Análise tática: Corinthians 0x0 São Paulo

  • por João Vitor Poppi
  • 8 Anos atrás

Tricolor consegue bloquear ataque alvinegro

O Corinthians foi a campo sabido do queria: um gol no início. Era o gol ”emocional”. Desestabilizar o pressionado São Paulo era a meta. Guilherme adiantava seu posicionamento (se juntando a Danilo) e os laterais encurtavam os espaços pelos lados, aproximando-se dos pontas. Os cantos e o meio campo estavam preenchidos e a marcação pressão pronta para encurralar o rival. E foi o que aconteceu nos dez minutos iniciais. 

Sem saída de bola, o time visitante foi facilmente desarmado em seu campo defensivo. O Corinthians não conseguiu transformar sua virtude em gol, mesmo estando próximo à congestionada meta são paulina, pois, em virtude do excesso de verticalidade pelos lados, não teve um ataque envolvente.

O gás alvinegro foi acabando e suas linhas voltavam ao normal, desenhando o 4-2-3-1 de sempre. Só a partir desse momento foi possível ver a proposta de Paulo Autuori para o Majestoso. O Tricolor não esperou o rival e se postou para marcar a bola que saia dos zagueiros alvinegros. Para que a estratégia vingasse, o técnico implantou na equipe o 4-2-4 defensivo, com a segunda linha de quatro à frente do círculo central.

Na prática, o 4-3-1-2 Tricolor era um 4-2-4, montado para proteger os lados e o centro de campo. O São Paulo pensou primeiro em não levar gol

Na prática, o 4-3-1-2 ou 4-2-2-2 Tricolor era um 4-2-4, montado para proteger os lados e o centro de campo. O São Paulo pensou primeiro em não levar gol


Jadson e Fabrício, por dentro, bloquearam os volantes adversários e os pontas, Osvaldo e Ademilson, travando a fluência dos laterais corintianos. Os beques, Gil e Paulo André, trocavam passes com liberdade, mas os volantes Ralf e Guilherme não conseguiam dar saída de bola ao time, pois naquela faixa o São Paulo iniciava a forte marcação.

O 4-2-4 do São Paulo no momento em que se defende a partir do círculo central, o que predominou  nas ações do time no primeiro tempo

O 4-2-4 do São Paulo no momento em que se defende a partir do círculo central, o que predominou nas ações do time no primeiro tempo

As poucas vezes que o Corinthians conseguiu chegar próximo a área adversária com boas perspectivas de gol foi quando tabelou, fazendo o 1-2, com ultrapassagens – quase sempre de Edenilson, que em muitos jogos vem sendo o escape e o ”homem surpresa” alvinegro. O São Paulo conseguiu se proteger muito bem após os dez minutos iniciais, fazendo uma marcação de encaixe e prevenção, com um jogador a mais no meio campo (Rodrigo Caio), que realizava boas coberturas. 

O time visitante começou o segundo tempo mais encorpado e com superioridade sobre o rival, pois fez o que não conseguiu fazer – ofensivamente – na primeira etapa: forçar jogadas nas costas dos laterais e a diagonal, com os pontas buscando o espaço entre os zagueiros e volantes. Para isso ocorrer, o Tricolor adiantou suas linhas, trocou passes curtos e diminuiu o campo de atuação do adversário – o distanciando do gol de Rogério Ceni. Mas faltou o passe em profundidade. Jadson não fez uma boa partida na parte de criação, foi bem apenas taticamente. Como o rival, o São Paulo também não conseguiu transformar seu melhor momento na partida em gol.

Guerrero ficava preso entre os zagueiros e, muitas vezes de costas para o gol, somando ao posicionamento dos pontas presos no campo defensivo, o Corinthians não conseguia responder ao domínio do adversário.

Pato entrou e deu a opção do passe longo. E daí nasceu a melhor oportunidade do jogo, desperdiçada pelo camisa sete. Guilherme acionou o atacante nas costas dos zagueiros. O ex-Milan acrescentou poder de infiltração no ataque alvinegro. Tite foi bem nas outras duas alterações, colocando Renato Augusto no lugar de Emerson e Douglas substituindo Danilo na armação. Douglas fez o que se espera dele: passes em profundidade (e cadência), que foram direcionados para as ultrapassagens pelos lados, pois ganharam força com Renato Augusto aberto pela esquerda. Com maior movimentação, o Corinthians conseguiu equilibrar o jogo e atacar.

O São Paulo foi até melhor do que se esperava, pois conseguiu dominar o adversário em boa parte do segundo tempo. Para conseguir vitórias jogando sem centroavante, Jadson precisará ser mais participativo e correto na armação de jogadas, não podendo ser apenas importante taticamente, pois é o camisa dez do time. Osvaldo e Ademilson (ou qualquer outro atleta que entrar como ponta) terá que buscar a diagonal, inverter os lados e ter ousadia para se infiltrar na zaga adversária, facilitando a vida do meia de criação. Paulo Autuori precisa escolher uma forma de jogar para buscar dar padrão ao time. O técnico não pode ficar testando várias formas de jogo diferentes, não tem tempo para isso. Autuori precisará fazer escolhas certeiras.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.