Os desafios do novo treinador do Barcelona

  • por Victor Mendes Xavier
  • 7 Anos atrás
Tito Vilanova teve recaída em seu câncer e não terá condições de continuar no Barcelona. O novo treinador terá desafios pela frente (foto: agência Reuters)

Tito Vilanova teve recaída em seu câncer e não terá condições de continuar no Barcelona. O novo treinador terá desafios pela frente (foto: agência Reuters)

Tito Vilanova não é mais o treinador do Barcelona. Por uma questão de saúde, o catalão terá que abandonar o cargo técnico da equipe catalã pouco mais de um ano depois de assumí-lo. Em coletiva especial dada nesta sexta-feira, o presidente do clube, Sandro Rosell, afirmou que o “tratamento de Tito é incompatível ao cargo de treinador do Barcelona”. Rosell aproveitou para confirmar que o novo técnico será conhecido na semana que vem.

Logo após o filho de Tito Vilanova, Adria Vilanova, confirmar no twitter a recaída do câncer de seu pai, a imprensa espanhola especulou o nome de Joan Francesc Ferrer, o Rubi, como novo treinador do Barcelona. Ex-treinador do modesto Girona, que quase subiu à Liga BBVA na temporada passada (caiu nos play-offs pro Almería), ele foi contratado nesta temporada para trabalhar ao lado de Jordi Roura como auxiliar técnico de Tito Vilanova. No entanto, o problema de saúde de Tito pode abrir espaço para Rubi treinar o Barcelona. A rádio catalã RAC1, porém, afirmou que um novo treinador será contratado.

Rubi, Roura ou um treinador “de fora”, seja quem for, o fato é que um deles terá um grande trabalho pela frente. Hoje, o Barcelona tem um grande problema a ser resolvido: seu vulnerável sistema defensivo. Desde a última temporada de Guardiola na equipe que o Barça vem sofrendo com excessivos contra-ataques dos rivais e tomando gols bobos, sobretudo nas jogadas aéreas. O estopim dessa caótica situação foi a goleada sofrida para o Bayern de Munich na semifinal da UCL passada, num agregado de 7×0. No caso, sem Puyol e Mascherano, lesionados, Tito teve que recorrer ao canterano Bartra.

O sonho de consumo de Rosell e Zubizarreta sempre foi Thiago Silva. No entanto, a dupla encontra muitas dificuldade em tirar o brasileiro do PSG. O sheikh Nasser Al-Khelaifi, proprietário do clube pariense, ironizou: “se o Barcelona pagar a cláusula de rescisão do Thiago Silva, eu pago a de Messi”. Sem grande poderio econômico para bater de frente a esses clubes, o jeito será recorrer ao plano B. Os mais especulados são David Luiz, Jan Vertonghen e Daniel Agger. Os gunners Vermaelen e Koscielny também aparecem na órbita azulgrená.

Acima de tudo, o Barcelona precisa adaptar seu sistema à modernidade. A vitória da seleção brasileira contra a Espanha (base blaugrana) na final da Copa das Confederações evidenciou algo que tanto Bayern quanto Real Madrid já haviam mostrado para o mundo: o tiki-taka pragmático. O estilo de jogo que encantou o mundo durante quatro anos e transformou o Barcelona de Guardiola (e a Espanha de Del Bosque) num dos times mais vencedores da história, atualmente, encontra-se num provisório declínio. A cura foi descoberta. Envolvido fisicamente, o Barça vira refém de sua posse de bola e não suporta o intenso jogo dos rivais de alto nível.

Na temporada passada, Tito e Roura padeceram quando precisaram sair de situações desconfortáveis. O time não mostrou nenhuma solução tática e o 4-3-3 foi executado sem sua essência. Poucas infiltrações e marcação sob pressão, que resultaram em contra-ataques do adversário, já que a zaga joga em linha alta. O time estara cada vez mais previsível e engessado.

Além disso, o novo treinador irá encontrar outras questões: encaixar Neymar ao esquema barcelonista e descansar cada vez mais Xavi aos jogos mais agudos da temporada. O camisa 6 catalão fez, em 2012-2013, sua temporada mais fraca nos últimos cinco anos. Cada vez mais, Xavi vai mostrando não ter mais “pernas” para ditar o ritmo do jogo e controlar o meio-campo. Thiago, seu substituto natural, foi vendido. A lógica é recorrer a Fàbregas, que teve esporádicas aparições como segundo volante. Desde que retornou ao Barcelona, Cesc jogara mais como terceiro homem, quando Tito abriu Iniesta à ponta esquerda do ataque, ou falso nove, substituindo Messi.

Uma das inspirações de Guardiola, Marcelo Bielsa é um forte nome a assumir o cargo de treinador do Barcelona (getty images)

Uma das inspirações de Guardiola, Marcelo Bielsa é um forte nome a assumir o cargo de treinador do Barcelona (getty images)

André Villas Boas, treinador do Tottenham, sempre foi o preferido de Sandro Rosell. Quando Guardiola confirmou sua saída, em 2012, o português teria sido o primeiro nome a ser procurado. Outro sonho de consumo da diretoria é Marcelo Bielsa, talvez o nome mais plausível para ser o treinador do Barcelona na atual temporada. Sem clube após a saída do Athletic Bilbao, El Loco é conhecido por privilegiar o futebol ofensivo e é bem visto pelo Barcelona por ser, reconhecidamente, uma das inspirações de Josep Guardiola.

Além da elogiável concepção de futebol, Bielsa é profissional e detalhista a ponto de ter assistido a 126 horas de jogos do Athletic Bilbao em ação para traçar perfis do elenco e conhecer um terreno que se apresentou como um desafio inédito em sua carreira, em 2011. O argentino é valorizado agora pela capacidade de implantar ideias que fogem ao trivial mesmo em equipes com recursos bem mais escassos que os do Barcelona. Por ora, é o candidato mais forte a assumir cargo técnico blaugrana. Quem também tem os nomes especulados são Michael Laudrup e Frank De Boer, treinadores de Swansea e Ajax, respectivamente. Treinadores que tiveram passagem pelo Barcelona enquanto jogadores e conhecem a filosofia do clube. Hoje, a TVE da Catalunha afirmou que Luis Enrique, treinador do Celta, é mais um cotado ao disputado cargo.

Como bem disse o amigo Marcelo Bechler em seu blog na Rádio Globo, “por mais que haja uma filosofia, um estilo treinado desde a base, que os jogadores atuem juntos há anos, é preciso de um condutor. Um carro não chega sozinho a um destino, mesmo que seja um bom carro e tenha um bom GPS”. O fato é que o novo treinador terá muito trabalho pela frente.

Clicando aqui, veja a coletiva de imprensa em que Rosell anunciou a saída de Sandro Rosell e confirmou a chegada do novo treinador para semana que vem e o cancelamento do amistoso que o Barcelona faria neste sábado contra o Lechia Gdansk, na Polônia, abrindo os jogos amistosos de pré-temporada.

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Jornalista, carioca e apaixonado pela Liga Espanhola desde a época em que Rivaldo, Zidane, Figo e Raúl foram seus professores. Colaborou para o programa [email protected] da Rádio Globo São Paulo falando sobre o futebol do país das touradas. Repórter da Super Rádio Tupi.