Prévia tática: os caminhos para o Atlético-MG vencer a marcação do Olimpia

  • por João Vitor Poppi
  • 7 Anos atrás

Reverter os 2×0 contra o Olímpia provavelmente será mais complicado do que foi no duelo frente ao Newell’s Old Boys, pelo simples fato do time paraguaio ser montado para se defender. 

Qual será a postura tática do Galo sem seus laterais?
Júlio Cesar irá ocupar a vaga de Richarlyson na lateral esquerda. Já a lateral direita é um incógnita. Abre-se espaço para Cuca repetir o que fez contra o Arsenal de Sarandí, na vitória por 5×2 na Argentina. Naquele jogo o alvinegro mineiro saiu atrás no placar, então, Cuca alterou o posicionamento de sua equipe. 

Pierre foi recuado para formar um trio de zaga, junto com Réver e Leonardo Silva, que jogou adiantado. Essa postura  pode funcionar para ocorrer vantagem numérica  sobre os dois atacantes do Olimpia e para ter fluência ofensiva pelos lados, onde o Olimpia costuma congestionar o jogo.

Trio de zaga com Pierre pode funcionar para ter vantagem contra os dois atacantes do Olimpia, que atua no 5-3-2 fora de sues domínios. O maior cuidado tem que ser com as jogadas laterais do adversário

Atacantes do Arsenal de Sarandí (Furch e Benedetto) circulados de vermelho

Os ofensivos laterais Júnior Cesar e Marcos Rocha se tornaram alas, com isso Bernard, que atuou como um segundo atacante, teve liberdade para afunilar,  buscar a diagonal e se infiltrar na área. Leandro Donizete fez a transição ofensiva e deu suporte a Ronaldinho, atuando como um volante/meia central. Tardelli flutuou: pela esquerda e direita, hora como meia (por dentro), hora como atacante.
O Galo atuou no 3-5-2, com uma linha de três no meio, formada por L. Donizete por dentro e os dois alas pelos lados. Ronaldinho e Tardell cuidaram da armação, enquanto Bernard e Jô buscavam a profundidade. Mas para que o resultado desta tática seja positivo, o time mineiro irá precisar ter compactação entre setores e imposição, pois com os deslocamentos o time terá as linhas definidas em: 3-3-3-1, o que pode resultar em contra golpes letais.

Linha de três no meio, Ronaldinho e Tradelli por dentro e Bernard e Jô no ataque. O 3-5-2, com grandes variantes ofensivas visto na Argentina, pode ser utilizado para Ronaldinho entrar no jogo acionando as movimentações diagonais

Linha de três no meio, Ronaldinho e Tardelli por dentro e Bernard e Jô no ataque. O 3-5-2, com grandes variantes ofensivas visto na Argentina, pode ser utilizado para Ronaldinho entrar no jogo acionando as movimentações diagonais

Com isso, Cuca poderia colocar um meia na lateral direita/ala, por exemplo, Rosinei. Se preferir, improvisar Luan no setor. Pois o princípio desta função seria a ofensividade e fazer o adversário recuar através da pressão. São hipóteses, mas com o gol fora de casa não qualificado, a chance do Galo ser ainda mais ofensivo existe. Existe ainda a opção por Míchel na direita, ou até Carlos César improvisado, mantendo o 4-2-3-1 habitual, pois Cuca já mexeu no esquema tático (usou o 4-3-1-2) no Paraguai e não agradou.

Jogos anteriores podem servir como luz ao time de Cuca.
Nos confrontos contra o Fluminense, principalmente o de São Januário, o Olimpia realizou uma marcação quase perfeita. Nas partidas em que atua como visitante, o esquema tático do time treinado por Ever Almeida modifica-se: os laterais recuam formando uma linha de cinco marcadores, desenhando o time no 5-3-2. 

Aranda fica centralizado à frente dos três zagueiros como cabeça de área, com dois meias a sua frente. Se Ever Almeida mantiver a escalação do primeiro jogo, Giménez (esquerda) e Pittoni (direita) atuarão na meia cancha. Do lado em que o Olimpia estiver sendo atacado, um dos meias funciona como auxiliar de lateral, com esse posicionamento, os flancos do time paraguaio são protegidos por três marcadores – zagueiro, lateral e o meia. O time de Assunção ainda pode variar para o 5-4-1, com um dos atacantes fechando um flanco – contra o Fluminense, Salgueiro voltava pela esquerda e o meia (Ortiz) daquele lado centralizava-se com Aranda.

Marcação do Olimpia feita a partir do meio campo e ataque: com os  auxiliares de lateral

Marcação do Olimpia feita a partir do meio campo e ataque: com os auxiliares de lateral

Essa tática de trancar os lados de campo destruiu o 4-2-3-1 do Fluminense, mas deixou uma brecha, que não foi explorada pelo time das Laranjeiras: o meio. Os ataques foram todos direcionados para e pelos flancos, buscando a linha de fundo, não houve investidas pelo centro e faltou a diagonal dos pontas. O espaço que falta pelos lados, existe no meio.

Os lados do Olimpia tem marcação forte e compactação, mas se a bola for bem trabalhada com inversões, o espaço pelo centro aparecerá

Os lados do Olimpia tem marcação forte e compactação, mas se a bola for bem trabalhada com inversões, o espaço pelo centro aparecerá

O que o Tricolor carioca não fez é o que tem que ser feito pelo alvinegro mineiro:
– Os pontas aplicarem a diagonal, para buscar a infiltração na área adversária, ou puxando um marcador, abrir espaço para descida de um lateral/ala. Movimentação constante dos homens da frente e inversão de posição entre os pontas.
-Virar o jogo, fazer a bola trocar de lado, não insistir apenas por um lado.
-Usar o meio, fazendo a bola chegar até os lados com rapidez e sair dos lados para o meio com rapidez. Para isso, é necessário velocidade na saída de bola (Josué) e bom posicionamento de Ronaldinho para receber as bolas vindas dos lados. O passe correto é uma obrigação do Galo na noite que pode ser a mais importante de sua história.
– É de extrema importância o Atlético-MG ter alguém com liberdade para ser o ”homem surpresa”. Se bem acionado, o jogador que vem de trás, pouco vigiado, pode ser uma arma para quebrar as linhas do Olimpia, que mais parecerão barreiras.

Outra estratégia importante para o Galo está no 4×1 sobre o São Paulo, nas oitavas de final. Uma das melhores partidas de Ronaldinho com a camisa alvinegra. E não foi por acaso. Cuca soube preparar muito bem o terreno para o craque brilhar.

O treinador tirou a marcação da zaga são paulina, que por muitas vezes ficou sem ”função”, sem referência. Com isso, o time alvinegro ganhou o meio campo, com Jô atuando perto do camisa dez. Formava-se uma linha de quatro jogadores próxima dos volantes do São Paulo. Leandro Donizete (na final: Josué) dava suporte ao quarteto ofensivo, trocando passes com rapidez. Abriu-se, então, campo para os pontas Bernard e Tardell, fazerem inversões de posicionamento e, principalmente, se infiltrarem na defesa oponente na diagonal, pegando os marcadores no mano a mano. Os volantes ficavam preocupados com os lados, onde o Tricolor era muito pressionado, e tinham que ajudar na marcação por aqueles setores – o que pode ocorrer com os meias centrais do Olimpia. Com os volantes distantes, Ronaldinho brilhou.

Se a linha de quatro no ataque for aplicada contra o Olimpia, mas mais adiantada, deixará o trio de zagueiros do time paraguaio sem referência, o que pode favorecer as infiltrações de quem vem de trás.

Se a linha de quatro no ataque for aplicada contra o Olimpia, mas mais adiantada, deixará o trio de zagueiros do time paraguaio sem referência, o que pode favorecer as infiltrações de quem vem de trás

Essa tática, além de ter força para deixar a marcação paraguaia confusa, pode facilitar e impulsionar o time treinado por Cuca a fazer tudo que foi pontuado acima, como: diagonal dos pontas, ”homem surpresa” e jogadas pelo centro com Ronaldinho.

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Acadêmico de Jornalismo. Analista Tático. Redator na DPF e na Vavel Brasil.