Ultrapassando as barreiras do tempo

Por Cleiton dos Santos

felipao

Não eram leões correndo atrás de gnus num documentário do Nat Geo. Eram Fred, Neymar, Hulk e Oscar fechando o cerco contra os aterrorizados Sergio Ramos e Piqué que tiveram que recorrer ao chutão.

O tiki-taka blaugrana adotado pela Fúria não teve espaço na noite da final da Copa das Confederações. A marcação pressão derrotou, pela terceira vez no ano, a posse de bola dos espanhóis. Borussia Dortmund, Bayern de Munique e agora a Seleção Brasileira acuaram os times espanhóis pra dentro do seu campo, e os induziram ao erro.

No time do Felipão, a dedicação de todo o time é marca conhecida. (Foto: Reprodução)

No time do Felipão, a dedicação de todo o time é marca conhecida. (Foto: Reprodução)


Se pegarmos as características dos jogadores, obviamente sem comparar as qualidades de cada um, veremos como a seleção de Felipão é parecida com o Bayern de Jupp Heyckes. Um volante cão de guarda (Javi Martinez/Luiz Gustavo), um segundo volante de saída (Schweinsteiger/Paulinho), um meia pelo centro (Müller ou Kroos/Oscar), um atacante canhoto pelo lado direito e outro destro pelo lado esquerdo (Robben e Ribery/Hulk e Neymar) e um centro-avante de referência (Mandzukic ou Mario Gomez/Fred). Quem chamava Scolari de ultrapassado terá que pedir perdão ao técnico que pelo jeito se atualizou da forma como eles queriam. 

Mas há dezoito anos atrás, mais precisamente na Taça Libertadores de 1995, o Grêmio, treinado pelo mesmo Luiz Felipe Scolari, imprimia uma marcação tão efetiva quanto, e também baseada nas faltas para parar o time adversário no seu campo de defesa. Era um festival de pequenas faltas táticas para não deixar que nem os meias tivessem a posse de bola. Um Grêmio que tinha Paulo Nunes e Jardel “mordendo” os zagueiros e os induzindo ao erro que em alguns momentos resultavam em gols.

Na década de 90, Felipão já utilizava uma marcação sob pressão (Foto: Zero Hora)

Na década de 90, Felipão já utilizava uma marcação sob pressão para induzir o erro (Foto: Zero Hora)


Scolari se atualizou com um modelo que passou de Foguinho para Carlos Froner, de Carlos Froner para ele. A Seleção Brasileira voltou a ser competitiva ao resgatar do fundo do baú uma “fórmula ultrapassada” de marcação, para recuperar a posse de bola, e ser fatal no ataque do jeito mais brasileiro possível.

Comentários

Gaúcho, colorado e estudante de Engenharia de Computação. Doente por futebol desde que se entende por gente. Joga futsal nas horas vagas. A cada dois jogos, uma lesão.