Dos males o Juvenal

  • por Bráulio Silva
  • 8 Anos atrás

No começo de 2006, Juvenal Juvêncio foi eleito presidente do São Paulo FC pela segunda vez. Apoiado pelo então presidente Marcelo Portugal Gouveia, JJ começava, em abril daquele ano, seu segundo mandato. No primeiro, entre 88 e 90, conquistou o estadual de 89, foi vice do Brasileirão do mesmo ano e, após contratações horrorosas, viu o time naufragar no estadual do ano seguinte.

Com Adalberto Batista e João Paulo de Jesus Lopes, Juvenal comanda o São Paulo com mão de ferro.

Com Adalberto Batista e João Paulo de Jesus Lopes, Juvenal comanda o São Paulo com mão de ferro.


Mas em 2006 os tempos eram outros. Juvenal tinha sido o homem forte do futebol do clube na gestão de MPG (Marcelo Portugal Gouveia – 2003 até 2006). Era centralizador, mas ainda assim tinha que prestar contas ao presidente.

Eleito com esmagadora maioria de votos, Juvenal pegou o São Paulo campeão mundial. No primeiro ano, obteve três vice-campeonatos (Paulistão, Libertadores e Recopa), mas, com um time forte, conquistou o Brasileirão após 15 anos de jejum.

No auge das conquistas, Juvenal Juvêncio planejou a mudança no estatuto do São Paulo FC.

No auge das conquistas, Juvenal Juvêncio planejou a mudança no estatuto do São Paulo FC.


Em 2007, novos fracassos na Libertadores e no Paulistão e mais um título do Brasileirão. Com uma defesa forte, fez com que o Bayern de Munique pagasse 18 milhões de Euros pelo jovem Breno, que não havia feito nem 30 jogos com o elenco profissional. O Brasileiro teve  sabor especial para Juvenal graças ao rebaixamento do Corinthians.

2008  começou com a bombástica contratação de Adriano. Teve também as controversas contratações de Fabio Santos (o volante ‘vida loka’) e deCarlos Alberto. Fora de campo, a primeira parte do golpe de Juvenal.

Adriano chegou em 2008. Contratação bombástica que desviou o foco da manobra política que viria a seguir

Adriano chegou em 2008. Contratação bombástica que desviou o foco da manobra política que viria a seguir

25 de janeiro é feriado na cidade de São Paulo. Uma semana antes, Juvenal marcou, para o dia 24, uma votação para definir uma mudança o estatuto do clube. A partir de então, o presidente são-paulino teria direito a mandatos de três anos e não mais os dois de antigamente.

Mudança válida. Nas eleições de abril, Juvenal foi reeleito. E a oposição, que sempre foi forte pelos lados do Morumbi, estava cada vez mais fraca. Nos três anos a situação de Juvenal começou a se complicar. Em campo o time deixou de render, e fora dele mais confusões surgiram.

– O Morumbi, trunfo do presidente para garantir o golpe, ia ficando mais distante da Copa do Mundo.

– A Taça das Bolinhas, que havia sido esquecida desde 87, volta à disputa e vira alvo de uma guerra entre São Paulo e Flamengo, eternos aliados políticos dentro do Clube dos 13.

 

Com Rogério e Zetti, Juvenal posa com a Taça das Bolinhas, que pelo entendimento do próprio clube, pertence ao Flamengo.

Com Rogério e Zetti, Juvenal posa com a Taça das Bolinhas, que. pelo entendimento do próprio clube, pertence ao Flamengo.

– O São Paulo, tido como Soberano, passou a ser eliminado por todos os brasileiros que encontrava pela frente na Libertadores da América. Desde 2007 são cinco eliminações, todas para equipes brasileiras.

– Freguesia diante dos rivais. Só para o Santos a equipe soma três eliminações seguidas no Paulistão (2010, 2011 e 2012). Para o Corinthians, só em 2013 foram duas derrotas em mata-mata (Paulistão e Recopa).

Voltando um pouco no tempo, a trupe de Juvenal garantiu o golpe justamente no ano de 2011, quando garantiu sua ‘re-reeleição’. Com direito a uma briga na justiça que dura até hoje, pois a oposição garante que o mandato atual do presidente é irregular.

Em 2011 anunciou a contratação de Luis Fabiano. Temos depois confirmou o golpe e se reelegeu para o terceiro mandato

Em 2011 anunciou a contratação de Luis Fabiano. Tempos depois confirmou o golpe e se reelegeu para o terceiro mandato

Enquanto isso, o São Paulo caminha a passos largos para visitar a segunda divisão. O que até bem pouco tempo atrás era considerado um time/administração exemplar seguiu o exemplo dos rivais que se afundaram na crise justamente quando algum dirigente se apoderou do clube, deixando a crise para os sucessores. E os exemplos são vários.

Alberto Dualib no Corinthians, Eurico Miranda no Vasco, Marcelo Teixeira no Santos e Mustafá Contursi no Palmeiras. Desses times o único que escapou da queda foi o Santos, mas o clube paga os pecados (e as dívidas) até os dias atuais.

Para fechar com chave podre, o presidente do São Paulo protagonizou no fim de semana uma cena lamentável. Mesmo com sete derrotas seguidas, o presidente organizou com seus pares um churrasco na sede social do Morumbi. Descontentes com a fase do time, alguns sócios que são ligados à oposição foram ao evento para fazer campanha para o provável candidato Marco Aurélio Cunha. A chapa esquentou e Juvenal perdeu as estribeiras quando mandou baterem nos opositores. Tudo devidamente gravado e colocado no Youtube.

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No fim da tarde desta segunda-feira, torcedores que fazem parte do projeto sócio-torcedor receberam um e-mail da Torcida Independente, na qual eles se defendiam das acusações de estarem vendidos ao grupo do mandatário tricolor. Definitivamente os tempos são outros pelos lados do Morumbi.

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Paulistano, casado e com 33 anos. Apaixonado por futebol e pelo São Paulo FC. De memória privilegiada, adora relatar e debater fatos futebolísticos de outrora. Ex-estudante de jornalismo, hoje gerencia uma drogaria no município de Barueri, além de escrever para a Doentes por Futebol.