Nacional-AM: A zebra amazonense na Copa do Brasil!

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O Nacional Futebol Clube, de Manaus, vem surpreendendo a todos com uma campanha impressionante na Copa do Brasil. O time da Região Norte, que disputa a quarta divisão do futebol brasileiro, está na terceira fase da Copa do Brasil e já eliminou Águia de Marabá e Coritiba, times, teoricamente, superiores tecnicamente, especialmente o segundo. No jogo de ida da terceira fase, a equipe foi ainda mais surpreendente: venceu a Ponte Preta, em Campinas, por 1 a 0. A partida da volta será no dia 24 de julho, em Manaus. 

O time conta com muita força de vontade, empenho e aplicação tática dentro de campo, apesar de suas limitações técnicas. Na prancheta, se posiciona num 4-1-4-1, que se transforma no 4-1-2-3 na transição ofensiva, com o avanço de Felipe e Cristiano pelos lados do campo, formando uma linha de três na frente. Com essa variação, o meio-campo fica formatado em um triângulo de base alta, com Denis Santos mais recuado, enquanto Danilo Rios e Roberto Dinamite ficam mais avançados. No geral, as jogadas mais agudas surgem pelos flancos e o plano de jogo da equipe amazonense é bem definido, apostando na velocidade de seus homens de frente, com intensa movimentação. 

Nos extremos, Cristiano e Felipe podem verticalizar suas investidas, mas costumam diagonalizar e entrar na grande área, abrindo corredor para as ultrapassagens dos laterais Erick e Bigú, estes que, normalmente, se aventuram pelas regiões ponteiras e fazem cruzamentos, mas também podem se projetar por dentro. O detalhe é que as inversões de bola do Nacional são feitas com muita qualidade e complicam a vida de times que possuem uma marcação muito focada em determinada zona lateral. Os dois ponteiros são muito velozes na condução de bola para dentro da área e nas suas arrancadas e flutuações pelo ataque. Dos dois, Felipe é o que fica mais pelo meio, buscando aproximações com Leonardo e penetrando nos espaços abertos por seu companheiro .

Danilo Rios e Roberto Dinamite são meias que aparecem bastante no corredor central para armar jogadas, possuem boa mobilidade e também caem pelas beiradas, com o objetivo de municiar os laterais, participar de triangulações e fazer longos lançamentos para o ataque. Ambos também entram na área para concluir, explorando o bom poder de finalização que têm, seja de curtas, médias ou longas distâncias. Enquanto isso, Denis Santos tem a função de marcar o articulador adversário e organizar a saída de bola pelo centro com rapidez, para agilizar as transições, dar o primeiro passe e distribuir a pelota na primeira metade da cancha. Em certos momentos, ele fica mais contido, na retaguarda, à frente dos zagueiros, para matar os contra-golpes adversários e dar cobertura aos companheiros defensores.

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O atacante Leonardo, que atua como referência, tem uma movimentação que dá total liberdade para as ações ofensivas do Nacional. Léo executa o pivô central-vertical e central-diagonal com muita precisão e consistência, além de abrir constantemente pelas extremidades e buscar jogadas em profundidade, na direção da linha de fundo. Nesses momentos, ele geralmente cruza para a infiltração de Felipe ou Danilo Rios(na maioria das ocasiões), que entram no miolo de zaga adversário por trás para marcar os gols. Leonardo também costuma se aproximar da intermediária e receber bolas nos espaços entre os volantes e zagueiros adversários. Resumidamente, Léo é uma peça fundamental para dar compactação na parte ofensiva e aproximar os jogadores. Assim, os amazonenses ficam com mais facilidade para usar uma de suas principais características, a ocupação de espaços para a criação de jogadas produtivas.

Podemos dizer que o Nacional é um dos times mais modernos taticamente do Norte Brasileiro, não pelos números de esquema tático, mas sim, pela dinâmica de jogo, coletividade e cumprimento das funções. Nas partidas anteriores à terceira fase, o time de Manaus teve escalação e disposição tática diferentes, mas essa foi a equipe que enfrentou a Ponte Preta e que deve permanecer como base para os próximos confrontos.

Um dos principais problemas do Nacional é a falta de qualidade técnica, o que acaba sendo prejudicial na hora H, além da vulnerabilidade do sistema defensivo na bola aérea. Por muitas vezes, Coritiba e Ponte Preta levaram perigo em jogadas pelo alto devido à desatenção e à indefinição dos zagueiros amazonenses, que também deixam a desejar um pouco no momento de combater as jogadas adversárias pelo chão. Em compensação, o goleiro Igor Lemos vem trabalhando muito bem, realizando ótimas defesas e explorando sua notável elasticidade e seu grande reflexo.

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Natural de Recife-PE e futuro jornalista esportivo. É colunista de futebol nordestino no BOL Esporte/ Portal Terceiro Tempo e colabora com o Doentes Por Futebol. Gosta bastante de análises técnico-táticas.