A influência da fase do Atlético sobre o Cruzeiro

  • por Levy Guimarães
  • 7 Anos atrás

De 2003 a meados de 2011, o torcedor do Cruzeiro se acostumou a ver o seu time sempre como o mais forte de Minas Gerais. Enquanto a Raposa vivia nas primeiras posições do Campeonato Brasileiro e ao mesmo tempo disputando a Copa Libertadores (torneio que quase conquistou em 2009), o Galo, após ter sido rebaixado em 2005 e disputado a série B em 2006, constantemente brigava para fugir de uma nova queda para a 2ª divisão. Mesmo no ano em que o Atlético brigou pelo título brasileiro em boa parte da temporada – 2009 -, sofreu uma queda vertiginosa nas últimas rodadas e foi ultrapassado pelo rival. Isso sem contar as goleadas históricas: 5×0 no Mineiro em 2008 e 2009 e os 6×1 na última rodada do Brasileirão 2011, livrando o Cruzeiro do rebaixamento.

Entretanto, no ano passado, essa ordem mudou em Belo Horizonte. Quem disputou as primeiras posições do Brasileirão foi o Atlético, enquanto o Cruzeiro fazia uma campanha insossa, terminando no meio da tabela. Já em 2013, veio a confirmação do momento histórico vivido pelo clube alvinegro com o título inédito da Libertadores. Mas o Cruzeiro não quer deixar barato.

Desde o início do ano, a diretoria celeste não vem medindo esforços para montar um elenco forte e contratar nomes de peso para retomar o domínio sobre o futebol do estado. Logo no fim de 2012, trouxe o meia Diego Souza, que, apesar de não ter rendido o esperado (já foi até vendido ao futebol ucraniano), era um jogador com boas passagens por clubes grandes do Brasil e que tinha potencial para fazer mais com a camisa celeste.

Foto: reprodução - Apesar de não ter dado certo no Cruzeiro, Diego Souza era o prenuncio de que o clube investiria em  jogadores renomados

Foto: reprodução – Apesar de não ter dado certo no Cruzeiro, Diego Souza era o prenuncio de que o clube investiria em jogadores renomados

Em 2013, o investimento em reforços foi pesado: somente Dagoberto, Everton Ribeiro e Dedé, juntos, custaram aos cofres cruzeirenses mais de R$ 20 milhões, fora contratações como Ricardo Goulart e Lucca, jogadores promissores vindos de equipes menores, além de outras peças que saíram baratas e se encaixaram bem no time, a exemplo de Nílton e Bruno Rodrigo. Para fechar o elenco, mais uma contratação de peso anunciada na última semana: Júlio Baptista.

Foto: reprodução - Everton Ribeiro e Diego Souza sendo apresentados na Toca II

Foto: reprodução – Everton Ribeiro e Dagoberto sendo apresentados na Toca II

É inegável que a competência do diretor de futebol Alexandre Mattos tem sido fator preponderante para o bom mercado que o Cruzeiro vem fazendo desde janeiro. O dirigente conseguiu contratar praticamente todos os jogadores que tentou, sendo o principal responsável pelas negociações. Mas pode-se dizer também que a rápida ascensão atleticana influenciou o Cruzeiro a voltar a ter a ambição de outrora e montar times competitivos. Afinal, para quem se habituou a estar num patamar acima do rival, incomoda vê-lo em situação de superioridade. A fome por títulos e por grandes contratações aumenta, a rivalidade se acirra ainda mais e a diretoria faz questão de que a equipe volte e posteriormente se mantenha no topo.

Foto: reprodução - Por R$ 14 milhões, Dedé foi a contratação mais cara da história do Cruzeiro

Foto: reprodução – Por R$ 14 milhões, Dedé foi a contratação mais cara da história do Cruzeiro

Os efeitos disso já estão aparecendo. Além de possuir um time titular forte e um banco repleto de boas opções, o Cruzeiro faz um ótimo início de Campeonato Brasileiro. Após 9 rodadas, é líder com o melhor ataque da competição e promete se manter, no mínimo, na disputa por uma vaga na Libertadores. Além disso, segue como um dos favoritos ao título da Copa do Brasil.

Foto: reprodução - Com direito a apresentação em carro forte antes do clássico contra o Atlético, Júlio Baptista vem para fazer a diferença no time

Foto: reprodução – Com direito a apresentação em carro forte antes do clássico contra o Atlético, Júlio Baptista vem para fazer a diferença no time

Para o bem da rivalidade, nada melhor do que ter os dois grandes do estado disputando títulos de expressão e contratando bons jogadores, fato raro nos últimos anos. Quem agradece é o futebol mineiro, que pode viver um momento histórico neste ano e nos próximos com seus dois gigantes acumulando conquistas nacionais e internacionais.

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Estudante de Jornalismo e redator no Placar UOL Esporte, belo-horizontino, apaixonado por esportes e Doente por Futebol. Chega ao ponto de assistir a jogos dos campeonatos mais diversos e até de partidas bem antigas, de décadas atrás.