Técnica, aplicação e intensidade: As armas do Vitória na Série A!

Painel tático do Vitória. A base é um 4-2-3-1, com algumas variações.

Painel tático do Vitória. A base é um 4-2-3-1, com algumas variações.

O Vitória vem tendo um começo avassalador no Brasileirão Série A. No momento, é o segundo colocado, com 10 pontos, ficando apenas atrás do Coritiba, que tem 11. O Leão Baiano tem 66.7% de aproveitamento, com 3 vitórias, 1 empate e uma derrota, em 5 partidas disputadas. Os nordestinos marcaram 10 gols e sofreram cinco. A expectativa é a melhor possível para o resto da temporada, mas o time precisará manter a regularidade, para não se tornar apenas mais um “cavalo paraguaio”. 

O técnico Caio Jr. configura a equipe baiana com muita organização, intensidade e aplicação, explorando o talento e a técnica de seus jogadores de frente. O esquema-base é o 4-2-3-1, que apresenta variações táticas muito interessantes nas mais variadas transições, para confundir os adversários. A constante flutuação dos três meias é uma das principais características do plano de jogo rubro-negro, com frequente troca de posicionamento. 

Com a posse de bola, o volante Michel recua para a zaga central e ajuda a organizar a saída de bola. Essa função é basicamente feita por ele, juntamente com os zagueiros Gabriel e Victor Ramos e um dos laterais, que fica mais contido na linha que divide o gramado e recebe a pelota para iniciar as jogadas pelo seu lado. Assim, aplica-se um 3-3-1-3, já que Escudero e Maxi Biancucchi são empurrados para as pontas, enquanto os dois laterais fazem as ultrapassagens. O volante Cáceres também pode ficar mais recuado, próximo ao círculo central, enquanto os laterais/alas avançam pelos extremos do campo. Com isso, forma-se uma espécie de 3-1-3-3. 

Por algumas vezes, o 4-2-3-1 do Vitória, ganha uma dinâmica de 4-2-2-2, devido à movimentação de Escudero e Maxi Biancucchi. Nessa transição, Escudero flutua no meio-campo, centralizando, encostando em Renato Cajá para criar jogadas e inverter. Simultaneamente, Biancucchi entra na diagonal e forma dupla de ataque com Dinei, mais à frente. No geral, Escudero busca jogadas mais verticais, enquanto Biancucchi penetra por dentro e abre um corredor para Nino no flanco direito. 

Maxi joga com mais liberdade, como um atacante, sem muita responsabilidade de voltar para ajudar o lateral-direito Nino nas recomposições. No 4-4-2 em linhas, que o time leonino usa quando está sendo atacado, Renato Cajá, que originalmente, se posiciona ao centro no 4-2-3-1, parte da direita na segunda linha de marcação. Os dois volantes fecham os espaços na faixa central e Escudero marca na esquerda. Biancucchi pode ficar alinhado com Dinei na frente, ou atrás da linha da bola, formando um 4-4-1-1. Essas duas linhas de quatro são bastante compactas, bem próximas e podem subir até o grande círculo para pressionar a saída de bola adversária e deixar sua transição ofensiva mais lenta. 

Individualmente, alguns outros jogadores como Dinei, Cáceres, Renato Cajá e Nino também se destacam. Dinei é a referência de área, que atua mais avançado, no comando de ataque. É um bom cabeceador, tem ótimo posicionamento por entre os zagueiros adversários e, apesar da idade, possui mobilidade, já que pode fazer o pivô central-vertical, seja pelo chão ou pelo alto, além de que costuma abrir pelas extremidades e rolar a bola para o centro, para a conclusão dos jogadores que chegam de trás. Renato Cajá é o articulador de jogadas da equipe e tem um passe preciso, excelente visão de jogo, intensa movimentação e velocidade na hora de ligar os contra-ataques e arrancar por entre as intermediárias. Cáceres é o homem que arma o jogo de trás, com longos lançamentos e enfiadas de bola, municiando seus companheiros e comandando a meia-cancha baiana com excelência. O lateral-direito Nino tem muita agilidade, vitalidade e qualidade técnica. Quando apoia, normalmente busca a linha de fundo e faz cruzamentos para a grande área, mas também pode se projetar pelo meio e tabelar com Maxi Biancucchi na ponta-direita. 

Como ponto negativo, podemos citar o sistema defensivo da equipe, que ainda é vulnerável na bola aérea e em lançamentos, principalmente quando os zagueiros ficam de cara com os atacantes adversários. Em compensação, o goleiro Wilson vem trabalhando muito bem na competição e livrando o time de maiores problemas, com muita segurança nas defesas.

Comentários

Natural de Recife-PE e futuro jornalista esportivo. É colunista de futebol nordestino no BOL Esporte/ Portal Terceiro Tempo e colabora com o Doentes Por Futebol. Gosta bastante de análises técnico-táticas.