Análise tática: Atlético-MG 2 X 0 Olimpia

  • por João Vitor Poppi
  • 7 Anos atrás

Brio de campeão

O Olimpia iniciou o jogo como já era esperado. Foi postado no 5-3-2. Com os meias próximos dos laterais, que juntamente aos zagueiros, davam ao time do Paraguai três marcadores de cada lado do campo, trancando os flancos. Diferente foi o posicionamento de Alejandro Silva. O uruguaio foi escalado como meia central (no primeiro jogo atuou como lateral), para ser o desafogo do time em contragolpes.

Olimpia defendendo os flancos com três marcadoresem cada lateral. O lado em que o adversário estava atacando, se compactava com a volta do meia daquele setor - na imagem é o lado esquerdo, com Silva

Olimpia defendendo os flancos com três marcadores em cada lateral. O lado em que o adversário estava atacando, se compactava com a volta do meia daquele setor – na imagem é o lado esquerdo, com Silva

Cuca escolheu por Michel na lateral direita, na vaga do suspenso Marcos Rocha. Com isso, o treinador manteve o habitual 4-2-3-1. O Galo conseguiu realizar metade do processo de construção das jogadas para furar o bloqueio adversário. A bola que saia bem pelos lados era direcionada ao centro de campo, onde existia espaço para articular. Mas faltou a opção para esse passe sair em profundidade, o passe diferenciado não aconteceu. Faltou a diagonal dos pontas – como fez Bernard no primeiro gol contra o Newell’s -, que estavam muito próximos da marcação e não circularam; faltou o ”homem surpresa”, que possa vir de trás. Com esse cenário, a bola tinha que voltar para os lados de campo, onde o Galo chegava até a linha de fundo, mas com a forte marcação lateral, somente alçava bolas na área. O time de Cuca foi previsível no primeiro tempo.

O Rey de Copas atacou mais do que o esperado na primeira etapa, pois quando desarmava conseguia fazer a transição ofensiva com velocidade. O que propiciou esse bom momento do time visitante no jogo foi o espaço existente entre as linhas do Atlético. Em alguns momentos, o time alvinegro mineiro se dividia em, praticamente, dois blocos: defensivo (zagueiros, laterais e Pierre) e ofensivo (linha de três do meio e Jô). Apenas Josué ficava entre eles. Fruto disso foi o Galo não conseguir espremer o adversário na retaguarda, nem marcar pressão.

O 4-2-3-1 habitual do Atlético-MG estava fadado a parar na marcação do 5-3-2, com os lados trancados, do Olimpia e, no primeiro tempo, foi o que aconteceu

O 4-2-3-1 habitual do Atlético-MG estava fadado a parar na marcação do 5-3-2, com os lados trancados, do Olimpia. E, no primeiro tempo, foi o que aconteceu

Em alguns momentos foi possível ver Bernard e Tradelli invertendo os lados, procurando espaço, mas não foi suficiente. A melhor chance dos primeiros 45 minutos foi dos paraguaios, com Silva entrando na zaga adversária na diagonal e perdendo o gol de frente para Victor. Essa jogada mostrou bem como o time treinado por Ever Almeida buscava o gol: ultrapassagens em diagonal, passes profundos e Silva chegando à frente.

O primeiro tempo chegou ao fim e um fato estava desenhado: se o jogo continuasse no ritmo em que estava, o Atlético não iria furar a retranca adversária. Só em caso de um lampejo de craque de Ronaldinho e Bernard, ou uma falha do sólido sistema defensivo do Olimpia… Demorou apenas um minuto para esse último acontecer! Pittoni furou em um cruzamento e Jô não perdoou. O detalhe fica para quem fez o cruzamento: Rosinei. Ele que entrou na vaga de Pierre e deu suporte ao ataque vindo de trás, ocasionando boas jogadas.

No segundo tempo, Rosinei, vindo de trás como ''homem surpresa'', deu nova dinâmica ao meio campo do Galo

No segundo tempo, Rosinei, vindo de trás como ”homem surpresa”, deu nova dinâmica ao meio campo do Galo. Com a entrada de Alecsandro no lugar de Michel, aos 27 minutos, Rosinei foi para a lateral e, com dois centroavantes, o time mineiro conseguiu o segundo gol

Silva saiu para a entrada de Giménez. O Olimpia se fechava ainda mais e o jogo voltou a ganhar os ares que rondavam o primeiro tempo. O Galo não conseguia assustar e resolveu insistir no que mais fez no jogo: cruzar bolas na área. Para isso, colocou Alecsandro e Guilherme, nos lugares de Michel e Tardelli. 

Bernard e Guilherme pelos lados voltam próximos a Josué, ajudando a bola sair com qualidade e dando passagem para os laterais (Jr. César e Rosinei). Com dois centroavantes (Jô e Alecssandro) e Ronaldinho se movimentando, o time ganhou força nas jogadas por cima e insistiu… até a bola balançar as redes. Bernard colocou na cabeça de Leonardo Silva, que desenhou o 2×0 no placar. Antes disso, porém, o Olimpia havia perdido duas ótimas chances de gol, com Salgueiro e Ferreyra; e Manzur foi expulso.

Antes de Bernard sentir as câimbras, o camisa 11 e Guilherme fizeram boa movimentação: saiam dos lados de campo para dar qualidade na armação de jogadas, se aproximando de Josué

Antes de Bernard sentir as câimbras, o camisa 11 e Guilherme fizeram boa movimentação: saiam dos lados de campo para dar qualidade na armação de jogadas, se aproximando de Josué

Na prorrogação não foi diferente. O Atlético continuou com a bola aérea e deixou de lado a construção de jogadas. Até acertou o travessão com Réver, mas parou por aí. Tudo conspirou para Victor ser o herói de mais uma noite, de mais uma vitória, do almejado título de campeão de Libertadores. E assim foi, pois não podia ser diferente! O jogo bonito não existiu na final, jogadas geniais também não, mas sobrou disposição, fé e brio de campeão. O Atlético-MG foi merecedor e terá lugar garantido em Marrocos.

Comentários

Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.