Uma nova era no Werder Bremen

  • por Osmar Júnior
  • 6 Anos atrás

Por Eduardo M. Tavares Junior

Com novo técnico após 14 anos, Bremen tenta se reencontrar na Alemanha

Foto: Reprodução | Arte DPF

Foto: Reprodução | Arte DPF

Quatro vezes campeão alemão, o Werder Bremen tem Thomas Schaaf como um dos grandes responsáveis pela construção de sua gloriosa estrada de conquistas. O clube, que completou 114 anos em fevereiro de 2013, possui quatro títulos nacionais em sua galeria de troféus e Schaaf participou de três deles, sendo dois como jogador e um como técnico.

Foi do banco de reservas dos verdes que o antigo defensor marcou carreira com sua inconfundível careca e um bigode mais tímido comparado a época de jogador. Thomas Schaaf ficou de 1999 até 2013 como técnico do Werder Bremen, ganhando um Campeonato Alemão, três Copas da Alemanha e ainda acumulando um vice-campeonato da Copa da Uefa de 2009. Ao lado de Otto Rehhagel, ele pode ser considerado o maior treinador da história do clube.

Sua saída do Werder Bremen, local em que trabalhava desde as categorias de base em 1972, deve-se muito ao estado crítico que o time atingiu nos últimos anos. Ausente de competições europeias desde a temporada 2009/2010, quando caiu nas oitavas-de-final da Liga Europa, o clube alemão chegou a ter um prejuízo recorde em 2012 de 13,9 milhões de euros, com uma diminuição de 24 milhões nas receitas.

Dentro de campo, a história se repete. Se no princípio da última década o Bremen se acostumou a ficar nas primeiras colocações da tabela do Campeonato Alemão, o time vem despencando de uns tempos pra cá. Começou com o 13º lugar em 2010/2011, acompanhado com o 9º lugar na temporada seguinte e completando com a trágica 14ª colocação em 2012/2013, pior posição do time desde 1980 quando terminou na 17ª colocação e foi rebaixado.

Falando da última temporada, tudo começou a desmoronar quando Klaus Allofs deixou o clube em novembro de 2012. O ex-atacante da seleção alemã e do próprio Werder Bremen formava forte parceria com Thomas Schaaf desde 1999: Allofs como diretor esportivo e Schaaf como técnico. As cobranças já eram grandes há muito tempo e o diretor saiu mais cedo, mudando-se para o Wolfsburg antes de 2013. Já o técnico tomou a decisão de deixar o clube ao término da temporada.

Sem Thomas Schaaf quem está ocupando o posto de comandante do Bremen é Robin Dutt. O treinador de 48 anos cresceu há pouco tempo na carreira, mais precisamente, a partir de 2007 quando assumiu e trouxe o Freiburg para a elite do futebol alemão. Além disso, Dutt quase colocou a equipe da Floresta Negra na Liga Europa em sua temporada inicial na primeira divisão. Tamanho sucesso o levou para o Leverkusen (onde fracassou) e para o cargo de diretor da seleção alemã, de onde só saiu para treinar o Bremen.

Consigo, Dutt trouxe o auxiliar Damir Burić e o preparador de goleiros Marco Langner, ambos membros de confiança do técnico, afinal, trabalharam juntos no Freiburg e no Leverkusen.

Para substituir Klaus Allofs na direção de esportes, o Bremen fez uma aposta arriscada: Thomas Eichin. O ex-jogador, de história marcante no Borussia Mönchengladbach, nunca trabalhou nessa função em clubes de futebol. Apesar de uma rápida experiência como diretor de marketing do próprio Gladbach, Eichin foi diretor administrativo do Kölner Haie, equipe muito tradicional do hóquei alemão. Sua ida para os verdes significa o retorno aos esportes após mais de cinco anos.

Um dos principais desafios de Robin Dutt e Thomas Eichin é conseguir fazer a juventude do clube vingar. Como tem sido característica do Bremen nos últimos anos, muitos jovens fazem parte do elenco. Hoje, os Verdes contam com a terceira menor média de idade (23.8) do Campeonato Alemão.

Foto: bundesliga.com | Aaron Hunt, um dos destaques nesta pré-temporada

Foto: bundesliga.com | Aaron Hunt, um dos destaques nesta pré-temporada

Nos amistosos de pré-temporada, Dutt tem sempre colocado no time titular garotos de 23 anos ou menos. Entre os que mais prometem estão o goleiro Sebastian Mielitz, o meia-atacante Mehmet Ekici e o defensor, recém-contratado, Luca Caldirola. Todos eles comandados pelos nem tão jovens (mas longe de serem veteranos) Nils Petersen, artilheiro do time, e Aaron Hunt, maestro no meio campo.

Falta a essa garotada receber a confiança do técnico e da diretoria. Com Schaaf, essa força não estava chegando e a pressão carregada por eles era absurda. O Bremen pode não ter time para fazer frente a Bayern e Dortmund, mas possui um plantel capaz de honrar a história do clube e glorificar essa era, agora com Robin Dutt e Thomas Eichin, os novos comandantes verdes.

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Nascido e residente em Araxá/MG. Apaixonado por esportes em geral, dedica boa parte de seu tempo acompanhando futebol. Tem um carinho todo especial por histórias de equipes alternativas e times de divisões inferiores. Nas horas vagas, relaxa praticando mountain bike.