Análise tática: São Paulo 1×2 Corinthians

  • por João Vitor Poppi
  • 7 Anos atrás

Título da Recopa Sul-americana está mais perto do Parque São Jorge, não apenas pelo resultado. O gol qualificado não tem valor e deixa o Tricolor vivo

O jogo realizado no Morumbi não foi agradável de se ver, analisando-o pela parte técnica. Mas, principalmente, por ser um clássico, teve alguns bons momentos, com períodos de domínio das ambas equipes e clima de rivalidade.

O São Paulo, postado no 4-2-3-1, teve a posse de bola na primeira etapa, mas não conseguiu revertê-la em gol. Cenário semelhante ao que aconteceu no clássico da semifinal do Campeonato Paulista deste ano. O Tricolor teve espaço para avançar até a intermediária ofensiva, onde se iniciava o bloqueio alvinegro. 

Atuando no 4-2-3-1, o Corinthians teve compactação com as linhas atuando próximas uma da outra. O time de Parque São Jorge teve rápida recomposição defensiva – quando necessário, pois atuou a maior parte dos 45 minutos iniciais na retaguarda -, através do tradicional recuo dos pontas/meias. O time treinado por Titte teve encaixe na marcação do meio campo com Ralf marcando Ganso, Guilherme impedindo Denilson de ser o homem surpresa e Danilo (Douglas) sobre Rodrigo Caio. Quando a situação se invertia, o time do Morumbi não tirava as sobras, pois Ganso está sem força para marcar ou apertar a saída de bola adversária.

Corinthians soube se defender e atacar na hora certa. Frutos de um padrão de jogo bem definido

Corinthians soube se defender e atacar na hora certa. Frutos de um padrão de jogo bem definido

A postura do time mandante facilitou a marcação rival, pois não teve profundidade – exceto em poucos lances com Osvaldo pela esquerda, que estava sozinho e não conseguia se aproximar da área. A posse de bola foi usada no centro de campo, com troca de passes sem objetividade. Tabelas e triangulações, que poderiam quebrar a barreira adversária pelas infiltrações e ultrapassagens, não ocorreram. Os poucos lances que levaram perigo ao gol de Cássio no primeiro tempo foram duas bolas lançadas nas costas de Paulo André, que marcava pela esquerda, onde Jadson afunilava o jogo: menos profundidade, mais congestionamento pelo centro.

Ganso não consegue dinamizar o meio Tricolor. Com os flancos se afunilando, (principalmente, Jádson) o passe do camisa oito não tinha alvo e o jogo são paulino se tornou sem profundidade e infiltração

Ganso não consegue dinamizar o meio Tricolor. Com os flancos se afunilando, (principalmente Jádson) o passe do camisa oito não tinha alvo e o jogo são paulino se tornou sem profundidade e infiltração

O Corinthians buscava o contra golpe, apostando na velocidade, com a bola direcionada a Romarinho e Emerson Sheik para ocorrer o mano a mano com os laterais adversários (fracos na marcação). E, assim, o time visitante abriu o placar. Após se livrar de Juan, Romarinho ficou livre para cruzar, a bola foi dividida dentro da área e sobrou livre para Guerrero abrir o placar. 

O posicionamento do São Paulo foi muito vertical, o que dificultou a marcação sobre os contra-ataques do alvinegro. A linha de quatro e os volantes se desprendiam muito da linha de três meias, gerando muito espaço para atuar em cima dos laterais ou surpreender vindo de trás (por dentro). Guilherme fez uma partida correta, tem bom passe, mas falta mais força na transição ofensiva e chegada ao ataque.

Com as linhas dispersas uma da outra, São Paulo deu espaço para o rival boa parte do tempo. Corinthians usou muito o mano a mano pelos flancos e a subida de um jogador pelo meio

Com as linhas dispersas uma da outra, o São Paulo deu espaço para o rival em boa parte do tempo. Corinthians usou muito o mano a mano pelos flancos e a subida de um jogador pelo meio

No intervalo, Ney Franco fez duas alterações, buscando corrigir o que começou errado. Wellington substituiu Douglas; movendo R. Caio para a lateral direita, para balancear a marcação com um lateral marcador e outro apoiador (Juan), pois estava sofrendo muito perigo pelos lados. Aloisio ganhou a vaga de Ganso; o atacante entrou pela ponta direita e Jadson foi recuado para a criação pelo meio. Com um minuto de jogo, veio o empate. Aloisio, como sempre, entrou com muita disposição e chutou da entrada da área sem muita força e precisão, mas Cássio aceitou. O jogo estava empatado.

Jadson, posicionado na armação, conseguiu fazer bem a movimentação: sair do meio para os lados, para auxiliar e dar opção para pontas. Essa maior dinâmica deu volume de jogo ao time treinado por Ney Franco, diferente do primeiro tempo, quando Ganso não fazia essa movimentação e Jadson não conseguia desempenhar o papel de um ponta mais agressivo – o que o momento pedia.

Melhor momento do São Paulo no jogo foi com Jadson pelo centro. O camisa dez, com sua movimentação, consegue auxiliar os pontas gerando opções de tabelas e ultrapassagens

Melhor momento do São Paulo no jogo foi com Jadson pelo centro. O camisa dez, com sua movimentação, consegue auxiliar os pontas gerando opções de tabelas e ultrapassagens

O bom momento dos donos da casa durou pouco. Não demorou muito e o Corinthians colocou em prática a marcação pressão que consagrou o time no ano passado. A primeira linha se adiantou e tirou a opção da saída de bola dirigida aos pontas e Jadson; a saída de bola são-paulina entrou em ”pane” com a segunda linha do rival sufocando ”lá em cima”. Minutos de sufoco, muitas roubadas próximas da área ofensiva e duas bolas na trave.

Neste momento do jogo, Renato Augusto já estava em campo. Danilo e Douglas saíram lesionados e a vaga no meio ficou para o ex-Leverkusen. Com a entrada do camisa oito, o time ganhou força física, explosão pelo centro do campo, de quem partia ao ataque com a bola dominada, e qualidade técnica refinada. Com um golaço de cobertura, ele colocou seu time em vantagem para o jogo da volta. 

Após o gol, o Corinthians reteve suas linhas, voltou, combateu a partir da sua intermediária e buscou os contra-ataques usando bastante as ultrapassagens de Edenilson. Conseguiu conter o São Paulo, que atacou na base do abafa, mas sem organização e chances de gol. Vitória merecida do time que já está definido, tem padrão e busca jogar em unidade (compactado).

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.