base montada no início do ano, se desmontou completamente.

Para substituir o comandante, o Náutico trouxe Vágner Mancini, demitido ainda no estadual. Para o seu lugar, veio Silas, que achou que o Náutico tinha um time competitivo e montou uma equipe com 3 atacantes jogando pra cima, deixando a fraca defesa exposta. Acabou demitido. O atual treinador é o fraquíssimo Zé Teodoro, iniciante em Série A e que tem um histórico fraco em Brasileiros nas Séries B e C. Mesmo com a parada da Copa das Confederações e com alguns reforços, o time mostra um futebol ainda pior, totalmente desorganizado, tomando gols em falhas bisonhas de cobertura e posicionamento, jogadores correndo como “baratas tontas”, sem função, e setores completamente distanciados e descompactados. Está muito claro que o clube terá um quarto treinador no ano, pois com o atual não haverá grande evolução. Tanto é que em dois jogos teve duas derrotas, uma delas em casa para a fraca Ponte Preta, a qual venceu com enorme facilidade.

FOTO: Blog do Torcedor - Gallo, Vágner Mancini e Silas. Todos ex-treinadores do Náutico em 2013

FOTO: Blog do Torcedor – Gallo, Vágner Mancini e Silas. Todos ex-treinadores do Náutico em 2013

Tantas mudanças de treinador refletem a incompetência da diretoria do clube. No começo do ano, o presidente Paulo Wanderley fez uma troca inexplicável na administração do futebol. Trocou o diretor remunerado Carlos Kila (que fez bom trabalho) pelo Cel. Daniel Freitas, que estava no Vasco e tinha fama de desagregador. Fama que foi confirmada no Recife, segundo informações internas do clube, tanto é que o mesmo foi recentemente demitido do cargo por pressão do colegiado de influentes alvirrubros montado 2 meses atrás. Tal colegiado é formado por 17 membros, incluindo os ex-presidentes Ricardo Valois e André Campos, o ex-prefeito do Recife Gustavo Krause e até o candidato de oposição na eleição de 2011, Marcílio Salles. Isso tudo só comprova a falta de unidade do grupo que hoje comanda o futebol do clube.

Na montagem do grupo, mais erros da diretoria no ano da maior receita do clube. Para as laterais, pro lugar de Douglas Santos e Patric, que acertaram o time defensivamente, vieram as “avenidas” Eltinho e Maranhão, alas que não marcam ninguém. Para a zaga, chegou o fraquíssimo William Alves, pela grife de meia dúzia de bons jogos num estadual pelo Santa Cruz, além do mediano João Filipe. Para o lugar de Souza, o garoto Marcos Vinícius, que, apesar de talentoso, ainda não mostrou maturidade. Elton, que seria o substituto de Kieza, já deixou o clube. Sem contar com o vexame Lucho Figueroa, que foi contratado e, ao chegar no Recife, não ficou no clube. Outro vexame pode se repetir com o argentino Diego Morales, pois o Al-Ahli (Arábia Saudita) foi à FIFA pedindo o retorno do atleta, alegando que o mesmo tem contrato vigente com o clube.

FOTO: LanceNET - Diego Morales dá entrevista com camisa do Náutico e pode deixar o clube sem sequer jogar.

FOTO: LanceNET – Diego Morales dá entrevista com camisa do Náutico e pode deixar o clube sem sequer jogar.

Além de tudo isso, o Náutico ainda tem mais uma dificuldade: adaptar-se à rotina da Arena Pernambuco. O clube fez um ótimo negócio, mas o estádio novo é totalmente o oposto do que era o estádio Eládio de Barros Carvalho. Enquanto a Arena fica a 20km do centro, tem ótima estrutura e gramado e 45 mil lugares encadeirados, o seu antigo campo era acanhado, arquibancadas abarrotadas nos 20 mil lugares (em pé) disponíveis, gramado alto muito reclamado pelos adversários.

Juntando todos esses fatores, fica muito complicado acreditar na permanência do clube na Série A. Mesmo assim, ainda existe um fio de esperança. Elicarlos, Jean Rolt e Martinez, destaques de 2012, estão próximos de voltar a jogar. O bom goleiro Ricardo Berna e o centroavante uruguaio Olivera (que durante a semana fez 8 gols em um único treinamento), ídolo do Peñarol, estrearam contra o Cruzeiro. O meia venezuelano Angelo Peña ainda está para estrear e outra boa opção no elenco é o argentino Diego Morales, caso fique no clube. Resta ao torcedor que esses 7 jogadores entrem na equipe e se entrosem a tempo de compensar o tempo perdido. Sem esquecer que vai precisar trocar o treinador e torcer para que finalmente a diretoria acerte no comandante da equipe. Fazer tudo isso com a competição em andamento e ter a sorte para o time dar certo (pois até mesmo esse time titular não é nada de espetacular, é apenas competitivo para briga de rebaixamento) é torcer por um milagre. Pois atualmente, até comparado aos times mais fracos da Série A, o Náutico ainda está muitos degraus abaixo na bola jogada. Essa revolução tão rapidamente, se acontecer, poderá ser considerada como milagre.

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Fanático pelo Calcio e pelo futebol nordestino, recifense, torcedor do Clube Náutico Capibaribe, ex-narrador esportivo de (projeto de) web-rádio e estudante de Engenharia Química.