Chumacero no Sport: o que podemos esperar?

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O novo reforço do Sport é o jovem volante boliviano Alejandro Chumacero, que estava no The Strongest. O Leão da Praça da Bandeira venceu o “duelo” contra o Onde Caldas para a contratação do atleta. No Recife, criou-se muita expectativa em relação ao boliviano e fala-se muito em suas características e funções. Muitos o definem como um segundo volante, mas essa não é exatamente a sua função, pois, nos clubes por que passou, ele ficava pelo centro numa linha de quatro no meio. campo. Portanto, seria uma espécie de central-midfielder. Chumacero já foi convocado para a seleção boliviana sub-20 e até para a principal. Sem sombra de dúvidas, assumirá a titularidade no Sport, devido à sua excelente qualidade técnica nos mais vastos fundamentos e à experiência internacional, pois já disputou competições como a Taça Libertadores da América, Eliminatórias para a Copa do Mundo 2014 e o Sul-Americano Sub-20. Ele nasceu no dia 22 de abril de 1991, tem 22 anos, é uma das revelações do futebol da Bolívia e tem um futuro promissor.

The Strongest no 4-4-1-1.

No The Strongest, Chumacero atuava como médio box-to-box num 4-4-1-1, que variava pro 4-2-3-1, com a posse de bola. Sempre chegava de trás, dando opção de passe para os wingers e para Escobar, arriscando chutes de média distância, como é característico de seu estilo de jogo. Costumava buscar o flanco esquerdo para municiar as jogadas no setor e participar de triangulações com Torrico e Cristaldo, entrando em diagonal como homem-surpresa em vários momentos. Com movimentação bastante variada, por diversas zonas do campo, sempre atua com muita intensidade, técnica e velocidade.

Quando o time estava sendo atacado, ele e Veizaga tinham posicionamento bem próximo em relação aos zagueiros. Isso era proveniente da compactação das duas linhas de quatro, com movimentos coordenados, dedicação total de praticamente todos os jogadores, forte pressing com linhas adiantadas e ferrolho na intermediária, dificultando as penetrações do adversário. Defensivamente, Chumacero tem bom desarme, possui pegada na hora de combater jogadas na segunda metade da cancha e evitar contra-ataques e sabe fechar os espaços do campo nas transições defensivas, além de ser muito eficaz na cobertura e nas recomposições.

O volante também já chegou a ser lateral e winger quando foi preciso, demonstrando toda a sua versatilidade. Como um ótimo box-to-box, também sabe armar o jogo de trás com longos lançamentos, enfiadas de bola e passes precisos para o comando de ataque, além de lançar com freqüência em profundidade para as regiões ponteiras (principalmente por causa da agilidade das investidas do The Strongest pelos extremos). É um volante que sempre participa de trocas de passes e tabelas no meio-campo, tendo bom deslocamento na faixa central, notável visão de jogo, inteligência tática e muita criatividade ofensiva. Muitos já chegaram até a compará-lo com o alemão Bastian Schweinsteiger. Tomadas as devidas proporções, ambos apresentam características semelhantes.

Bolívia Sub-20 no 3-4-2-1.

Na seleção boliviana que disputou o Sul-Americano Sub-20 2011, Chumacero também jogava como volante, pelo centro, num 3-4-2-1 interessantíssimo, que costumava abrir dois zagueiros pelo bico de grande área, para dar cobertura aos alas e tentar evitar jogadas verticais dos ponteiros adversários em contra-ataques. Os alas Ballivián e Borda eram extremamente profundos ofensivamente, com arrancadas e projeções velozes ao campo de ataque, podendo diagonalizar ou ir até a linha de fundo. Ríos era a referência de área, fazendo o pivô com verticalidade, geralmente buscando as infiltrações de Carinao e Hoyos. O time era muito limitado e acabou sendo o lanterna do Grupo B, com apenas 1 ponto, mas Alejandro era um dos principais jogadores daquela equipe.

Nesse sistema, Chumacero era o responsável por dar mais qualidade na organização do primeiro passe e da saída de bola, sempre recuando para auxiliar os zagueiros no início das transições. Ele também partia com a bola, passando pela linha que divide o gramado e avançando em velocidade na direção da meia-cancha, para ajudar na articulação de jogadas na intermediária e fazer a distribuição da pelota no meio-campo. Assim, a transição ofensiva era mais rápida e aguda, para tentar dificultar a recomposição do adversário em seu campo de defesa. Porém a equipe não teve sucesso, pois os homens de frente não tinham bom controle de bola e perdiam a posse da “criança” muito facilmente, o que gerava contragolpes adversários, complicando a situação dos três zagueiros, que ficavam expostos atrás. A linha de quatro, que ficava na primeira zona que subdividia as regiões médias, tentava lotar os espaços no meio e provocar um congestionamento por ali, mas a marcação pelos flancos era extremamente vulnerável, com muitas brechas e marcadores com total inércia.

Mesmo que essa movimentação fosse improdutiva, Carinao e Hoyos circulavam intensamente nas costas de Ríos, tentando chutes da entrada área e a utilização do pivô do centro-avante. Este se deslocava para as pontas e flutuava no centro para abrir espaços no corredor central para as penetrações dos meia-atacantes no miolo de zaga adversário, o que também não ocorria com perfeição. Chumacero auxiliava-os, chegando como elemento surpresa para concluir as jogadas e criar situações perigosas à meta adversária. Nos cruzamentos, ele também aparecia por trás dos zagueiros, por certas vezes, para tentar o cabeceio. Taticamente, podemos dizer que ele foi um dos poucos que se salvaram naquela seleção boliviana sub-20 com muitas fragilidades defensivas e inoperante ofensivamente.

Possível Sport no 4-4-2 híbrido.

No Sport, existe a possibilidade de o técnico Marcelo Martelotte adotar um 4-4-2 híbrido, que permitiria uma dupla entre Chumacero e Rithely na cabeça-de-área. Sem a bola, haveria marcação linear, com linhas bastante agrupadas, atacantes pressionando a saída de bola adversária, marcação dupla pelos flancos e linhas bastante próximas, para dar a compactação necessária e diminuir os espaços para as jogadas adversárias. Dentro das características dos jogadores leoninos, o esquema poderia apresentar variação pro 4-2-3-1, com Marcos Aurélio abrindo pela meia-esquerda e Camilo centralizando. Por outras vezes, um 4-2-2-2, com Lucas Lima e Camilo trabalhando a pelota no setor de criação, ambos bem próximos. Enquanto os laterais fariam suas ultrapassagens, Marcos Aurélio e Felipe Azevedo ficariam enfiados na área, e os volantes Rithely e Chumacero chegariam de trás para pegar os rebotes e sobras, reorganizar jogadas e chutar de fora da área. Em outras ocasiões, para trancar as subidas dos laterais adversários e apertar sua saída para o jogo, marcando no campo de defesa do oponente, seria formado um 4-2-1-3, como já vinha ocorrendo em algumas partidas. Lucas Lima buscaria o centro e formaria um trivote com Chumacero e Rithely, enquanto Marcos Aurélio e e Felipe Azevedo acompanhariam os laterais e Camilo ficaria centralizado, alinhado com os mesmos, numa linha de três lá na frente.

Desse modo, o Sport teria saída de bola com mais qualidade no passe, armação de jogadas com mais profundidade, além de boas opções de passes, devido à ofensividade de Chumacero e Rithely. A dupla daria flexibilidade transitória por entre as intermediárias, equilibrando as funções ofensivas e defensivas, além de poder aparecer na área e surpreender a defesa adversária. Um dos problemas é que tiraria Camilo e Lucas Lima de perto do gol, já que os dois possuem a característica de penetração nos espaços entre zagueiros e volantes adversários para finalização e aproximação com os atacantes, de modo que ambos podem explorar sua velocidade de condução e projeção. Atuando mais abertos numa segunda linha de quatro, iriam armar pra dentro na maior parte do tempo, facilitando a abertura de corredor para as investidas de Patrick e Marcelo Cordeiro.

Na frente, o ataque teria mais mobilidade, pois Marcos Aurélio e Felipe Azevedo teriam constante flutuação no setor, com muita intensidade e troca de posicionamento entre si. Assim, as defesas adversárias ficariam mais confusas com tanta velocidade, num verdadeiro sistema rotativo, como um legítimo carrossel ofensivo, com enorme variabilidade tática, rápidas trocas de passes, jogadas ensaiadas e boa aparição dos homens de trás por vastas áreas do campo. Talvez essa seja uma forma de jogar que dê qualidade ao Sport nas transições, compactando e aproximando os setores e trilhando o caminho da modernidade tática, de forma linear e com uma coisa que está presente em grandes times: a intensidade. É necessário reconhecer que o Sport não tem um supertime, mas essa formação e sua maneira de execução seriam inovadoras no futebol pernambucano e nordestino. Não sabemos se será essa a forma de jogar que Marcelo Martelotte irá escolher, mas, se for o caso, tem tudo para dar certo e Chumacero pode ser uma peça fundamental para que isso aconteça.

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Natural de Recife-PE e futuro jornalista esportivo. É colunista de futebol nordestino no BOL Esporte/ Portal Terceiro Tempo e colabora com o Doentes Por Futebol. Gosta bastante de análises técnico-táticas.