Fred no Fluzão e na Seleção: a diferença

  • por Sérgio Lopes
  • 6 Anos atrás

Assistindo ao jogo entre Fluminense e Internacional hoje, e observando a atuação do Fred, foi inevitável refletir sobre o tão comentado desnível que existe atualmente entre o futebol brasileiro e o futebol internacional. Um desnível mais de intensidade do que técnico, podemos concluir. Falo do Fred porque, a partir do momento em que o atacante joga uma competição internacional de alto nível técnico, como foi a Copa das Confederações, e poucos dias depois já está jogando o Campeonato Brasileiro, ele se torna uma importante base de comparação.

Fred no Fluminense joga mais estático - Foto: UOL Esportes

Fred no Fluminense joga mais estático – Foto: UOL Esportes

Vejamos a diferença da atuação do atacante na Copa das Confederações e no Brasileirão. Aqui, no futebol local, Fred consegue ser o melhor centroavante do Brasil jogando parado entre os zagueiros, com pouca movimentação, “banheirando”, como se diz popularmente. E não podemos falar tanto em apatia ou preguiça. Simplesmente o jogo não pede, não exige uma postura diferente. No início da Copa das Confederações, o jogador até tentou jogar da mesma maneira. Porém, o jejum de gols nos dois primeiros jogos, contra dois adversários medianos, fez o atacante perceber que não seria suficiente, para brilhar em uma competição de alto nível, jogar da mesma maneira que jogava no Fluminense. Então, a partir do jogo contra a Itália, começamos a ver um Fred diferente. O atacante, antes estático, passou a marcar combativamente a saída de bola, abrir pelos lados, buscar a bola no meio de campo, puxar a marcação para facilitar a infiltração dos meias. Ou seja, tudo o que o futebol de alto nível exige dos centroavantes hoje em dia, e Fred mostrou que saber fazer isso quando precisa. E assim ele seguiu no restante da competição, contra Uruguai e, principalmente, contra a Espanha, quando todo o time mostrou uma disposição impressionante. O próprio atacante, em entrevistas, admitiu a necessidade de mudar o jeito de jogar paras se adaptar à competição e aos seus companheiros.

Fred na seleção tem que mudar o seu estilo - Foto: Reuters

Fred na seleção tem que mudar o seu estilo – Foto: Reuters

Voltando à dura realidade do futebol brasileiro, Fred retomou o velho jeito de jogar. Caminhando em campo, ele consegue se sobressair, fazer seus gols. A impressão que o Fred, jogando por aqui, passa é parecida com a que tínhamos com Neymar no Santos: um grande desnível entre o jogador e o campeonato, resultando em um talento acomodado. Resta torcer para que no ano que vem, na Copa do Mundo, o atacante do Flu tenha a mesma consciência que teve neste ano, durante a Copa das Confederações, e entenda que para brilhar em um patamar acima ele terá que se colocar nesse patamar.

Comentários

Baiano, advogado, amante e estudioso do futebol.