Dinheiro é poder

  • por Leandro Lainetti
  • 7 Anos atrás

A relação de patrocínio da Unimed com o Fluminense é bem diferente das que os demais clubes do país têm com empresas privadas ou estatais. O primeiro ponto distinto é o valor do contrato. No longo casamento, desde 1999, entre o tricolor e a provedora de planos de saúde, pouco se sabe, ao certo, quanto que a empresa investe no clube. Hoje, os salários dos principais astros do elenco – Fred, Deco, Wagner, Cavalieri Rafael Sóbis, além dos que foram embora, como Abel, Thiago Neves e Wellinton Nem -, bem como luvas e direitos de imagem, são pagos pela Unimed.

Foto: Photocamera - Celso Barros, presidente da Unimed é quem manda no Fluminense

Foto: Photocamera – Celso Barros, presidente da Unimed, tem grande influência no Fluminense

Tricolor assumido e de coração, o presidente da empresa é Celso Barros, o Mecenas que não se priva de injetar dinheiro no clube para vê-lo lutando por títulos, que vieram nos últimos anos, com destaque para a Copa do Brasil de 2007, e o Campeonato Brasileiro, em 2010 e 2012.

Porém, esse casamento, apesar dos claros frutos que já rendeu, também tem os seus problemas. O dinheiro oriundo da Unimed é investido diretamente, seja de que jeito for, apenas em jogadores, sem que o Fluminense possa usá-lo para pagar dívidas ou investir de outras formas. Além disso, se os salários dos que são pagos pela empresa sempre estão em dia, não pode-se dizer o mesmo dos que são pagos pelo clube e também dos funcionários.

Foto: Reprodução - Luxa não era a escolha da diretoria tricolor, mas foi a escolha de Celso Barros

Foto: Reprodução – Luxa não era a escolha da diretoria tricolor, mas foi a escolha de Celso Barros

Ou seja, a dependência financeira que o Fluminense tem, além de essencial, é superficial. Se um dia a Unimed sair, vai saber o que pode acontecer. Dessa forma, o clube precisa abaixar a cabeça para qualquer capricho ou vontade de Celso Barros, como a contratação de Luxemburgo, que era uma vontade e passou a ser uma imposição dele. Se a chegada do treinador foi boa ou não, só o tempo dirá. Aqui, a intenção não é discutir tática ou tecnicamente a mudança de treinador, e sim o que ela nos mostra.

Neste caso, podemos dizer que o Fluminense tem dois presidentes. Um que manda, porque pode, e o outro que obedece, porque precisa.

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Jornalista trabalhando com marketing, carioca, 28 anos. Antes de mais nada, não acredito em teorias da conspiração. Até que me provem o contrário, futebol é decidido dentro das quatro linhas. Mais futebol nacional do que internacional. Não vi Zico mas vi Romário, Zidane, Ronaldinho, Ronaldo. Vejo Messi e Cristiano Ronaldo. Totti é pai.