OPINIÃO: O que esperar do Brasileirão após o recesso da Copa das Confederações?

brasileiro

Após cinco rodadas, disputadas antes da Copa das Confederações, a tabela do Brasileirão 2013 apresenta o Coritiba na liderança, com 11 pontos, seguido de Vitória e Botafogo (10). O Fluminense tem 9 pontos conquistados e Cruzeiro, São Paulo, Grêmio e Bahia aparecem com 8.

A partir deste sábado, porém, teremos um “novo” campeonato. Após quase um mês se preparando, no que podemos chamar de “intertemporada”, é natural que comece a aparecer favoritos, e podemos então ter uma noção de quais equipes têm mais chances de título ou de sofrer contra o rebaixamento já nas próximas rodadas.

A janela de transferências ainda está em andamento, podendo ainda tirar jogadores importantes de times favoritos. Santos, Corinthians e Fluminense, por exemplo, perderam demais com as saídas de Neymar, Paulinho e Wellington Nem.

Paulinho, Neymar, Nem e Fred foram embora na janela de transferências. (Foto: Arquivo Lance!)

Paulinho, Neymar, Nem e Fred foram embora na janela de transferências. (Foto: Arquivo Lance!)

Mesmo com essa incerteza, façamos uma análise sobre o que podemos esperar das próximas 33 rodadas, em relação principalmente aos favoritos ao título.

Quem briga pelo título

Antes do campeonato começar, Atlético Mineiro e Corinthians eram colocados como os maiores favoritos por grande parte da crônica esportiva, seguidos por Fluminense, Internacional e Grêmio, pouco abaixo. Além dos citados, podemos colocar Cruzeiro e São Paulo no rol das equipes que podem ser campeãs. No caso, teríamos sete times cotados para a conquista.

Diferente dos dois últimos anos, quando São Paulo (nas cinco primeiras rodadas), Corinthians (nas dez primeiras), em 2011, e o próprio Atlético, em 2012, tiveram um aproveitamento estupendo na fase inicial do campeonato, o líder Coritiba tem um aproveitamento de 73%, com 11 pontos. O favorito melhor colocado é o Fluminense, com 9 pontos, apenas 5 a mais que o Atlético Mineiro, que hoje está entre os últimos.

O futuro do Galo na competição depende, principalmente, de duas coisas: seu desempenho nas últimas partidas da Libertadores e o desempenho das outras equipes do campeonato durante o tempo em que o Atlético estiver na competição sul-americana. Uma eventual eliminação na próxima quarta-feira pode baixar a moral do elenco ou, ao contrário, enchê-los de vontade para conquistar o título nacional.

Em campo, o técnico Cuca tem à sua disposição grandes jogadores em todos os setores, o que capacita o Atlético a ser considerado favorito. Um grande goleiro (Victor), uma dupla de zaga confiável (Rever e L.Silva), dois laterais competentes (Marcos Rocha e Júnior Cesar), a competência de Pierre na marcação e o talento de Ronaldinho Gaucho, Bernard e Diego Tardelli e Jô no setor ofensivo podem ser suficientes para a conquista. No banco, nomes como Gilberto Silva, Josué, Rosinei, Guilherme e Alecsandro se destacam.

Mantido o time, principalmente Bernard, que vem sendo sondado pelo futebol internacional, o Atlético com certeza pode quebrar um longo tabu de títulos nacionais, que já dura desde 1971.

Ronaldinho, Bernard e Jô formam o trio ofensivo do Atlético. (Foto: Bruno Cantini)

Ronaldinho, Bernard e Jô formam o trio ofensivo do Atlético. (Foto: Bruno Cantini)

O Corinthians, embora não tenha jogadores titulares tão técnicos quanto alguns de seus concorrentes, claramente é a melhor equipe, do ponto de vista tático, do futebol brasileiro.

A perda de Paulinho foi algo extremamente prejudicial à equipe, tanto pelo seu papel tático fundamental quanto pelos gols e assistências que o volante fazia quando a equipe estava mal. O técnico Tite tem escalado Guilherme como seu substituto, mas Ibson já mostrou que está querendo a vaga. No meio, Renato Augusto se recuperou de lesão e pode ser uma boa opção em uma eventual arrancada da equipe. No ataque, a equipe vem pecando muito na finalização, e uma recuperação, principalmente psicológica, de Alexandre Pato, é essencial para um bom rendimento no campeonato.

O que preocupa no time do técnico Tite são as laterais e o setor defensivo. Na zaga, Gil vem jogando muita bola e é titular absoluto, mas Chicão e Paulo André vêm sofrendo uma série de contusões que podem atrapalhar bastante em um campeonato longo como o brasileiro. O único outro zagueiro no elenco é Felipe, que ainda não ganhou muitas chances, mas quando entrou não comprometeu.

Nas laterais, Fábio Santos e Alessandro são titulares absolutos e também vivem rodeados por contusões. Edenilson tem entrado bem no apoio, enquanto Guilherme Andrade está machucado. Na lateral esquerda, a promessa Higor jogou bem nas partidas em que entrou, mas confiar em promessas da base, infelizmente para o torcedor, não é bem o forte do Corinthians.

Ibson e Maldonado foram contratados para o segundo semestre. (Foto: Reginaldo Castro/LANCE!Press)

Ibson e Maldonado foram contratados para o segundo semestre. (Foto: Reginaldo Castro/LANCE!Press)

O Fluminense, atual campeão, ainda não se acertou em 2013, não tendo brilhado na Libertadores ou Campeonato Carioca no primeiro semestre. Em campeonatos de pontos corridos, porém, a equipe de Abel Braga parece saber direitinho a receita da vitória. O Fluminense começou o campeonato bem, mantendo-se no pelotão da frente, e o terceiro título em quatro anos é algo concreto. A saída de W. Nem preocupa, mas um Fred inspirado, formando dupla de ataque com Rhayner ou Rafael Sóbis, é algo que incomoda qualquer adversário.

A equipe carioca tem como ponto forte, além do setor ofensivo, que ainda conta com Thiago Neves e Deco, uma ótima dupla de volantes (Jean e Edinho) e laterais muito bons (Bruno e Carlinhos), que costumam aparecer bastante no apoio e fazer a assistência para Fred, quando a coisa aperta.

Fred e Sobis formam ataque poderoso. (Foto: Photocamera)

Fred e Sobis formam ataque poderoso. (Foto: Photocamera)

 O Internacional, sem chamar muito a atenção, vai montando um grande time. Sob o comando de Dunga, talvez o time consiga vencer as partidas fora de casa que há anos vem tirando a chance da equipe brigar pelo título nacional. A janela de transferências por enquanto não tem sido boa para a equipe gaúcha, que perdeu Fred e Rodrigo Moledo. A chegada de Jorge Henrique ajuda bastante o setor ofensivo, e uma eventual contratação de Scocco pode elevar bastante o nível da equipe. Uma equipe com jogadores do nível de  Dátolo, D’Alessandro, Forlan e Leandro Damião, com certeza, pinta como favorita.

Fred foi embora, mas Forlan e D'Alessandro são armas poderosas do Inter. (Foto:Ricardo Rímoli-Alexandre Lops/Inter)

Fred foi embora, mas Forlan e D’Alessandro são armas poderosas do Inter. (Foto:Ricardo Rímoli-Alexandre Lops/Inter)

O Grêmio, meio que do dia para a noite, montou uma equipe para ser campeã da Taça Libertadores. Após a derrota para o Santa Fé, as coisas ficaram feias para o lado do Olímpico. Jogadores como Fernando e André Santos foram negociados, e Wanderlei Luxemburgo foi demitido já próximo ao reinício do Brasileirão.

O elenco ainda é muito bom, mas talvez não seja o ideal para um campeonato de pontos corridos, já que a idade de muitos dos seus principais jogadores é avançada: Dida, Cris, Fábio Aurélio, Barcos e Riveros já passaram dos 30. O técnico Renato Gaúcho tem como principal objetivo fazer a equipe entrosar. Assim, o time do Grêmio tem tudo para jogar um grande futebol, pois talvez seja o time com mais peças que podem decidir sozinhas uma partida.

Barcos, Elano e Zé Roberto são trunfos do Grêmio. (Foto: Jefferson Bernardes/France Press)

Barcos, Elano e Zé Roberto são trunfos do Grêmio. (Foto: Jefferson Bernardes/France Press)

O São Paulo, claramente, mergulha em problemas maiores que apenas um time mal montado. Algo no lado do Morumbi atrapalha bastante a equipe em jogos decisivos. A torcida critica muito o time titular, o técnico, o elenco e a diretoria, mas, a meu ver, o elenco é bastante bom, e o próprio time titular mostrou que também tem bastante qualidade em dois tempos e meio contra o Atlético Mineiro na Libertadores. Claramente, não fosse a expulsão de Lúcio e tivesse o tricolor um atacante um pouco melhor que Ademilson, a equipe teria eliminado a melhor equipe da competição até com certa facilidade, nas oitavas de final do torneio.

O São Paulo possui em seu elenco, além de Rogério Ceni, dois outros bons goleiros. Tem quatro laterais no mínimo bons (Douglas, Cortez, Clemente Rodriguez e Juan), três zagueiros de nível (Lúcio, Toloi e Rhodolfo) e três volantes muito bons (Denilson, Wellington e Rodrigo Caio), dois ótimos meias (Ganso e Jadson) e três atacantes bons (Luis Fabiano, Osvaldo e Aloísio). Foi esse o time que ficou “perto” de eliminar o Galo da Libertadores e liderou a primeira fase do paulista.

O São Paulo tem um trunfo no Brasileirão: raramente perde pontos para times “menores”. Em um campeonato de pontos corridos, isso importa muito, o que faz a equipe ter chances de título.

Osvaldo, Jadson e Ganso. (Foto: Ricardo Matsukawa / Terra)

Osvaldo, Jadson e Ganso. (Foto: Ricardo Matsukawa / Terra)

O último dos times que, na minha opinião, podem brigar pelo título, é o Cruzeiro. Talvez a vaga na Libertadores seja, para os próprios jogadores e torcedores, a meta principal da equipe na temporada, mas não há como negar que o time praticamente novo ainda é uma incógnita, para o bem ou para o mal.

O Cruzeiro tem um excelente goleiro (Fábio), um excelente zagueiro (Dedé), doiz zagueiros bons (Victorino e Bruno Rodrigo), uma dupla de volantes confiável (Tinga e Henrique/Nilton) e jogadores do meio para a frente que podem dar “caldo”; Diego Souza, Everton Ribeiro, Martinuccio, Lucca, Anselmo Ramon, Dagoberto e Borges. Para a equipe mineira, a parada foi ótima para entrosar os jogadores, e o time chega à segunda parte do campeonato cotado pelo menos a brigar, e bem, pela Libertadores, embora muitos achem difícil.

Borges e Diego Souza são armas do setor ofensivo da Raposa. (Foto: Pedro Vilela/Agif/Gazeta Press)

Borges e Diego Souza são armas do setor ofensivo da Raposa. (Foto: Pedro Vilela/Agif/Gazeta Press)

Quem (só) briga pela Libertadores 

O Coritiba é o atual líder do torneio e a equipe mais forte dentre aquelas fora do eixo Rio-São Paulo-Minas-Rio Grande do Sul. O título é um sonho até certo ponto distante, mas a vaga na Libertadores pode ser real.

Além do craque Alex, jogadores como Vanderlei, Emerson, Chico, Bottinelli e Deivid são peças chave para a grande campanha da equipe na temporada, até aqui. Vai que de repente o Keirrison volta a jogar bola também… O grande trunfo da equipe, porém, são as partidas em seu domínio, nas quais a equipe possui um dos maiores aproveitamentos do futebol brasileiro.

O Botafogo começou muito bem o torneio, mas vive uma crise financeira que faz com que jogadores importantes sejam vendidos sem reposição à altura. Andrezinho e F. Gabriel foram embora e no ataque falta um matador, apesar da boa fase recente de Rafael Marques.

O setor defensivo da equipe de Osvaldo de Oliveira é bom, com laterais razoáveis (Lucas e J. César), um goleiro excelente (Jefferson), zagueiros consistentes (Antônio Carlos, Bolivar e Dória) e uma dupla de volantes que passa confiança (Marcelo Mattos e Renato). No meio, Lodeiro e Seedorf são o algo mais que faltava para o time brigar realmente forte por Libertadores.

Alex e Seedorf: craques que podem levar seus times a outro patamar. (Foto: LANCE!Press)

Alex e Seedorf: craques que podem levar seus times a outro patamar. (Foto: LANCE!Press)

Quem faz número

Apesar de contar com bons jogadores (Elias, Marcelo Moreno, Carlos Eduardo, Gonzalez), o Flamengo ainda não tem uma equipe coesa e com boas peças de reposição.

O trabalho de Mano Menezes deve ser muito bom, mas os frutos desse ano não devem aparecer no Brasileirão, talvez na Copa do brasil. Além disso, jogar em Brasília faz com que a equipe perca um fator fundamental: a torcida. Sim, o torcedor brasiliense lotará os estádios, mas não é a mesma coisa que jogar no Maracanã, com certeza.

Outro time que está se remontando é o Santos. Pouco sobrou daquela equipe competitiva dos últimos anos, e mesmo com uma eventual vinda de Robinho a equipe ainda não tem padrão de jogo e qualidade suficiente para brigar pela Libertadores.

Neymar se despediu do Santos em jogo muito chato contra o Flamengo. (Foto: Jorge William / O Globo)

Neymar se despediu do Santos em jogo muito chato contra o Flamengo. (Foto: Jorge William / O Globo)

Goiás e Vitória não devem brigar para não cair, mas também não têm muito o que sonhar no campeonato. O Goiás contratou boas peças, como Rodrigo, Dudu Cearense, Hugo, Walter e Araújo, e basta um entrosamento mínimo e um aprimoramento da parte física para a equipe ficar na posição intermediária da tabela. Já o Vitória tem um time entrosado, que foi muito bem nos jogos contra o Bahia no campeonato Baiano e vem fazendo o dever de casa no Brasileirão. A equipe só não pode ter os apagões que teve na Copa do Brasil, quando foi eliminado pelo Salgueiro.

Quem briga para não cair

Portuguesa, Bahia, Ponte Preta, Naútico, Vasco, Criciuma e Atlético Paranaense, em minha opinião, brigam pelas vagas na série B.

Desses, o Bahia fez pontos importantes nas primeiras rodadas, e teve tempo para acalmar os ânimos da torcida após os vexames recentes no Baiano. Porém, a equipe ainda é muito fraca e peças como Zé Roberto nunca rendem o que se espera deles.

A Portuguesa conseguiu um reforço importante, Canete, mas também é uma equipe muito fraca, e mesmo com eventuais reforços não acredito que seja capaz de se manter na série A.

A Ponte Preta fez uma bela campanha no Paulistão, mas desmontou boa parte da equipe, e assim como a Lusa deve ser mais uma equipe paulista bem ameaçada.

O Vasco é outra equipe em constante mudança. No papel, um time com Sandro Silva, Felipe Bastos, Bernardo, Carlos Alberto, Eder Luis e Tenório não brigaria contra o rebaixamento. O problema, porém, é que na atual crise financeira que vive o clube, basta que duas ou três peças sejam vendidas para o nível cair.

O Criciúma contratou alguns jogadores rodados e que não tinham tanto espaço em grandes equipes, como Fábio Ferreira, Thiago Heleno, Diego Renan, Serginho, Daniel Carvalho, Morais, Marcel e Welington Paulista. Fazendo valer o mando de campo, a equipe, campeã catarinense, pode conseguir alçar voos maiores e ficar entre os 14 primeiros do campeonato. A postura, porém, tem que ser bem diferente daquela apresentada contra o Flamengo.

O Atlético Paranaense tem um time velho e, sem a Arena da Baixada, pode se tornar presa fácil para os adversários. A princípio, o time não deve brigar para não cair, mas a diferença do time para os outros citados acima não é tão grande assim.

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Sergio Rocha é torcedor do Madureira e sempre teve o sonho de escrever sobre esportes em geral, embora tenha optado pela carreira de engenheiro civil. No "currículo", cadernos recheados de resultados esportivos e agendas da década de 90, quando antes da internet acessava rádios de diversos locais do país buscando os resultados esportivos do Acre à Costa Rica. Além de fanático por futebol, é fanático por praticamente todos os esportes, e no tempo livre que sobra sempre busca os últimos resultados esportivos do PGA Tour ou dos futures da ATP. Além disso, coleciona quadrinhos da Disney e é louco por astronomia.