Análise tática: Atlético-MG 2 x 0 Newell’s Old Boys

  • por João Vitor Poppi
  • 7 Anos atrás

Galo forte, vingador!

Cuca preparou o time escalado no habitual 4-2-3-1, para buscar um gol no início do jogo, uma das maneiras de reverter o difícil 2×0 construído pelo time de Rosário. E assim o fez. Em passe profundo de Ronaldinho, Bernard fez a diagonal da direita para a esquerda e abriu o placar com três minutos de partida. O Atlético-MG estava agora a apenas um gol de deixar o placar agregado empatado. Existia outra forma de se aproximar ainda mais do segundo gol: matar o contra golpe do Newell’s Old Boys.

O time treinado por Gerardo Martino foi acuado pela marcação adiantada, postura ofensiva e imposição de jogo atleticana. Quando tinha a posse de bola, o NOB, postado no 4-1-4-1, recuava Mateo entre os zagueiros para buscar realizar a saída de bola pelos flancos. O Galo não permitiu. Com a zaga alvinegra adiantada, o lateral subia até se aproximar do meia/ponta, encurtando o espaço pela lateral, com o volante mais próximo vigiando a marcação por ali – isso ocorreu muito pelo setor defensivo esquerdo do Atlético, com Richarlyson e Josué, pois era por onde o adversário mais tentava sair pro jogo. A saída de bola argentina estava sendo sufocada, a transição ofensiva foi exterminada.

Sem possibilidades de sair pro jogo com a bola no pé e de aplicar as famosas trocas de passes dos times argentinos, os Leprosos começaram a fazer lançamentos longos para o setor ofensivo. Sem resultado positivo. A bola direcionada a Figueroa, Maxi ou Scocco era antecipada pela zaga atleticana. O ”homem de referência” fez muita falta ao rubro-negro argentino, pois o mesmo não conseguia segurar a bola e acalmar o jogo. Estava feito. Cuca, com um pouco de culpa do próprio time argentino e seu treinador, conseguiu matar o contra-golpe rival, o que empurrava, cada vez mais, o time brasileiro para o campo ofensivo pela segurança na retaguarda.

Galo usou movimentação e marcação pressão para colocar intensidade em seu jogo e sufocar o Newell's. Gilberto Silva fez grande partida, liderando o setor defensivo no 4-2-3-1

Galo usou movimentação e marcação pressão para colocar intensidade em seu jogo e sufocar o Newell’s. Gilberto Silva fez grande partida, liderando o setor defensivo no 4-2-3-1

Pierre e Josué inverteram os lados. O camisa cinco foi deslocado para a direita com a missão de cobrir e dar liberdade para Marcos Rocha (bom no apoio e falho na defensiva). Josué, pela esquerda, ajudou na marcação pressão e, por trás do quarteto ofensivo, dava suporte e fazia a bola chegar ”redonda” à frente.

O time mineiro buscou e entrou na área adversária na base da movimentação. Isso ocorria para facilitar o passe em profundidade (como na jogada em que Tardelli se chocou com o Guzmán ou no gol de Bernard) e os deslocamentos (Josué no fim do primeiro tempo ficou cara a cara com o goleiro, mas perdeu) ganharem mais força. Por vezes, Bernard e Tardelli inverteram os lados – como no primeiro gol – para que ocorresse a diagonal, aumentando ainda mais o poder de infiltração alvinegro na área adversária. 

Ronaldinho não fez uma de suas melhores partidas, mas, além de dar linda assistência para o primeiro gol, não foi omisso. Buscou a aproximação a Bernand – já pelo lado esquerdo, na segunda metade do primeiro tempo -, caia pela esquerda e fazia a bola girar o lado. Mas foi muito mal nas bolas paradas, o que não é de seu costume. Tardelli circulou bastante, se movimentava por vários setores do campo e buscou espaço nas costas dos zagueiros e laterais, vindo de trás. Deu dinâmica ao ataque. Bernard foi o que mais se destacou, não apenas pelo gol, mas pela postura, pela personalidade de partir para o drible e para dentro da zaga adversária. O jovem mostrou estar amadurecendo muito.

O time foi bem na primeira etapa: atacou e anulou os argentinos, mas o segundo gol não veio. Na segunda etapa, as coisas mudaram. A marcação pressão e a compactação ponta/lateral para tirar os espaços pelos flancos e destruir o contra golpe adversário já não eram iguais. Pudera, é praticamente impossível manter aquele ritmo por noventa minutos. O Newell’s Old Bos tem qualidade e, sem estar sendo sufocado, conseguiu colocar a pelota no chão, chegar ao ataque e ter posse de bola. No decorrer do segundo tempo, assustou o Atlético com contra-ataques rápidos e bom toque de bola.

Tudo parecia frio e distante de um final feliz. Até que as luzes do Independência apagaram. Cuca conversou com seu time e voltou ao jogo com Guilherme na vaga de Bernard, que estava muito cansado. Mais tarde, Tardelli deu lugar a Alecssandro. Ronaldinho ganhou novo posicionamento: lado esquerdo, mas afunilando. O Atlético voltou a conseguir pressionar, mas agora com outra receita: jogo forte pelo centro. A força física de Alecssandro e Jô e o talento de Guilherme vindo de trás apareceram. Este último enfim brilhou, anotando o segundo e decisivo gol. Nos pênaltis, Victor e a estrela do Galo brilharam: dois pênaltis desperdiçados por cada equipe e, na última cobrança, Maxi parou em Victor, que tem tudo para ser o herói alvinegro em um eventual título.

Após paralização por falta de luz, Galo conseguiu, novamente, pressionar o adversário

Após paralisação por falta de luz, Galo conseguiu, novamente, pressionar o adversário

Contra o Olímpia, o favoritismo está com o Galo e a postura do time paraguaio irá comprovar isso. As estratégias precisam ser repensadas, o adversário é defensivo, forte na marcação e nas jogadas aéreas ofensivas . A força da torcida e da camisa do time de Assunção pesaram até a decisão e não podem ser desconsideradas pelo Atlético, mas também não devem ser temidas.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.